O general Eduardo Villas Boas, ex-comandante do Exército brasileiro, escreveu no Twitter que as declarações do presidente francês Emmanuel Macron, que utilizou uma imagem falsa dos incêndios que estão a decorrer na Amazónia, são “ataques diretos à soberania brasileira” o que inclui “ameaças de emprego do poder militar”. O responsável militar disse ainda que as declarações “ultrapassam o limite do aceitável”.

Recentemente, Macron escreveu no Twitter: “A nossa casa está a arder. Literalmente. A floresta amazónica, o pulmão que produz 20% do oxigénio do nosso planeta, está em chamas. É uma crise internacional”. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, respondeu e acusou o seu homólogo de “instrumentalizar” a situação para proveito próprio. Para o chefe de Estado brasileiro, a mensagem do chefe de Estado francês foi acompanhada de um “tom sensacionalista” que “não contribui em nada para a solução do problema”.

O caso já levou o presidente francês a afirmar que a União Europeia vai tentar parar o acordo de comércio livre com o Mercosul porque “o Presidente Bolsonaro decidiu não respeitar os compromissos ambientais e não se empenhar em matéria de biodiversidade”.

Há duas semanas que as chamas consomem a Amazónia, a maior floresta tropical do mundo. Este ano a situação pode ser potencialmente mais grave do que em anos anteriores. Em 2005, por exemplo, os 63 mil focos de incêndio registados na floresta, apenas no mês de agosto, foram muito superiores aos 23 mil assinalados em agosto deste ano, até agora. Contudo, face ao ano passado, o aumento é considerável: mais 83% de queimadas no primeiro semestre de 2019, quando comparado com 2018; e, só neste mês de julho, mais 278% de área desflorestada, quando comparado com julho do ano passado.