A versão portuguesa de Leopardo Negro, Lobo Vermelho, o mais recente livro de Marlon James, vai ser editada em novembro pela Relógio d’Água. A editora foi responsável por publicar em Portugal o romance que valeu ao jamaicano o Man Booker Prize em 2015, Breve História de Sete Assassinatos.

Leopardo Negro, Lobo Vermelho chegou às livrarias norte-americanas em fevereiro. É o primeiro de uma trilogia inspirada na mitologia africana que irá contar a mesma história de diferentes perspetivas. O enredo, aparentemente simples mas infinitamente complexo de acordo com os críticos, gira em torno do desaparecimento de um rapaz cujo nome nunca é referido e cuja morte é logo anunciada, destruindo à partida todo o sentido da história.

As personagens incluem bruxas, homens capazes de mudar de forma e até gigantes, o que faz com que o livro caia facilmente na categoria de fantasia. Contudo, Leopardo Negro, Lobo Vermelho não é bem um livro de fantasia e, quem o leu, tem dificuldade em explicar exatamente o que é.

Segundo escreveu na altura o The New York Times, o quarto livro de Marlon James parece ter qualquer coisa de Gabriel García Márquez, de Stan Lee e de Hieronymus Bosch. Há, contudo, quem tenha insistido na comparação com A Guerra dos Tronos, que James referiu numa entrevista em jeito de piada (o escritor disse que o seu novo romance era uma espécie de Guerra dos Tronos africana).

Vencedora do Booker International publicada em dezembro

Marlon James não é o único vencedor de um Booker a integrar o catálogo da Relógio d’Água nos últimos meses do ano. Em dezembro, a editora vai publicar Corpos Celestiais, o romance que venceu o Man Booker Prize Internacional em 2019. A obra de Jokha Alharti foi a primeira em árabe a vencer o prémio de tradução e Alharthi a primeira escritora originária do Sultanato de Omã a ser traduzida para inglês.

O romance conta a história de três irmãs que vivem na aldeia omanense de al-Awafi — Mayya, que se casa com um pretendente oriundo de uma família rica depois de um desgosto de amor; Asma, que casa por dever; e Khawla, que espera por um homem que emigrou para o Canadá.