Nos últimos dois anos, Pizzi tornou-se praticamente consensual para o universo encarnado. Tornou-se o timoneiro de uma equipa, o comandante do Benfica, o líder de um conjunto que tinha em Bruno Lage a voz de ordem no exterior mas no número 21 a orientação dentro do relvado. Foi considerado o melhor jogador da equipa na caminhada até ao título nacional, foi a par de Bruno Fernandes o melhor jogador da Primeira Liga e foi convocado para a Seleção Nacional enquanto um dos jogadores portugueses que maior destaque tiveram em toda a época. No início desta temporada, em que o Benfica está na Liga dos Campeões, está novamente na luta pela Liga e está em todas as competições internas, adivinhava-se o mesmo Pizzi. Mas parece, cada vez mais, que o médio só aparece em determinados momentos.

Nos jogos da Primeira Liga, Pizzi continua a ser praticamente preponderante para o Benfica. Já leva oito golos em dez jogos, assiste, organiza e desequilibra e é o expoente maior do futebol de entretenimento de Lage. Na Europa, porém, Pizzi parece estar sempre algo abaixo daquilo que mostra em Portugal — foi assim há duas semanas, com o RB Leipzig, e foi assim esta quarta-feira, com o Zenit. A noite na Rússia, contudo, parece ser o culminar de uma fase menos boa do médio, que foi substituído nos últimos quatro jogos (RB Leipzig, Moreirense, V. Setúbal, Zenit). Até sair na Rússia, aos 60 minutos, Pizzi já tinha sido driblado cinco vezes e somava minutos pouco conseguidos, sem um lance memorável uma ocasião de golo.

A noite do Benfica, para lá de Pizzi, foi um acumular de números negativos. Os encarnados somaram a segunda derrota em dois jogos pela quarta vez na história (foram eliminados nas outras três), chegaram ao sétimo desaire nas últimas oito partidas fora para a Liga dos Campeões e Bruno Lage vai colecionando um registo pouco memorável na Europa, com três vitórias, quatro derrotas e um empate em oito encontros. O treinador português juntou-se ainda a uma lista que inclui Camacho, Jesus e Vitória e que aglomera os técnicos que perderam os dois primeiros jogos na Champions ao comando do Benfica.

Na flash interview, Bruno Lage garantiu que a equipa tinha um “plano bem vincado”. “Foram erros individuais e coletivos e acima de tudo do treinador, eu é que escolhi o onze e a estratégia, assumo o que se passou em campo. Tínhamos o plano bem vincado, estávamos preparados para jogar no 4x4x2. A nossa estratégia era sair por fora. Há uma bola que vai dentro e dá uma oferta daquelas… Mas nunca individualizo. Quando os jogadores não fazem o que preparamos aqui estou eu para assumir a responsabilidade. Depois o autogolo e a forma como sofremos o terceiro deitou por terra as nossas aspirações”, disse o treinador, que confirmou ainda que o futuro do Benfica na Liga dos Campeões é difícil “fruto do que tem acontecido”. “Há algumas lesões que nos condicionaram e o regresso à competição tem sido aos poucos mas perspetivávamos uma campanha diferente. Temos de nos aproximar rapidamente do que desejamos, que é o melhor Benfica da última época, que se manifeste nestas provas”, concluiu o técnico.