Precisão, capacidade de abrir distâncias, oportunismo. Estas são algumas das características do falcão, estas são também algumas das características de Miguel Oliveira, o Falcão como também é conhecido no Moto GP – pelo próprio nome que tem no Cartão do Cidadão e pela forma como encara qualquer treino livre, qualificação ou corrida. E foi assim, com essa perseverança, que atingiu o melhor resultado de sempre na categoria máxima, terminando na Áustria no oitavo lugar para gáudio da equipa da Tech 3 KTM. Depois, tudo mudou: na Grã-Bretanha, uma manobra despropositada do companheiro Johann Zarco acabou por atirar o português para fora de pista, quebrando uma série de 35 provas consecutivas sempre a chegar ao fim.

Quando estamos a sete provas do final do Mundial, Miguel Oliveira chegava ao Grande Prémio de São Marino como um Falcão ferido. Por um lado, pelo problema nos tendões do ombro direito que colocaram a sua presença na prova em risco ao longo da semana; por outro, por estar num traçado onde não tinha feito os testes que desejava. Assim, o 19.º lugar na qualificação acabou por tornar-se quase inevitável, até pelas dificuldades de tração que foi sentindo na traseira.

“Fizemos algumas alterações na mota que não funcionaram a 100%. De qualquer forma, não depositava grandes esperanças num bom resultado este fim de semana, pelo que espero apenas fazer um bom arranque e, se possível, terminar dentro dos lugares pontuáveis”, atirou antes da prova. Tentou, arriscou e conseguiu: logo na saída, o português foi o piloto que mais posições conseguiu subir, passando para a 16.ª posição antes de, cinco voltas depois, alcançar o 15.º lugar que o colocava dentro do objetivo de terminar a corrida em São Marino nos lugares que são pontuáveis.

Lá na frente, a Yamaha de Maverick Viñales confirmou as boas indicações ao longo da semana e a pole position, conseguindo aguentar o primeiro lugar na saída com Fabio Quartararo a subir à segunda posição e Marc Márquez a encontrar o espaço para poder lutar pela vitória final. No entanto, seria sol de pouca dura: na zona rápida da pista, o espanhol foi ultrapassado pelo francês e pelo pentacampeão mundial, que gizaram a partir daí a luta pelo triunfo em São Marino perante a incapacidade de Viñales em voltar a colar na dupla. Já Pol Espargaró, que conseguiu pela primeira vez dar um lugar à KTM na primeira fila da grelha, foi descendo posições na geral, chegando a 18 voltas do final já no sexto lugar atrás de Morbidelli e Rossi.

Lá atrás, Miguel Oliveira tinha todas as condições para terminara na zona dos pontos e subir ainda mais algumas posições mas uma queda acabou por condicionar o resto da corrida do português, que se viu obrigado a passar pelas boxes e desceu um total de cinco posições na geral, naquele que era o pior resultado da temporada, mas que foi melhorando até ao 16.º posto depois de uma queda de Álex Rins (terceiro do Mundial à entrada para esta prova) a 12 voltas do final e de outros contratempos que foram surgindo entre pilotos que ocupavam posições a meio da classificação. Na frente, mais do mesmo: apesar de ter andado sempre na roda de Fabio Quartararo, Marc Márquez conseguiu ultrapassar o francês e somou mais uma vitória que reforçou ainda mais a liderança do Mundial até pelo sexto lugar obtido pelo principal rival, o italiano Andrea Dovizioso.