Até ao fim da noite desta segunda-feira, o parlamento britânico vai iniciar um período de suspensão que só termina a 14 de outubro. Downing Street, a residência oficial do primeiro-ministro inglês, confirmou a notícia no mesmo dia em que Boris Johnson foi até à Irlanda para reunir com o homólogo Leo Varadkar. Entretanto, John Bercow, Presidente da Câmara dos Comuns, anunciou a sua demissão do cargo de speaker do parlamento.

“Ordem!” Dez anos depois, John Bercow vai deixar de ser o “speaker” do Parlamento britânico

Ainda durante a manhã, o primeiro-ministro irlandês disse a Boris Johnson que uma simples saída da Europa simplesmente “não existe” e que a história do Brexit “não vai acabar” depois do 31 de outubro — o prazo para deixar a União Europeia que Johnson não quer deixa cair.

LeoVaradkar fala num regresso à estaca zero e diz que um no deal vai trazer problemas tanto para os cidadãos britânicos como para os irlandeses. “Vamos ter de regressar à mesa de negociações. Quando o fizermos, os primeiros e únicos pontos na agenda vão ser os direitos dos cidadãos, a estabilidade financeira e a fronteira da Irlanda. Tudo problemas que ficaram resolvidos no acordo de saída que fizemos com Theresa May, um acordo feito em boa fé por 28 governadores”, apontou o líder irlandês.

Para o primeiro-ministro inglês, a decisão está tomada: “Tal como o senhor, eu analisei cuidadosamente a saída sem acordo e avaliei as suas consequências”, respondeu a Varadkar. “Um Brexit sem acordo seria uma falha de Estado”, acrescentou Boris Johnson.

Durante a conferência de imprensa no final da reunião, o primeiro-ministro britânico foi questionado sobre o backstop — a solução que pretende evitar uma fronteira física com a vizinha República da Irlanda e a Irlanda do Norte (que faz parte do Reino Unido) e que Johnson quer eliminar. “Vamos produzir ideias com os nossos amigos e parceiros para levar isto avante”, declarou.

Quanto à suspensão de cinco semanas do parlamento, na agenda parlamentar desta segunda-feira ainda haverá debates sobre legislação para a Irlanda do Norte e uma proposta de eleições antecipadas feita pelo governo, mas que a oposição já disse que pretende inviabilizar. A suspensão significa ainda que, até 14 de outubro, não vai haver votos para eleições gerais.

O governo britânico obteve autorização da rainha Isabel II com o objetivo de “apresentar uma nova agenda legislativa nacional ousada e ambiciosa para a renovação do país após o Brexit” a 14 de outubro, invocou o primeiro-ministro. Duas ações judiciais para bloquear a suspensão foram rejeitadas nas últimas semanas em tribunais de Edimburgo e Londres, sendo esperado que os recursos sejam analisados a 17 de setembro pelo Tribunal Supremo, a última instância judicial britânica. Um terceiro caso está em curso num tribunal de Belfast, tendo uma audiência sido agendada para 16 de setembro.

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