“Para o PS a “geringonça” não morreu. Existe total disponibilidade para continuarmos a trabalhar nos termos em que trabalhámos nos últimos quatro anos, em prol do desenvolvimento do país com medidas e resultados que foram tão valorizados nas eleições legislativas do último domingo”. Foi desta forma que o PS, através do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, reagiu às declarações de Catarina Martins esta sexta-feira, acusando os socialistas de pôr um fim à “geringonça”, numa conferência de imprensa que aconteceu esta tarde na sede do PS.

Sobre a proposta concreta do Bloco de Esquerda, que sugeriu ao PS um acordo escrito para quatro anos, Duarte Cordeiro refere que os bloquistas apresentaram um conjunto de matérias com especial destaque e incidência nas matérias de legislação de trabalho sem as quais não haveria condições para negociação de um entendimento escrito”. E acrescentou: “ontem, o secretário-geral do PS contactou a líder do BE, Catarina Martins, para a informar de que o PS não partilhava das prioridades do BE nesse documento e que, dessa forma, o PS pretendia prosseguir a outra forma de entendimento colocada em cima da mesa, em tudo idêntica à dos últimos quatro anos, ou seja: trabalho prévio para a discussão dos Orçamentos do Estado assim como de outra legislação estruturante”.

As explicações batem certo com as que foram prestadas por Catarina Martins esta tarde na sede do BE. Mas o PS faz uma leitura diferente dos mesmos factos, já que considera que o segundo modelo de negociação, caso a caso, não diverge daquele que foi seguido ao longo da última legislatura. Assim, concluem os socialistas, não se pode falar da morte da “geringonça”.

O sucessor de Pedro Nuno Santos explicou ainda que “para o PS a prioridade para esta legislatura é claramente um acordo sobre a política de rendimentos e salários” e lembrou que há quatro anos as posições conjuntas “incidiam sobre pontos de convergência”, algo que desta feita não aconteceu, já que em matéria de legislação laboral — que foi a que o BE colocou em cima da mesa das negociações — os dois partidos “têm pontos de conhecida divergência”. E reforçou a mensagem inicial: “para o PS a geringonça não só não morreu como existe total disponibilidade para trabalhar com os vários partidos nos termos em que temos vindo a trabalhar e que tão bons resultados deram a Portugal”.

Duarte Cordeiro sublinhou que os dois partidos vão continuar a falar e revelou que já há uma reunião agendada entre o PS e o BE para a próxima terça-feira, no âmbito da preparação do Orçamento do Estado. O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares lembrou que, no périplo que o PS fez na quarta-feira pelas sedes dos cinco partidos com quem admite entendimentos prévios, ficou claro que BE, PCP, PAN, PEV e Livre querem “contribuir para a estabilidade” da legislatura.

Esta tarde, na primeira reação do Bloco de Esquerda à decisão do PS de não aceitar assinar um acordo de quatro anos com os bloquistas, a coordenadora do BE culpou os socialistas por terem colocado um “ponto final à existência do modelo de acordo político que ficou conhecido como geringonça“. Acrescentando que “lamenta a decisão do PS”, Catarina Martins assegurou que o seu partido vai estar disponível para uma segunda via de diálogo, mais circunstancial, que passe por ir negociando “caso a caso” ou “orçamento ou orçamento”.

Na quinta-feira, depois de uma reunião da sua Comissão Política, o PS fez saber que iria negociar por igual com todos os partidos com quem tinha estado reunido um dia antes — BE, PCP, PAN, PEV e Livre — e sem recurso a acordos escritos.

No documento entregue aos jornalistas na noite de quinta-feira, os socialistas anunciavam que a sua preferência era negociar previamente as propostas de orçamento do Estado e outras “relevantes para a estabilidade governativa”, caso a caso, e sem haver acordos para uma legislatura — algo que o Bloco de Esquerda tinha sugerido ao PS na reunião de quarta-feira entre os dois partidos na sede bloquista.