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Serviço Nacional de Saúde

Morreu bebé após grávida ser transferida para Lisboa por falta de incubadoras em Faro

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Uma grávida numa situação de risco foi desviada do Hospital de Faro para o Amadora-Sintra por falta de incubadoras. Ministério diz acompanha situação e que foram seguidos procedimentos adequados.

Hospital de Faro já não tinha incubadoras disponíveis e grávida foi transportada de ambulância

LUÍS FORRA/LUSA

Uma grávida com 32 semanas de gestação foi transportada no dia 2 de agosto de Faro para a Amadora porque os médicos entenderam ser necessário provocar o parto à mulher de 23 anos. Como todas as incubadoras do Hospital de Faro estavam ocupadas, a grávida teve de ser transportada para o Hospital Amadora-Sintra e, de acordo com o Correio da Manhã, o bebé acabou por morrer minutos depois do parto, que ocorreu na manhã seguinte.

Por outro lado, uma fonte do hospital disse ao jornal Público que o bebé morreu três horas depois do parto por cesariana. “A mãe chegou às 22 horas do dia 2 de Agosto, transferida do hospital de Faro, tendo a cesariana sido realizada à 09H00 do dia 3. A morte do bebé foi declarada três horas depois”, precisou ao mesmo jornal.

O Ministério da Saúde, em resposta enviada ao Observador e a outros órgãos de informação, diz que “tem estado a acompanhar a situação e teve conhecimento, juntos dos hospitais, de que foram seguidos todos os procedimentos de cuidados de saúde adequados“. A tutela acrescenta ainda que “lamenta profundamente o falecimento do bebé”.

Não existe, para já, qualquer informação pública sobre se a viagem diminuiu as hipóteses de sobrevivência do bebé, na mesma medida que são desconhecidas as razões da indisponibilidade de incubadoras no Hospital de Faro. O Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (que gere o hospital de Faro) explica que neste caso “após avaliação clínica e cumprindo o protocolo definido para situações semelhantes, procedeu ao envio da utente para o Hospital Amadora-Sintra, tal como definido nas redes de referenciação hospitalar”. O Amadora-Sintra é a 290 quilómetros de Faro.

Sobre o porquê da transferência o CHUA explica que “à data, a Unidade de Neonatologia da Unidade Hospitalar de Faro, a única unidade altamente diferenciada na prestação de cuidados neonatais integrada no CHUA, encontrava-se com a sua capacidade de internamento lotada, pelo que a grávida foi encaminhada, em condições de segurança e monitorização adequadas, para o HFF [Amadora-Sintra]”.

O processo foi iniciado porque a grávida tinha sintomas de pré-eclâmpsia, o que colocava em risco a mãe e o bebé, o que fez com que os médicos avançassem para um parto prematuro. A mulher teve então de viajar de ambulância de Faro para o Amadora-Sintra, onde, segundo o Correio da Manhã, terá chegado às 22h00. O parto ocorreu, por cesariana, no dia seguinte, a 3 de agosto, e o bebé acabou por morrer.

Entretanto, o Hospital de Faro decidiu abrir um inquérito ao caso. A presidente do Conselho de Administração do hospital confirmou ao Público a abertura do processo, frisando que a equipa responsável “fez aquilo que tinha de ser feito”. O bastonário da Ordem dos Médicos já tinha pedido que fosse “investigado totalmente” o caso.

PSD: “É óbvio que o Estado falhou”

O deputado do PSD e cabeça de lista no Algarve às próximas legislativas, Cristóvão Norte, já reagiu através de um post no Facebook, onde escreve “uma coisa destas não pode nunca acontecer”. Para o deputado do PSD este caso “é o resultado da perda que se verifica no Algarve”. E acrescenta: A maternidade em Portimão não existe e a neonatologia em Faro não responde. Lamento dizer que estamos a falhar com as mães e os bebés, em perigo muitas vezes”.

Em declarações à rádio Observador, Cristóvão Norte afirmou que “é óbvio que o Estado falhou. E falhou não por falta de aviso”. O deputado critica que há “uma maternidade de Portimão que só existe no papel e um o serviço de neonatologia em Faro que está a rebentar pelas costuras”, isto tem feito com que “muitas grávidas e bebés” sejam “colocados em risco porque tinham de ser enviados para 300 quilómetros de distância e, no caso dos prematuros, essas transferências aumentam exponencialmente o risco.

Cristóvão Norte lembra que estas situações de grávidas terem de ser transferidas acontece com frequência: “Aconteceu há coisa de um mês para Évora, já tinha acontecido algumas vezes para Lisboa. E houve alertas para o Governo. Eu próprio coloquei, mais do que uma vez, a questão da maternidade do Algarve à ministra da Saúde em audições no Parlamento.”

O representante da Ordem dos Médicos no Sul também alertou para os problemas que trazem o facto de as maternidades do país estarem todas a funcionar a meio gás.

Notícia atualizada às 12h29 com resposta do Ministério da Saúde sobre o assunto.

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