A cantora e empresária natural dos Barbados reagiu, no passado domingo, às declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos no Twitter, na sequência do tiroteio de El Paso que, no dia anterior, causou a morte de, pelo menos, 22 pessoas. Na mensagem, veiculada através das redes sociais Twitter e Instagram, Rihanna não hesitou em chamar aos atos de violência do Texas e do Ohio, mas também ao da Califórnia, no dia 28 de julho, ataques terroristas.

“Usaste mal a palavra ‘terrorismo’, Donald. O teu país teve dois ataques terroristas ao lado um do outro, com horas de diferença, matando quase 30 inocentes. Isto, dias depois de outro ataque terrorista na Califórnia, onde um terrorista foi capaz de arranjar uma espingarda de assalto (AK-47) em Vegas, LEGALMENTE, e de conduzir durante horas até um festival de comida na Califórnia, causando a morte de seis pessoas, incluindo um pequeno bebé!”, escreveu.

Em menos de 24 horas, entre sábado e a madrugada de domingo, dois tiroteios chocaram os Estados Unidos e o mundo. No primeiro, em El Paso, Texas, morreram 22 pessoas, três de nacionalidade mexicana, e outras 26 ficaram feridas. O principal suspeito é Patrick Crusius, de 21 anos, natural do mesmo estado. O atirador poderá ainda ter publicado um texto online onde fala sobre as suas motivações, referindo “a invasão hispânica ao Texas”. Em Dayton, no estado do Ohio, o atirador, abatido pelas autoridades nesse momento, foi descrito como um “jovem homem branco”. Matou, pelo menos, nove pessoas e feriu, pelo menos, 16.

Embora se tenha mostrado solidário com as vítimas e respetivos amigos e familiares, Donald Trump foi alvo de críticas. Na publicação que desencadeou a reação de Rihanna, o presidente descreve o momento de violência em El Paso como “um ato de cobardia” e como “um ato de ódio”. As acusações vão em duas direções — enquanto uns apontam Trump como racista (vaga de críticas que teve início após os comentários dirigidos às congressistas democratas, no mês passado), outros voltam a apelar a alterações nas licenças de porte de arma no país. Beto O’Rourke, candidato às primárias democratas, acusou Trump de alimentar o racismo no país. O senador Bernie Sanders defendeu uma “legislação sensata de controlo de armas”.

“Imaginem um mundo onde é mais fácil conseguir uma AK-47 do que um VISTO. Imaginem um mundo onde eles constroem um muro para manter os terroristas NA AMÉRICA!!!”, referiu ainda Rihanna. “As minhas orações e mais profundas condolências vão para as família e para os entes queridos de todas as vítimas e para as comunidades afetadas e traumatizadas do Texas, da Califórnia e do Ohio! Sinto muito pela vossa perda! Ninguém merece morrer assim! NINGUÉM!”, concluiu a cantora e empresária.

Rihanna não foi a única figura pública a responsabilizar Donald Trump pelos crimes ditos racistas do último fim de semana. “Já temos informação suficiente. Ambos os atiradores são terroristas supremacistas brancos com intenções de matar minorias. A lei foi rapidamente aplicada, mas o que é que TU vais fazer para controlar alguns dos teus apoiantes racistas?”, escreveu a rapper Cardi B, no Twitter.

“Quando condenamos o veneno racista que vem da boca do presidente e apontamos a intolerância das suas políticas, não é uma questão académica, não é um jogo político, tem a ver com vida e morte. O presidente inspira assassinos frequentemente. Ele é parte do problema”, partilhou o cantor John Legend na mesma rede social.