No passado apelidada de “gigante americano”, no presente a Ford atravessa um período conturbado, reflexo de uma estratégia que correu mal e a que a marca procura dar resposta com o fim da produção de diferentes modelos e a extinção de milhares de postos de trabalho. Atrasado na corrida aos eléctricos, que serão fundamentais para ajudar a colocar a média de emissões dentro da fasquia imposta pelo legislador (95g/km em 2020), o construtor norte-americano encontrou na base da Volkswagen a resposta mais rápida para garantir que teria um modelo eléctrico de produção em larga escala. Ambos os fabricantes conseguem, assim, poupanças significativas em termos unitários, no que será uma vantagem sobretudo para a Volkswagen, que mais depressa amortizará o investimento de 7 mil milhões de dólares na plataforma modular MEB, específica para a veículos eléctricos e que será estreada pelo ID.3.

Mas ainda não é conhecido o primeiro BEV resultante esta aliança – correm rumores de que será um SUV, face às estimativas de serem produzidas 600 mil unidades em seis anos – e eis que o Handelsblatt avança que Ford e Volkswagen voltaram a sentar-se à mesa das negociações. Depois da parceria firmada para os veículos comerciais, depois do acordo para o primeiro Ford eléctrico com arquitectura e mecânica germânica, agora o CEO da oval azul na Europa, Stuart Rowley, encetou conversações com vista a um segundo modelo assente na MEB. A informação foi confirmada pelo “patrão” da Volkswagen, Herbert Diess.

Recorde-se que a Ford está a trabalhar num crossover a bateria que procura capitalizar a aura à volta do Mustang, esperando-se que esse modelo sinalize o arranque da ofensiva eléctrica da marca, quando for lançado em 2020. A marca antecipa uma autonomia na ordem dos 600 km, de acordo com o World Harmonised Light Vehicle Test Procedure (WLTP), e a capacidade de carregamento rápido.

Quanto aos modelos puramente eléctricos que recorram à MEB, à partida, serão produzidos na Alemanha, nas fábricas que a Ford aí possui, a partir de 2023. Em 2022, o fabricante norte-americano estima que mais de metade das suas vendas digam respeito a veículos electrificados.