O maior país europeu, simultaneamente o maior mercado para veículos eléctricos a breve trecho, continua a ser dos mais poluentes. Os seus veículos eléctricos continuam a ser dos menos amigos do ambiente, uma vez que são alimentados por energia eléctrica em que apenas cerca de 40% é produzida por fontes renováveis, sendo simultaneamente o país europeu que mais carvão queima para gerar electricidade e o 6.º no mundo.

A necessidade de alimentar a sua indústria com energia barata, para a tornar mais competitiva, tem levado a Alemanha a olhar para o lado em relação às metas destinadas a proteger o ambiente. O Governo anunciou que não irá cumprir as metas previstas para 2020, com Merkel a tentar compensar (distrair?) com o anúncio de uma série de medidas que visam promover a utilização de carros eléctricos, subsidiando os preços, reforçando a rede de postos de carga e a aposta na energia renovável.

Os alemães têm 84 centrais eléctricas alimentadas a carvão, a forma mais barata de gerar electricidade, mas também a mais poluente. O carvão cobre 40% das necessidades no que respeita à electricidade, uma percentagem enorme e uma das maiores na Europa, mas muito menos do que há uns anos, em que era dominante. O encerramento destas 84 centrais, agora agendado para os próximos 19 anos, já foi tentado antes, mas “encalhou” sempre nos interesses dos produtores de electricidade e nos sindicatos que representam os seus empregados, uma vez que há 20.000 que dependem directamente das centrais a carvão e 40.000 indirectamente associados a elas. Um dos exemplos mais recentes do contínuo investimento em carvão é o facto da alemã RWE, dona de várias centrais a carvão e respectivas minas, ter um plano para abater no mínimo um quilómetro quadrado de árvores para criar mais uma mina na floresta de Hambach, cuja decisão deverá ser tomada em 2020. Uma decisão que surge em oposição ao que os alemães exigem do Brasil, a quem pede que respeitem a Amazónia e evitem a desflorestação.

São estas centrais que justificam que a Alemanha, depois de prometer reduzir em 40% as emissões de 1990, em 2020, admita que conseguirá cortar apenas 32%. Também não ajudou à redução das emissões de CO2 o facto de os alemães terem começado a abandonar a energia nuclear a partir de 2012, após o acidente de Fukushima, no ano anterior. O encerramento das primeiras oito centrais nucleares – das 19 que a Alemanha possuía – fez elevar em 25 milhões de toneladas o CO2 emitido, com a situação a ter piorado com o fecho de mais quatro. As últimas deverão ser abandonadas em 2022, elevando ainda mais as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera.

A compensação vai tardar a chegar, uma vez que o Governo prevê que a energia renovável só atingirá entre 65% e 80% em 2040. E, sem fontes renováveis, grande parte das vantagens ambientais prometidas pelos veículos eléctricos diluem-se, devido à queima do carvão para gerar a electricidade com que alimentam as baterias.