Posto sem combustível estabilizam em torno dos 10%. Veja onde ainda pode abastecer

De acordo com os dados mais recentes, são 261 os postos de abastecimento do país sem de combustível. A par disto, 374 já não têm gasolina, 644 já esgotaram o gasóleo e 38 já ficaram sem GPL.

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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A dois dias da greve dos motoristas, parece ter estabilizado a corrida aos postos de abastecimento continua. Às 21h50 deste sábado, 10,3% dos postos de abastecimento do país estava sem qualquer tipo de combustível.

De acordo com os dados mais recentes no site Já Não Dá Para Abastecer, são 261 os postos de abastecimento do país sem combustível e são 2186 os que ainda têm gasolina e gasóleo. A par disto, 374 já não têm gasolina, 644 já esgotaram o gasóleo e há ainda 38 sem GPL.

O site que tem acompanhado quase ao minuto a evolução do combustível nas bombas nacionais trouxe as novas estatísticas depois de ter estado inativo durante a noite, após um fluxo de visitantes que “entupiu” a página. Ao Observador, o criador da página, Jorge Gomes, revelou que o “Já Não Dá Para Abastecer” registou nove milhões de acessos em seis horas e chegou a ter 15 mil pessoas a visitar o site ao mesmo tempo.

Pode ver abaixo o mapa dos VOST, que indica onde ainda é possível abastecer e que postos de combustível já ficaram “secos”.

Este projeto dos VOST foi concebido em parceria com o Waze, a aplicação que monitoriza o estado do trânsito em tempo real na estrada. Neste mapa, VOST e Waze mostram onde ficam os postos de combustível da Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA) — são 374 no total para os veículos normais — e localizam os sítios onde algum tipo de combustível já esgotou.

Toda a informação está disponível na página Já Não Dá Para Abastecer ou na aplicação Waze para smartphones. Também pode ver as atualizações ao minuto no Twitter do VOST. Ou consultar a tabela do Observador, que pode encontrar aqui em baixo, para saber que postos de combustível da rede de emergência ficam na sua cidade.

A corrida às áreas de serviço intensificou depois de o Governo ter declarado o estado de emergência energética. João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Transição Energética, confirmou que, embora sem alarmismos, os portugueses têm corrido aos postos de combustível para se precaverem para a paralisação — ao ponto de as vendas de combustível terem aumentado 30% comparavelmente “a uma semana normal ao longo do ano”. Para essa afluência também deve contar o facto de a greve acontecer em plena época de férias para muitos portugueses. E numa mudança de quinzena em que muitos viajam de férias enquanto outros regressam a casa.

E a população não é a única a preparar-se para a greve: até os proprietários de postos de combustível “estão a comprar o quádruplo do que é costume” para fazer frente ao aumento da procura.

O Governo já fixou os serviços mínimos que podem ser colocados em vigor a partir da meia-noite de domingo para segunda-feira. Segundo esses serviços mínimos, todos os postos de combustível da REPA vão ser abastecidos com normalidade mas há uma limitação de 15 litros por viatura nesses postos. Fora dessa rede, apenas se garante 50% no abastecimento mas com algumas exceções: os serviços mínimos garantem o abastecimento de 75% em empresas de transportes e instituições de assistência social. E 100% no abastecimento a portos, aeroportos, instalações militares, hospitais e centros de saúde, bombeiros, forças de segurança e Proteção Civil.

De resto, em jeito de resposta a Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, que pediu aos portugueses para se precaverem antes de 12 de agosto, a DECO publicou um “manual de sobrevivência” para a greve. De acordo com a organização, os portugueses devem abastecer o carro “dois a três dias antes do início da greve” e utilizá-lo apenas para “deslocações indispensáveis”. Tenha atenção às regras para a utilização dos jerricãs, prefira os transportes públicos, tente trabalhar a partir de casa e recheie e a despensa com alimentos com datas de validade longas.

Porque sim, a comida também pode faltar. Há menos de uma semana, em entrevista ao Jornal Económico, Pedro Queiroz, diretor-geral da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA), afirmou que ao fim de três dias de greve já pode ser necessário racionar os bens alimentares, nomeadamente “o pão, lácteos, alimentação para bebés, massas, arroz e conservas” porque esses são produtos que a população “procura com maior intensidade e poderão esgotar rapidamente”.

[“Temos de nos precaver”. O dia numa bomba, quatro dias antes da greve]

Os supermercados estão a preparar-se para essa possibilidade. E não são os únicos. Os CTT “têm preparado um plano de contingência interno” para assegurar a atividade de distribuição postal e “minimizar qualquer incómodo que a paralisação em causa possa causar aos clientes”. A administração da Transtejo e Soflusa garantiu que, embora só consigam assegurar o transporte fluvial por cinco dias, “têm preparado um plano de contingência” caso o combustível comece a faltar.

Os agentes da Guarda Nacional Republicana (GNR) e os agentes Polícia de Segurança Pública (PSP) estão a ser treinados para conduzirem camiões de matérias perigosas e fazerem cargas e descargas dos combustíveis. Os três dias de formação começaram na quarta-feira, mas podem não ser suficientes: até os motoristas de matérias perigosas, com formações de três meses, podem provocar derrames nos postos de combustível ou colocar gasóleo no lugar da gasolina ou vice-versa — as “caldeiradas”, assim lhes chamam os profissionais da área.

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