“Ad Astra”

Só aparentemente é que “Ad Astra”, o novo filme de James Gray, é uma aventura de ficção científica passada nos confins do sistema solar, num futuro próximo. Esta não passa da moldura onde o realizador de “Nós Controlamos a Noite” e “Duplo Amor” encaixa uma história que contempla um dos seus temas favoritos, a relação instável entre um filho e o seu pai. O filho aqui é Brad Pitt, um astronauta ao qual é dada a missão de ir em busca da nave do pai (Tommy Lee Jones), também ele astronauta, distintíssimo e condecorado, desaparecida há 30 anos, e que agora, detetada perto de Neptuno, parece ser a responsável pelos mortíferos picos de eletricidade que estão a afetar o nosso planeta. As paisagens cósmicas de “Ad Astra” são magníficas e há uma sequência de ação empolgante na Lua. O resto, são banalidades solenes e pingonas de um dramalhão convencional entre um pai e um filho com uma relação mal resolvida. Pitt interpreta a sua personagem com o ar de quem sofre de prisão de ventre crónica.

“Downton Abbey”

Era inevitável que uma série com o sucesso mundial de “Downton Abbey” não viesse a ter uma versão para cinema. E apesar de muita fotografia aérea e de uma câmara que não para de “sprintar” pelo interior da casa senhorial da família Crawley, este nova incarnação de “Downton Abbey” não consegue disfarçar que não passa de um episódio especial da série transferido para o grande ecrã. Praticamente todas as personagens respondem à chamada e quase todas se comportam exatamente como se espera delas, numa história centrada na visita do rei e da rainha de Inglaterra a Downton Abbey, que causa uma enorme comoção entre proprietários e serviçais, assim como em toda a região. Como sempre, a velha e espirituosa condessa personificada por Maggie Smith tem as melhores tiradas, e o final da fita parece deixar claro que esta saga arrasadoramente british criada por Julian Fellowes vai  mesmo ficar por aqui.

“A Herdade”

Abrangendo os anos do marcelismo, o 25 de Abril e o PREC, e culminando na década de 90, o novo filme de Tiago Guedes tem como personagens principais um casal de grandes proprietários ribatejanos, João Fernandes (Albano Jerónimo) e a sua mulher, Leonor (Sandra Faleiro). João Fernandes é quem transporta consigo o enredo e a mochila trágica de “A Herdade”. Com ele, é quero, posso e mando. É o rei da região, até tem um pequeno castelo numa ilhazinha no rio. Ele cuida com a toda a atenção do seu pequeno império, das suas terras, dos seus rendeiros e empregados, e estes respondem com dedicação e lealdade. Só se sente bem na sua herdade, com os seus cavalos, e a seduzir todas as mulheres que lhe passem à frente. A sua ideologia é a sua propriedade, a sua política tudo aquilo que a proteja e beneficie. “A Herdade” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.