A Proteção Civil esclareceu esta sexta-feira que as golas antifumo distribuídas no âmbito do programa “Aldeia Segura” destinam-se apenas a movimentos rápidos de retirada de pessoas em caso de incêndio e que a sua segurança não está em causa. “Quero passar uma mensagem de tranquilidade junto das aldeias, é que estes equipamentos servem sobretudo para uma proteção temporária, num movimento que se espera que seja rápido, e nunca para enfrentar um incêndio florestal”, disse à RTP a segunda comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Patrícia Gaspar.

O esclarecimento de Patrícia Gaspar surge após o Observador e o Jornal de Notícias escreverem que 70 mil golas antifumo fabricadas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização, que custaram 125 mil euros, foram entregues pela Proteção Civil no âmbito do programa “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras”. As golas antifumo, fabricadas em poliéster, não têm a eficácia que deveriam ter: evitar inalações de fumos através de um efeito de filtro.

Ao Observador, 24 horas antes, Patrícia Gaspar afirmou que as golas servem apenas para sensibilizar as populações. Entretanto,

Incêndios. Proteção Civil distribuiu 70 mil “golas” inflamáveis às populações

A segunda comandante nacional explicou que estas golas, assim como todo o equipamento que foi distribuído junto das aldeias que têm este projeto, devem ser usadas “em momentos que se esperam que sejam rápidos” e “tem a ver com a necessidade destas pessoas, num dado momento, poderem ter de sair das suas casas para entrarem num transporte ou para se dirigirem a um abrigo ou a uma situação de refúgio”.

Em nenhum momento este equipamento foi identificado como equipamento de proteção individual ou como equipamento que pudesse ser usado numa situação de confronto com incêndio florestal”, precisou, sublinhando que nos locais onde há fumo “é fundamental” que as pessoas tenham golas para cobrir as vias respiratórias.

“Este equipamento, ou equipamento semelhante a este, é fundamental para uma proteção imediata e pontual em situação de incêndio, mas não para fazer face a uma situação de fogo”, diz, em declarações à RTP. Patrícia Gaspar disse também que o esperado “é exatamente o contrário”, que estas pessoas “não se exponham aos incêndios”.

“Numa situação limite, em que o incêndio esteja a chegar a uma determinada aldeia, estas pessoas devem ter noção que este equipamento é fundamental para uma proteção que se pretende que seja rápida, enquanto se dirigem de um determinado local da sua habitação para um transporte ou para um refúgio”, insistiu. A ANEPC já tinha enviado anteriormente um comunicado, esclarecendo que os materiais distribuídos no âmbito dos programas “Aldeias Seguras” e “Pessoas Seguras” não são de combate a incêndios nem de proteção individual, mas de sensibilização de boas-práticas.

Por sua vez, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse ser “irresponsável e alarmista” a notícia sobre as golas antifumo com material inflamável distribuídas no âmbito do programa “Aldeias Seguras”. O ministro sublinhou a importância do programa que está em curso em mais de 1.600 aldeias do país, assegurando que a distribuição das golas antifumo não põe em causa nem o projeto nem a segurança das pessoas.

Ministro considera “irresponsável e alarmista” notícia sobre golas antifumo

No âmbito dos programas “Aldeias Seguras” e “Pessoas Seguras”, que procuram garantir uma maior proteção das aldeias em caso de incêndio, são designados oficiais de segurança, figura que tem como missão transmitir avisos à população, organizar a evacuação do aglomerado, em caso de necessidade, e fazer ações de sensibilização junto da população.

No último balanço feito pela Proteção Civil, os programas “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras estão a ser realizados em 1909 aldeias, existindo 1507 oficiais de segurança local e 1466 locais de abrigo.