Morreu Zine El-Abidine Ben Ali, o ex-governante da Tunísia que fugiu para a Arábia Saudita após ser destituído em 2011. Apesar  de no inicio o advogado do político não confirmar a notícia à Reuters, o mesmo representante acabou por confirmar o óbito mais tarde.

O ex-presidente foi um dos primeiros a ser deposto no decorrer da chamada “Primavera Árabe”.

A 15 de maio de 2019 o mesmo Ben Ali veio desmentir, através de uma carta, os rumores de que estaria prestes a morrer e com o funeral já a ser preparado em Tunis.

Nessa altura o texto foi partilhado pelas redes sociais, através do mesmo advogado do ex-ditador, que acusou adversários políticos de o usarem como instrumento político, prometendo voltar ao território tunisino em algum momento da vida.

“Se evitei fazer qualquer declaração desde que fui obrigado a deixar o meu país, é porque isso iria gerar mais confusão na Tunísia. É impossível eu deixar que usem meu nome com objetivos políticos”, afirmou Ben Ali na carta.

“Tive a sorte de assumir a responsabilidade nacional de dirigir a Tunísia e estarei diante de Deus e diante da História para ser julgado, sobre o que fiz e o que não fiz. Não fizemos demagogia, como fizeram aqueles que nos sucederam. Não tentamos usar o passado para justificar nossa legitimidade”, garantiu.

Ben Ali estava no poder há 23 anos quando em janeiro de 2011 os seus compatriotas insurgiram-se contra a sua governação opressiva, criando desta forma a revolução que que inspirou a chamada Primavera Árabe, que mais tarde “contagiou” outros países do norte de África e arredores.

Nas eleições do passado sábado, o candidato Abir Moussi, apoiante de Ben Ali, conseguiu reunir apenas 4% dos votos.