Num sábado que tem sido marcado por mais protestos e conflitos com a polícia de Hong Kong, os manifestantes pró-democracia fizeram pequenas fogueiras perto da sede policial da região chinesa. Barreiras e outros objetos como cones de trânsito foram utilizados para iniciar os fogos que estão a ser apagados pelos bombeiros, avança o The Guardian.

A polícia de Hong Kong lançou, neste sábado, gás lacrimogéneo e canhões de água sobre os manifestantes que protestam à frente da sede do Governo no território. Milhares de manifestantes ignoraram a proibição das autoridades para a realização de um protesto pró-democracia que deveria assinalar os cinco anos em que Pequim recusou o sufrágio universal em Hong Kong, testemunhou a Lusa no local.

Manifestantes protegeram-se com chapéus de chuva (Getty Images)

Os manifestantes, que arremessaram objetos para o edifício, como as latas de gás que a polícia lhes lançou, tentaram proteger-se com chapéus de chuva, máscaras, óculos e capacetes. Vestiram-se todos de preto e tentaram criar barreiras de proteção. Outros, segundo relatou a CNN, atiraram balões de água, tijolos e, pouco depois, cocktails molotov contra edifícios da polícia e do Governo. Alguns reuniram grades de segurança de metal e incendiaram-nas.

A polícia respondeu com canhões de água junto a edifícios do Governo, perto dos quais os manifestantes se juntaram. E atirou tinta azul para que os participantes sejam identificados mais tarde pelas autoridades. Um forte dispositivo policial concentrou-se entretanto nas ruas. Os manifestantes gritaram, sob uma chuva intensa, “Apoiem Hong Kong” e “Lutem pela liberdade”.

Manifestantes atiram latas de gás lacrimogéneo de volta para a polícia (Getty Images)

Sob o pretexto de estarem a efetuar uma manifestação religiosa para “rezar pelos pecadores” e de irem às compras em grupo, os manifestantes ignoraram os avisos da polícia para não realizarem qualquer protesto, arriscando-se a cinco anos de prisão. Este é o 13.º fim de semana consecutivo de protestos em massa em Hong Kong.

Eric, um estudante de 22 anos, disse à agência Reuters: “Dizerem-nos para não protestarmos é como dizerem-nos para não respirarmos. Sinto que é meu dever lutar pela democracia. Podemos ganhar, podemos perder, mas lutaremos”.

Este é o 13.º fim de semana consecutivo de protestos em massa em Hong (Getty images)

Pelas 19 horas (12 horas em Lisboa), os manifestantes abandonaram o local. Para trás, nas ruas, ficou um cenário de destruição, com o jornal South China Morning Post a noticiar que os manifestantes também causaram alguns focos de incêndio junto do quartel-general da polícia em Wan Chai, também no centro da cidade.

Tanto em Kowloon como na ilha de Hong Kong, as pessoas saíram à rua apesar de nenhum protesto ter sido autorizado pela polícia, que alegou razões de segurança para negar a iniciativa que era promovida pela Frente Cívica de Direitos Humanos (FCDH).

Na quinta-feira, a polícia de Hong Kong proibiu a manifestação e a marcha pró-democracia prevista para este sábado, sublinhando que quem desobedecer pode enfrentar até cinco anos de prisão.

Pelas 19 horas (12 horas em Lisboa), os manifestantes abandonaram o local (Getty Images)

Os manifestantes apresentam cinco reivindicações: a retirada definitiva da lei da extradição, a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial, a demissão da chefe de governo Carrie Lam e sufrágio universal nas eleições para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.

A semana foi marcada também pela detenção de ativistas e deputados do parlamento de Hong Kong. Mas não só. Nos últimos dias, a polícia deixou de fazer policiamento a pé pelas ruas para evitar quaisquer emboscadas às forças de segurança. Esta semana, um ativista foi atacado com tacos de basebol por homens com o rosto tapado. Um polícia foi alvo também de um violento ataque com uma faca à saída de um turno, na sexta-feira.

Desde junho, mais de 800 manifestantes foram detidos, numa escalada de violência associada também a um impasse político, com a chefe do Governo a admitir chamar a si poderes reforçados face à situação de emergência que se vive no território e com a China a estacionar tropas na cidade vizinha de Hong Kong, Schenzen.