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Moçambique: Terceiro banqueiro do Credit Suisse dá-se como culpado

O antigo diretor no Credit Suisse Global Financing Group Surjan Singh deu-se como culpado de conspirar para "lavar dinheiro" no caso das dívidas ocultas de Moçambique.

Em consequência, aumentou o rácio da dívida pública sobre o PIB, o que arredou o país do financiamento internacional, atirando Moçambique para 'default' e para uma crise económica e financeira que ainda persiste

ENNIO LEANZA/EPA

O antigo diretor no Credit Suisse Global Financing Group Surjan Singh deu-se como culpado de conspirar para “lavar dinheiro” no caso das dívidas ocultas de Moçambique, segundo um documento do tribunal a que a Lusa teve acesso.

De acordo com o documento sobre a ‘Causa Criminal para Declaração’, Surjan Singh está livre sob fiança e deu-se como culpado na quarta acusação, de conspiração para cometer o crime de lavagem de dinheiro, na sexta-feira da semana passada.

Singh junta-se assim aos seus dois antigos colegas do Credit Suisse que também já se deram como culpados na participação num esquema para defraudar o Estado de Moçambique em cerca de 200 milhões de dólares, cerca de 180 milhões de euros, de um negócio de mais de 2,2 mil milhões de dólares [2 mil milhões de euros] que causou uma crise financeira e económica do país e fez com que o apoio dos doadores fosse suspenso.

A antiga banqueira do Credit Suisse Detelina Subeva deu-se como culpada da acusação de conspiração para lavagem de dinheiro em maio: “Concordei, juntamente com outros, em ajudar a lavar as receitas de atividades criminais, nomeadamente subornos ilegais pagos por uma empresa chamada Privinvest e pelo seu representante, Jean Boustani”, admitiu.

Os pagamentos ilícitos, que Subeva diz terem sido feitos em 2013, estavam ligados a um empréstimo do Credit Suisse a uma empresa pública moçambicana, acrescentou a antiga vice-presidente da unidade de financiamento global do Credit Suisse.

Subeva explicou então ao juiz que o seu chefe, Andrew Pearse, lhe disse que ia transferir 200 mil dólares (179 mil euros) para uma conta que ela tinha recentemente aberto, e que vinham de subornos pagos por Boustani e a Privinvest a Pearse, no valor de um milhão de dólares (896 mil euros).

Eu concordei em aceitar e ficar com estes dinheiros sabendo que eram provenientes de atividades ilegais”, confessou a antiga banqueira, que viu o Ministério Público norte-americano desistir de três outras acusações de conspiração, não sendo ainda claro se também foi feito um acordo sobre a pena, que pode ir de ficar em liberdade até 20 anos de cadeia.

Em julho, o banqueiro neozelandês Andrew Pearse também se deu como culpado dos crimes de que é acusado, mas não ficou claro se o ex-banqueiro está ou não a cooperar com as autoridades norte-americanas, já que a sua confissão e outros relatos sobre o esquema estão sob sigilo.

Na investigação, a Justiça norte-americana acusa membros do anterior governo de Moçambique, a Privinvest e três ex-banqueiros do Credit Suisse de terem criado um falso projeto de defesa marítima para receberem mais de 200 milhões de dólares em subornos para si próprios em acordos assinados em 2013 e 2014.

A descoberta de empréstimos contraídos com aval do Estado mas sem registo nas contas públicas e sem divulgação aos parceiros internacionais levou os doadores a cortarem a assistência internacionais e as agências de rating a descerem a opinião sobre o crédito soberano.

Em consequência, aumentou o rácio da dívida pública sobre o PIB, o que arredou o país do financiamento internacional, atirando Moçambique para ‘default’ e para uma crise económica e financeira que ainda persiste.

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