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Tráfico Humano

Apesar de ter apresentado tendências suicidas, Epstein não estava sob vigia quando se enforcou

O milionário Jeffrey Epstein, acusado de tráfico sexual, incluindo de menores, estava sozinho na cela e não foi sujeito aos parâmetros de vigilância que estavam previstos na altura em que se matou.

Pouco mais de duas semanas depois de ter sido preso preventivamente, Jeffrey Epstein já tinha apresentado tendências suicidas

Neil Rasmus/Patrick McMullan via Getty Images

O milionário Jeffrey Epstein, acusado de tráfico sexual de mulheres e de menores com 14 anos, estava sozinho na sua cela e não foi sujeito aos parâmetros de vigilância que estavam previstos na altura em que enforcou, apesar de semanas antes ter apresentado tendências suicidas.

A notícia está a ser avançada pelo The New York Times, que cita uma fonte conhecedora do processo de Jeffrey Epstein.

O milionário foi detido a 6 de julho e, desde então, não voltou a estar em liberdade. Dois dias depois, foi acusado de tráfico sexual, incluindo de menores, tendo nessa altura evocado a sua inocência. No dia 23 de julho, Jeffrey Epstein foi encontrado inconsciente e com marcas no pescoço no chão da sua cela prisional. A partir de então, foi colocado sob vigia constante, aplicada a prisioneiros que tenham apresentado tendências suicidas.

À altura da sua morte, pensava-se que Jeffrey Epstein ainda estaria sob esse regime. Porém, o que as notícias publicadas na sequência da sua morte têm vindo a revelar é que não só o milionário caído em desgraça não estava sob vigia como estava sozinho à altura do seu suicídio.

De acordo com o The New York Times, a decisão de retirar Jeffrey Epstein daquela vigilância constante para evitar o seu suicídio foi comunicada pela prisão onde ele estava detido ao Departamento de Justiça. Em alternativa, o arguido passaria a estar numa cela com outro prisioneiro. Além disso, a cada 30 minutos, um guarda estaria responsável por olhar para dentro da cela, para garantir que estava tudo bem.

O que a fonte do The New York Times vem dizer é que nada disso foi cumprido à altura do suicídio de Jeffrey Epstein: não tinha um companheiro de cela, nem houve um guarda a espreitar para dentro dela a cada meia hora.

A morte de Jeffrey Epstein, e os contornos ainda pouco claros em que esta aconteceu, tem sido terreno fértil para que várias teorias da conspiração surgissem. A maioria aponta, sem apresentar provas nesse sentido, que a morte de Jeffrey Epstein terá sido encomendada por pessoas que não queriam ser incriminadas pelas revelações que o milionário poderia vir a fazer sob julgamento.

Uma dessas teorias da conspiração acabou por ser ecoada pelo próprio Presidente dos EUA, Donald Trump. Este sábado, Donald Trump republicou um tweet onde se podia ler que “Jeffrey Epstein tinha informações sobre Bill Clinton e agora está morto”. Jeffrey Epstein tinha vários amigos famosos e era conhecido por dar festas frequentadas pela alta roda da política e do mundo entretenimento dos EUA. Entre as pessoas que mantiveram relações pessoais com Jeffrey Epstein inclui-se o ex-Presidente Bill Clinton mas também o atual Presidente, Donald Trump.

Este sábado, poucas horas depois da notícia da morte de Jeffrey Epstein, o procurador-geral dos EUA, William Barr, disse que o seu suicídio “levanta questões muito sérias que têm de ter resposta”. Além da investigação anunciada por Barr, também o FBI declarou estar a investigar o caso.

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