Os receios já existiam desde a ponta final do último mandato de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos da América, mas terá sido um encontro de Donald Trump com o ministro dos Negócios Estrangeiros russos, Sergey Lavrov, e com o então embaixador russo para os EUA, Sergey Kislyak, em maio de 2017, a precipitar em definitivo a decisão. Com receio de que o presidente dos Estados Unidos da América colocasse ainda mais em risco um espião de topo norte-americano que tinha um acesso sem igual ao interior do governo russo, os serviços secretos do país terão mandado retirá-lo.

A revelação é feita pela CNN, que conta a história evitando “vários detalhes” para “evitar ao máximo que a pessoa seja identificada”, com eventual prejuízo para a sua segurança. De acordo com a estação norte-americana, que garante ter ouvido sob anonimato “vários responsáveis da administração de Trump com conhecimento direto do caso”, os EUA teriam mesmo uma fonte infiltrada no Kremlin, que foi “recuperada” dois meses depois daquele encontro de Trump com Lavrov, em maio, no qual terá sido revelada informação delicada, embora não diretamente relacionada com o “infiltrado” de Washington em Moscovo.

Uma outra fonte “diretamente envolvida” no processo de resgate deste valioso “ativo” norte-americano garante mesmo que a preocupação com a hipótese de “o Presidente Trump e a sua administração poderem gerir mal informação confidencial e poderem contribuir para expor a fonte infiltrada como espião” influenciou a difícil decisão de perder uma fonte única do executivo russo. O risco de exposição foi considerado demasiado alto.

A história é negada quer pela Secretaria de Estado de Mike Pompeo — que através de um porta-voz recusou comentar — quer pela secretária de imprensa da Casa Branca, Stephanie Grisham, que foi mais ríspida: “O relato da CNN não é apenas incorreto, tem potencial para colocar vidas em perigo”. No entanto, a CNN garante que os receios quanto ao tratamento de informação confidencial por parte de Trump foram expressos por “cinco fontes que trabalharam na administração Trump, em agências de serviços secretos e no Congresso” norte-americano.

A estação que Donald Trump já considerou parcial e já criticou por diversas vezes refere ainda que muito poucas pessoas estavam a par da existência deste infiltrado norte-americano em Moscovo, mesmo dentro “do governo norte-americano e de agências de serviços secretos”. Agora, os EUA terão ficado “sem uma das suas fontes chaves com conhecimento [em tempo real] do funcionamento interior do Kremlin e dos planos e pensamento do presidente russo”, isto numa altura “em que as tensões entre as duas nações têm crescido”.