O caso de Tancos fez cair um ministro da Defesa, um diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM) e vários responsáveis pela investigação criminal da Guarda Nacional Republicana (GNR) mas o escrutínio criminal do Ministério Público (MP) não vai atingir nem a Presidência da República nem o gabinete do primeiro-ministro. A acusação do MP está pronta mas só deverá ser notificada esta quinta-feira às defesas dos 25 arguidos do caso de Tancos.

Ao que o Observador apurou, a investigação da Polícia Judiciária (PJ) não recolheu qualquer indício que aponte para um conhecimento quer de Marcelo Rebelo de Sousa, quer de António Costa sobre as manobras ilegais da PJM para negociar com os assaltantes aos paióis de Tancos a entrega das armas.

O ex-ministro Azeredo Lopes, o coronel Luís Veira e o major Vasco Brazão (líder da investigação da PJM) vão ser acusados pelo Ministério Público. Azeredo Lopes foi constituído arguido pelos crimes de denegação de justiça, prevaricação e abuso de poder e em regime de co-autoria com o coronel Luís Vieira (ex-diretor da PJM) e o major Vasco Brazão (investigador da PJM). Já estes dois militares também foram constituídos arguidos pelos crimes de associação criminosa, tráfico de armas, falsificação de documentos e favorecimento pessoal praticado por funcionário.