O secretário de Estado adjunto e de saúde respondeu aos técnicos de diagnóstico, que se queixam por não terem sido considerados na contratação dos cerca de 1.400 funcionários nos hospitais. “Parece-me francamente exagerado”, diz Francisco Ramos, recordando os dois despachos de autorização a novos profissionais deste ano, com ”850 profissionais em fevereiro e 1.400 agora”. Garante que haverá um terceiro despacho para novas contratações, sem dizer se será aprovado ainda este ano.

Em visita ao Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, o secretário de Estado admitiu que “o número de profissionais continuará a crescer porque as necessidades também serão cada vez mais”, mas que neste despacho, além dos enfermeiros, apenas estavam contempladas duas categorias de profissionais “muitas vezes esquecidos e indispensáveis ao funcionamento dos hospitais”, os assistentes técnicos e os assistentes operacionais.

Esta segunda-feira, os Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica queixaram-se por terem sido excluídos da lista de contratação de 1.424 profissionais de saúde para os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Francisco Ramos teceu ainda críticas ao Sindicato Independente dos Médicos ,quando questionado sobre o caso da mulher grávida que no sábado não pôde ser atendida no Hospital Amadora-Sintra por falta de médico anestesista e teve de ser transferida para Loures.

O secretário de Estado considera que “o momento político ajuda muito a essas afirmações”, já que os “partidos que deveriam fazer oposição ao Governo estão entretidos a tratar de si próprios”. Considera que essa oposição tem sido feita por organizações como o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e lamenta que o presidente deste sindicato “esteja tão atento a essas situações e que um caso individual seja notícia”.

Francisco Ramos esteve esta manhã na apresentação da nova administração do Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho. O conselho de administração será chefiado pelo médico Rui Guimarães.

Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia / Espinho com nova administração

Desde o início de abril que o Conselho de Administração do centro hospitalar não tinha presidente, depois de o anterior, António Dias Alves, ter renunciado ao cargo.

A demissão de Dias Alves surge mais de meio ano depois da demissão em bloco de 51 diretores de serviço, justificada pelo estado “crónico” do hospital, alegadamente a funcionar em condições miseráveis, com metade das camas necessárias, falta de recursos humanos e de meios de diagnóstico.

Rui Guimarães é agora o homem que tem nas mãos o dever da mudança. O médico anestesista e antigo diretor clínico do hospital Santa Maria Maior, em Barcelos, diz que aceitou o convite por ser “um entusiasta”, embora reconheça uma “missão difícil” pela frente.

Por ter entrado em funções na sexta-feira, dia 2, o novo presidente do Conselho de Administração não pode ainda “falar com muita segurança” sobre a entrada de novos técnicos, mas é certo que centra o discurso nos trabalhadores do hospital.

“Os profissionais dizem que não têm encontrado um rumo, por isso a nossa tentativa é dar-lhes um rumo. Vamos ouvir as pessoas com uma grande humildade”, disse.

Embora esteja “ainda em fase de diagnóstico”, Rui Guimarães pediu desculpa pelos problemas que o centro hospitalar tem apresentado e sublinhou a importância de se encontrar “um clima de organização para prestar um melhor cuidado às pessoas, que não têm nada a ver com essas questões de organização”.

Para isso contará com a ajuda do Governo, no que ao secretário de Estado adjunto e da saúde diz respeito, para um caminho “fundado e fundamentado num projeto clínico”. Francisco Ramos visitou as obras que estão a ser realizadas no hospital, “meras paredes pouco úteis”, para o secretário de Estado, que rapidamente se devem “pôr a funcionar”. A fase C das obras de requalificação deve entrar em execução no próximo ano, diz.

Em março de 2018, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, dirigiu-se àquele hospital e defendeu que os médicos trabalhavam num “cenário de guerra”. No mesmo mês, a situação tornou-se ainda mais complicada quando a administração do hospital não abriu vagas para integrar todos os médicos especialistas ali formados.

Um ano depois, em julho de 2019, Miguel Guimarães voltou ao hospital para verificar que “nada foi feito”: continuavam as más condições de trabalho, em alguns casos “indignas”.

O centro hospitalar estima canalizar 3,1 milhões de euros para equipamentos médico-cirúrgicos até ao final do ano, tendo já feito um primeiro investimento de 1,1 milhões de euros. No mês passado, o diretor clínico José Pedro Moreira da Silva dizia que continuavam a existir “três problemas bicudos” por resolver: falta de gente, material obsoleto e um hospital subfinanciado.