A Bolsa de Cuidadores criada pelo Governo permitiu que fossem abertas 117 vagas que permitem que os cuidadores informais possam deixar a pessoa cuidada temporariamente em centros do setor social para poderem descansar, foi esta terça-feira anunciado.

“Este trabalho traduz-se em algo muito concreto. Alguém que pode sair de casa, descansar, cuidar de si próprio, sabendo que a pessoa de quem cuida continua a ser acompanhada e cuidada. Isto é fundamental”, disse a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, no final do encontro “Cuidar em Parceria” que reuniu políticos, autarcas e profissionais do setor social para uma reflexão sobre as respostas sociais.

Em causa está um projeto-piloto que entrou em vigor em janeiro, que vem reforçar a rede de apoio, criando a Bolsa de Cuidadores que deverá garantir vagas em centros de dia, Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) e serviços de apoio domiciliário para que o cuidador informal possa descansar.

O anúncio foi feito no Instituto de Segurança Social (ISS), em Lisboa, durante o encontro, realizado a propósito do dia de Descanso do Cuidador Informal que esta terça-feira se assinala.

No final do encontro, Maria do Rosário Palma Ramalho disse à Lusa que atualmente existem 19.000 cuidadores informais reconhecidos pelo ISS e que as pessoas devem entrar no portal online do centro distrital do município que aderiu ao projeto-piloto para saberem onde há vagas disponíveis.

Os cuidadores informais podem assim recorrer às respostas sociais quando precisem de se ausentar por motivos de saúde, profissionais ou de força maior.

O projeto prevê que essa ausência nunca poderá ser por mais de sete horas consecutivas e que cada pessoa cuidada poderá usar estes serviços apenas 56 horas por mês.

A secretária de Estado da Ação Social e Inclusão, Clara Marques Mendes, referiu à Lusa que das 117 vagas, 108 já estavam disponíveis “há cerca de dois meses” e algumas já devem ter sido usufruídas.

Durante o encontro Clara Marques Mendes sublinhou a importância do projeto-piloto, indicando que apesar do descanso dos cuidadores informais estar na lei, era de difícil acesso devido à escassez de vagas que permitissem deixar a pessoa cuidada em respostas residenciais, como por exemplo lares de idosos.

O projeto-piloto, que arrancou em janeiro, terá a duração de um ano e foi implementado em 18 concelhos, um por cada distrito de Portugal continental.

Outras respostas para pessoas em situação de dependência mencionadas no encontro, foi o projeto-piloto de apoio domiciliário e médico.

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, disse que a avaliação do projeto que arrancou em maio, designado Serviço de Apoio Domiciliário (SAD)+Saúde, deverá “ser positiva”.

Clara Marques Mendes indicou que o SAD+Saúde, criado para apoiar pessoas em situação de dependência, deficiência ou incapacidade, sem capacidade de assegurar, temporária ou permanentemente, as suas necessidades básicas ou cuidar da sua saúde, já ajudou mais de 150 utentes.

No encontro também esteve o presidente do Conselho Nacional de Juventude, que durante o seu discurso referiu que o Cuidado Informal vale cerca de 5,9 milhões de euros por ano.