O antigo ministro social-democrata Miguel Relvas defende, em entrevista à TSF, que “é fundamental que venha um novo líder e uma nova equipa” para o PSD, depois dos resultados do partido nas eleições legislativas deste domingo. À Rádio Observador, o ex-ministro diz que “o resultado do PSD é claramente negativo, uma das maiores derrotas” do PSD.

Tão “rapidamente” quanto possível, diz Relvas, devem surgir “novos protagonistas, com novas ideias” para disputar a liderança de Rui Rio. Relvas sugere que haja eleições internas antes de janeiro, ou seja, defendendo que esse momento seja antecipado. O PSD fez uma oposição “muito pouco atrativa” e o partido não se soube “afirmar como alternativa”.

Na nossa tradição no PSD não há serviços mínimos. Houve líderes que ganharam e líderes que perderam — e os que perderam têm sabido tirar as ilações”.

O ex-ministro deixa uma pergunta retórica: “Quem não foi capaz de apresentar um projeto atrativo, afirmativo, de liderança do centro-direita, será capaz de o fazer daqui a quatro anos?”. “Claramente que não”, acaba por dizer.

Miguel Relvas não é o primeiro rosto do PSD a criticar Rui Rio pelo resultados obtidos. Já Luís Menezes, filho do antigo líder Luís Filipe Menezes lembrou que “quebrou o ciclo de vitórias nas legislativas que o PSD” vinha tendo desde 2011. Foi “o pior resultado da nossa história, dos últimos 40 anos, pior ainda em número de votos do resultado que Mota Pinto teve em 1983”, afirmou Luís Menezes.

Com 27,9% dos votos e 77 deputados atribuídos (falta contar os números da emigração), Rio disse na noite de domingo que não há tabu sobre se se mantém na liderança do partido ou não, mas vai manter o partido em suspense — até querer. É tempo de “ponderar”, “ouvir pessoas” e analisar “a envolvente política” com seriedade, disse, numa intervenção em que criticou a contestação interna (além das empresas de sondagens e “alguma” comunicação social). Rio indicou que não vai deitar já a toalha ao chão: vai assumir o lugar de deputado e aponta já para as autárquicas de 2021.

Votos contados. E agora? Manual de instruções para entender o que aí vem