A antiga líder da JS, Jamila Madeira, entra para secretária de Estado adjunta da Saúde. Patrícia Gaspar, segunda comandante nacional da Proteção Civil, fica com a secretaria de Estado da Administração Interna.

Nuno Artur Silva, antigo administrador da RTP e fundador das Produções Fictícias, tinha um espetáculo de humor marcado para os primeiros dias de novembro, mas foi escolhido para a recém-criada secretaria de Estado do Cinema, Audiovisual e Média e cancelou a presença no evento de stand-up. Há também outra novidade, a pasta dos Recursos Humanos e dos Antigos Combatentes, que fica sob a alçada do ministro da Defesa.

João Galamba que era até aqui secretário de Estado da Energia, mantém a pasta e ainda é promovido a secretário de Estado adjunto do ministro João Matos Fernandes.

Nas Finanças, a equipa mantém-se exatamente a mesma. Na Educação, a antiga presidente da câmara municipal de Odivelas, Susana Amador, passa a secretária de Estado da Educação.

No total, são 50 secretários de Estado no XXII governo de António Costa — no anterior governo eram apenas 44. Para além dos três que foram conhecidos com a lista de ministros (Duarte Cordeiro nos Assuntos Parlamentares, Tiago Antunes como adjunto do primeiro-ministro e André Caldas na presidência do Conselho de Ministros), mantêm-se 23 secretários de Estado, entram 23 novos membros e 4 mudam de pasta:

As estreias

Catarina Sarmento Castro. A filha de Osvaldo Castro que era juíza do Constitucional

Tem 49 anos e fez toda a sua formação na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (licenciatura, mestrado e doutoramento), onde dá aulas desde 1994. É filha de Osvaldo Castro — histórico do PCP, ex-deputado também do PS e resistente na luta contra o Estado Novo com papel relevante na ‘crise de 69’, que morreu em 2013. Em 2010, foi eleita juíza do Tribunal Constitucional por indicação do PS. Falhou a eleição para juíza à primeira na Assembleia da República, mas acabou eleita numa segunda votação. Foi membro do  membro do Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República e vogal da Comissão Nacional de Proteção de Dados.

Catarina Castro já tinha estado nos gabinetes do primeiro governo de António Guterres como assessora do então ministro da Administração Interna, Jorge Coelho. Agora será governante: secretária de Estado de Recursos Humanos e Antigos Combatentes. Uma secretaria de Estado nova num ministério também novo.

Antero Luís, o ex-SIS que deixa de ser juíz

O juiz desembargador Antero Luís, do Tribunal da Relação de Lisboa, vai assumir o cargo de Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna substituindo assim Isabel Oneto, que esteve com esta pasta na anterior legislatura desde que Eduardo Cabrita assumiu o Ministério da Administração Interna.

Antero Luís foi diretor-geral do Serviço de Informações de Segurança (SIS) entre 2005 e 2011 — durante o período em que José Sócrates foi primeiro-ministro. Depois, foi o secretário-Geral do Sistema de Segurança Interna durante três anos, mais concretamente até 2014, altura em que foi promovido a juiz desembargador do Tribunal da Relação de Lisboa. Aos 59 anos fica com uma Secretaria de Estado em mãos, sob tutela de Eduardo Cabrita.

Patrícia Gaspar, a voz da Proteção Civil chega ao Governo

Este era um dos poucos nomes já conhecidos do conjunto de Secretários de Estado do novo Governo de António Costa. Patrícia Gaspar, de 46 anos, vai assumir a Secretaria de Estado da Administração Interna e ficará também com o pelouro da Proteção Civil. Uma pasta que conhece bem, já que era até este momento 2ª Comandante Nacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil.

Patrícia Gaspar assumiu um papel de destaque na Proteção Civil nos últimos anos, tendo ficado por exemplo com a responsabilidade do comando do incêndio de Monchique, em agosto do ano passado. Mas a sua influência e notoriedade vêm de antes, mais especificamente desde que se tornou responsável pelos briefings da Proteção Civil em 2017. Foi aí que ganhou traquejo político e que começou a habituar-se ao palco mediático.

Antes de entrar para a Proteção Civil passou pelas Secretas e pela Marinha. Ao longo da carreira profissional, somou distinções entregues por chefes militares, por diferentes dirigentes da ANPC, assim como por secretários de Estado e por ministros.

Nuno Artur Silva, o humorista veste fato

Aos 57 anos, o ex-admistrador da RTP e fundador da Produções Fictícias chega ao Governo para uma nova pasta: a Secretária de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, sob tutela do Ministério da Cultura. Nuno Artur Silva deixou há pouco mais de um ano a administração da RTP por terem sido suscitadas dúvidas sobre um eventual conflito de interesses por ainda ser um dos proprietários da Produções Fictícias enquanto fazia parte do quadro da administração do canal público. Não foi reconduzido na altura, mas agora vai ter a tutela da comunicação social no Governo.

Com um carreira dedicada sobretudo à criação de conteúdos humorístico, Nuno Artur Silva fundou em 1993 as Produções Fictícias e em 2009 o Canal Q. Foi ainda co-autor de programas como Herman Enciclopédia, O Programa da Maria, Os Contemporâneos e Estado de Graça.

Atualmente, encontra-se a trabalhar com o ilustrador António Jorge Gonçalves num espetáculo de stand-up comedy intitulado “Onde é que eu ia?” e que tem exibição prevista para os dias 8 e 9 de novembro no Capitólio, em Lisboa. Por essa data já será Secretário de Estado empossado e por isso anunciou já na sua página do Facebook que não vai participar.

Jamila Madeira, de negociadora da lei de bases da Saúde para o Governo

O ministério da Saúde foi totalmente remodelado ao nível das secretarias de Estado, apesar de manter a ministra. Sai Francisco Ramos, mais técnico, que era secretário de Estado Adjunto e da Saúde, assim como sai Raquel Duarte — ambos tinham entrado há um ano, com a substituição de Adalberto Campos Fernandes por Marta Temido — e entra Jamila Madeira, uma escolha que é, sobretudo, política. Com 44 anos, a nova secretária de Estado foi deputada desde 1999, tendo sido vice-presidente da bancada parlamentar em três legislaturas, incluindo nesta última, sob a liderança de António Costa. No grupo parlamentar, tinha a pasta da Saúde, tendo sido uma das negociadoras do PS no duro processo da lei de bases da Saúde, negociada à esquerda.

Natural de Loulé, no Algarve, foi secretária-geral da JS entre 2000 e 2004 e eurodeputada entre 2004 e 2009. É quadro da REN desde 1997, onde desempenhou funções como diretora para a Agenda Europeia de Energia. É licenciada em Economia pelo ISEG e mestre em Finanças pelo ISCTE.

Mário Morgado, o secretário de Estado com ideias polémicas

O juiz conselheiro Mário Morgado é a nova entrada no ministério de Francisca Van Dunem. Tem 63 anos, exerceu funções como juiz desembargador nas Relações de Lisboa e de Coimbra e foi juiz conselheiro no Supremo Tribunal de Justiça. Foi inspetor judicial e vice-presidente no Conselho Superior da Magistratura, tendo ainda sido o primeiro civil a comandar a Polícia de Segurança Pública, tendo sido Diretor-Nacional da PSP entre agosto de 2002 e julho de 2004. Foi ainda Diretor-geral dos Serviços Judiciários entre 1991 e 1995.

Numa das últimas entrevistas que deu, ao DN e ainda enquanto vice-presidente do CSM, queixava-se das críticas “violentas” no espaço público a determinadas decisões judiciais, considerando mesmo que “nalguns casos, foram manifestamente ultrapassados os limites da censura pública numa democracia civilizada”.

Já em entrevista ao Observador, no final de 2018, não deixou de defender várias ideias polémicas. Desde a fusão do Tribunal Central e do TIC de Lisboa por causa de Ivo Rosa e Carlos Alexandre, ao vencimento dos juízes. Pode ler a entrevista aqui.

Susana Amador. A autarca que fez estágio para a Educação no Parlamento

Nascida em Alagoa, Portalegre, Susana Amador destacou-se na política por ser presidente da câmara municipal de Odivelas durante 10 anos (entre 2005 e 2015). Durante sete deste anos foi uma das aliadas do autarca António Costa na área metropolitana de Lisboa. Na anterior legislatura regressou ao Parlamento e foi vice-presidente da bancada, ficando com áreas como a Educação, Igualdade, Descentralização e Poder Local. É precisamente para essa tutela que Susana Amador vai, sendo a nova secretária de Estado da Educação. Vai substituir Alexandra Leitão, que ganhou estatuto de ministra, e quem a conhece do parlamento diz que Susana Amador tem o perfil exatamente oposto à da anterior secretária de Estado, que deu a cara por algumas das guerras mais mediáticas no setor (os colégios de Associação, por exemplo). É licenciada em Direito.

José Couto, o chefe de gabinete que Alexandra Leitão quer a negociar com a Função Pública

José Couto foi a escolha da nova ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública para negociar com os sindicatos da Função Pública. Trata-se de uma estreia nestas funções, mas Alexandra Leitão já conhecia bem o novo secretário de Estado da Administração Pública, que foi seu chefe de Gabinete. José Couto é advogado com pós-graduações em Direito e Prática da Contratação Pública e em Ciência da Legislação e Legística. Para além do governo de António Costa, tem ainda experiência acumulada no Governo Regional dos Açores, onde foi jurista do Gabinete técnico da Presidência. Foi Adjunto nos Gabinetes da Secretária Regional Adjunta da Presidência para os Assuntos Parlamentares, da Secretária Regional da Solidariedade Social e do Secretário Regional da Presidência.

Eduardo Pinheiro, da Câmara de Matosinhos para o ministério do Ambiente

Eduardo Pinheiro sai da Câmara de Matosinhos para integrar o executivo de Costa na pasta da Mobilidade. Era vice-presidente, primeiro com Guilherme Pinto, depois com Luísa Salgueiro. Entre um e outro assumiu temporariamente as funções de Presidente, quando Guilherme Pinto abdicou. Nesse período, foi o responsável por uma negociação difícil com o partido socialista, de preparação para as autárquicas seguintes. Pinheiro tinha sido eleito pelo independente Movimento Por Matosinhos. E, 2017 foi preciso negociar a distribuição de pelouros com a socialista Luísa Salgueiro. Na autarquia teve a seu cargo as pastas do Planeamento e Ordenamento do Território; Gestão e Fiscalização Urbanística; Reabilitação Urbana; Finanças e Património. Licenciado em sociologia, tem uma pós-graduação em Gestão de Entidades Públicas e Autárquicas, pelo ISCTE. Já foi presidente da Assembleia Geral do Metro do Porto e era vice-presidente do Conselho de Administração da Agência de Energia do Porto.

De acordo com a nota publicada no site da Presidência da República, a “nomeação e posse de todo o XXII Governo Constitucional estão previstas para esta semana, em data a determinar, depois da publicação do mapa oficial das eleições e da primeira reunião da nova legislatura da Assembleia da República”.

Berta Nunes, melhor aluna em medicina, presidente da câmara e agora secretária de Estado das Comunidades

Tem 64 anos e, no início dos anos 80, licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Porto tendo sido considerada a melhor aluna desse ano a nível nacional. Nasceu no Porto mas, segundo o Expresso, cedo trocou a cidade pelo nordeste transmontano, movida pelo interesse pelo valor terapêutico das plantas. Foi médica no centro de saúde de Alfândega da Fé tendo depois, em 1989, sido eleita presidente da Assembleia Municipal daquela autarquia. Daí para a presidência da câmara ainda passaram um anos: chegou à autarquia, candidatando-se pelo PS, em 2009, tendo sido reeleita nas duas eleições seguintes (2013 e 2017). Em agosto deste ano, contudo, suspendeu o mandato na autarquia para ser a número 2 do PS pelo distrito de Bragança. Não seria eleita, mas estava à espera de outros voos. Sabe-se agora que vai para o Palácio das Necessidades tutelar a pasta das Comunidades, inserida no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Berta Nunes chegou a ser condecorada com a comenda da ordem do mérito pelo Presidente da República Jorge Sampaio, em março de 2003, e recebeu a medalha de mérito da Ordem dos Médicos, em 2014.

Cláudia Pereira, uma académica com a pasta da Integração e das Migrações

Aos 41 anos, a nova secretária de Estado para a Integração e Migrações tem vasta experiência académica nesta área. Doutorada em antropologia (e com pós-doutoramento em sociologia), é investigadora e professora auxiliar convidada no ISCTE-IU. De acordo com a nota oficial distribuída pelo gabinete do primeiro-ministro, foi coordenadora executiva do Observatório da Emigração de 2017 a 2019. Publicou o livro Vidas Partidas. Enfermeiros Portugueses no Estrangeiro, sobre a emigração no período da crise financeira. Coordenou e dirigiu diversos projetos universitários sobre migrações e ação humanitária, incluindo em co-cordenação, um rede de excelência de investigadores e responsáveis por políticas públicas de migrações. Tem colaborado como especialista em projetos de capacitação de governos de países de fora da Europa, financiados e é avaliadora de projetos europeus sobre migrações.

André de Aragão Azevedo, o homem que o governo recrutou à Microsoft

André de Aragão Azevedo é licenciado em Direito, e durante dez anos foi advogado e assessor jurídico em Macau. Fez parte da carreira na Microsoft, onde era, aliás, Diretor Executivo de Tecnologia antes de António Costa o recrutar para a recém-criada pasta da Transição Digital. Nessas funções na Microsoft, foi responsável pela promoção da tecnologia como fator de transformação das empresas e organizações em Portugal. De acordo com a nota publicada na altura pela empresa, tinha a seu cargo “a coordenação do plano de capacitação tecnológica do ecossistema de startups e de centros de investigação com base em serviços cloud, bem como a capacitação digital dos cidadãos e profissionais ao longo do seu ciclo de vida”.

Entre uma coisa e outra, passou pelo governo de José Sócrates, onde foi chefe de gabinete do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde (entre 2008 e 2011). Antes disso foi ainda assessor parlamentar das Comissões de Assuntos Constitucionais, Negócios Estrangeiros e de Ética da Assembleia da República.

Gabriel Bastos, o técnico que assume a herança pesada

Gabriel Bastos substitui Cláudia Joaquim na Secretaria de Estado da Segurança Social. Atualmente desempenha o cargo de vice-presidente do conselho diretivo do Instituto de Segurança Social. Um função que exerce desde maio de 2016 e para a qual foi nomeado por Vieira da Silva. Gabriel Bastos é licenciado em direito e tem uma pós-graduação em Ciências jurídico-administrativas. Entre 2011 e 2012 esteve à frente da direção do departamento de identificação, qualificação e contribuições do Instituto de Segurança Social. Foi chefe de gabinete de Vieira da Silva entre 2005 e 2007, no primeiro governo de José Sócrates. Saiu nesse ano para ser Conselheiro Técnico na Delegação de Portugal junto da OCDE até 2010. Ainda na área da Segurança Social, era até agora membro suplente do Conselho Económico e Social.

Vai assumir uma pasta de peso que é deixada vaga por Cláudia Joaquim, um nome que chegou a circular como estando na lista de ministeriáveis por António Costa. Não só não se confirmou, como Cláudia Joaquim acabou por sair mesmo do governo por razões pessoais.

Antonio Sales, médico, deputado e agora governante

Tem 57 anos, nasceu em Leiria, e é médico. António Sales foi deputado do PS nesta última legislatura, tendo sido, a par de Jamila Madeira, um dos negociadores do PS para a nova lei de bases da Saúde. Era, inclusive, o coordenador do PS na comissão parlamentar da Saúde. Exerceu como médico ortopedista no Hospital de Santo André do Centro Hospitalar de Leiria, EPE até ao início da legislatura, em 2015, mantendo atividade na Clínica de S. Francisco, em Leiria, e em consultório pessoal. É licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e autor de publicações na área da medicina desportiva e do envelhecimento saudável e ativo.

Rita Marques, da Portugal Ventures para o Turismo

Rita Marques substitui Ana Mendes Godinho na secretaria de Estado do Turismo, sendo que Ana Mendes Godinho foi promovida a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. A nova secretária de Estado do Tursimo foi diretora executiva da Porto Business School e, em abril de 2018, sucedeu a Celso Guedes de Carvalho na presidência da Portugal Ventures, a sociedade de capital de risco do Estado. Com 44 anos é mestre em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, tem um MBA pela University of Southern California, além de diversos programas de alta direção para executivos em Liderança pelos Instituto de Empresa, London Business School e University of Texas at Austin. Foi ainda consultora sénior na Microsoft Corporation, nos EUA, e especialista na ANACOM (2001-2003). Na Portugal Ventures, onde estava desde 2018, partilhava o conselho de administração com Rui Ferreira e Pedro de Melo Breyner, este último responsável pelo pelouro do Turismo. A Portugal Ventures nasceu em 2012 como resultado da fusão de três sociedades: a AICEP Capital Global, InovCapital e Turismo Capital, tendo participação em centenas de empresas, muitas delas na área do turismo.

Nuno Tiago Russo, da redoma do Governo para o seio da Agricultura

Não se pode dizer que Nuno Tiago Russo desconheça as lides governativas, já que ao longo dos últimos anos foi colaborando com diversos ministérios na condição de técnico. Agora dá o salto e chega a funções executivas na área da sua formação académica — é licenciado em Engenharia Zootécnica e Mestre em Zootecnia pela Universidade de Évora.

A primeira colaboração com um governo aconteceu entre 2009 e 2010, no segundo executivo de José Sócrates, quando assessorou as secretarias de Estado do Ministério da Agricultura, então tutelado por António Serrano.

Mas não se ficou por aqui: no governo seguinte, de coligação PSD/CDS, também desempenhou as funções de técnico especialista no Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, chefiado por… Assunção Cristas.

Entre 2014 e 2017 coordenou a Bolsa Nacional de Terras, sob tutela do Ministério da Agricultura para depois assumir o posto de técnico do Instituto de Financiamento, Agricultura e Pescas, onde se manteve até este ano. Depois de andar na redoma do Ministério da Agricultura assume agora, aos 43 anos, funções executivas no seu seio.

Isabel Ferreira. A investigadora premiada que tem 600 artigos científicos e vive em Bragança

A nova secretária de Estado Valorização e Interior vem precisamente de um dos distritos que sofre mais com a desertificação do interior: Bragança. É lá que vive Isabel Ferreira, de 45, que exercia as funções de vice-presidente do Instituto Politécnico de Bragança e diretora do Centro de Investigação de Montanha. É doutorada na área da Química e licenciada em Bioquímica.

Com uma intensa atividade académica, Isabel Ferreira — como destaca a biografia cedida pelo governo aos órgãos de comunicação social — “editou 4 livros internacionais, 52 capítulos de livros e no decorrer da sua atividade de investigação já publicou mais de 600 artigos científicos e várias patentes, a maioria resultante de transferência de tecnologia para a indústria”. É, segundo a mesma biografia “editora-Chefe da Antioxidants (secção Natural and Artificial Antioxidants), Editora Associada da Food & Function e da topical collection Bioactive Compounds da revista Molecules”.

Recebeu vários prémios, o prémio Gulbenkian de Estímulo à Investigação Científica, em 2011, e foi distinguida pela medalha de mérito do município de Bragança, em 2017. Além disso, é avaliadora de projetos de investigação da União Europeia e das Fundações de Ciência da Áustria, África do Sul, Chile, Croácia, Dinamarca, França, República Checa, Polónia, Suíça, Argentina e Portugal.

Rita da Cunha Mendes. A Vice-presidente de uma autarquia independente

A nova secretária de Estado da Ação Social tem 46 anos e já ocupou vários cargos na Segurança Social: foi diretora da segurança social interina do Centro Distrital da Guarda, foi adjunta do diretor do Centro Distrital da Guarda do Instituto da Segurança Social, I.P e técnica superior do Instituto da Segurança Social, I.P. Além disso foi também autarca na câmara municipal de Aguiar da Beira, onde assumia as funções de vice-presidente da autarquia. A autarquia é liderada por um movimento independente que conseguiu retirar a autarquia das mãos da direita pela primeira vez em 2013. Em outubro, foi candidata a deputada, como suplente, pelo PS no círculo da Guarda — uma lista encabeçada pela ministra que agora a vai tutelar, Ana Mendes Godinho. Entre os cargos que já ocupou está ainda o de presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Aguiar da Beira.

Jorge Botelho, autarca algarvio vai ficar responsável pela Descentralização

É o novo secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local, no ministério recém-criado ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública. Presidente da câmara de Tavira desde 2009, cargo que também acumulava com a presidência da Comunidade Intermunicipal do Algarve, deixou o mandato em outubro, quando foi eleito deputado do PS pelo círculo eleitoral de Faro.

Inês dos Santos Costa, uma empresária no Ambiente

Tem 40 anos e licenciou-se em Engenharia do Ambiente, área onde também fez um Doutoramento. Tem trabalho publicado na área das políticas do ambiente, sustentabilidade empresarial e ecologia industrial, gestão de resíduos e eco parques. Foi investigadora convidada do Centro para a Ecologia Industrial da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

A partir de 2010, exerceu funções como consultora sénior da 3Drivers – Engenharia, Inovação e Ambiente, Lda. E é sócia dessa empresa desde há três anos. De acordo com a nota fornecida pelo Gabinete do primeiro-ministro, foi aí que desenvolveu projetos de “gestão sustentável de recursos em diversos setores, nomeadamente com entidades gestoras de fluxos específicos de resíduos, setor energético, câmaras municipais, entre outros”.

Apesar de ser uma estreia em funções governativas de facto, Inês dos Santos Costa já trabalhava no executivo de António Costa e no ministério onde agora passar a ser titular da Secretaria de Estado do Ambiente. Foi adjunta de João Pedro Matos Fernandes para a área da economia circular.

João Paulo Catarino, do Interior para as Florestas

É uma mudança de pasta. O socialista João Paulo Catarino deixa a secretaria de Estado da Valorização do Interior, que estava até aqui sediada em Castelo Branco, para ser o novo secretário de Estado das Florestas. É engenheiro agrónomo e foi presidente da Câmara de Proença-a-Nova. Em outubro do ano passado, no âmbito da remodelação governamental que criou a secretaria de Estado de Valorização do Interior, foi o escolhido para o lugar. Antes, já tinha sido coordenador adjunto da Unidade de Missão para a Valorização do Interior. Agora, vai ficar com a pasta da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, inserida no Ministério do Ambiente e da Ação Climática.

Os reciclados

Jorge Seguro Sanches. Primo de Seguro regressa para a Defesa um ano após ser ‘remodelado’

Jorge Seguro Sanches tem 54 anos e é, entre os quadros do PS, um dos maiores especialistas na área do ambiente. Primo do antigo secretário-geral, António José Seguro, foi um dos ‘seguristas’ a ser absorvido pelo anterior governo de Costa. No primeiro governo costista foi secretário de Estado da Energia, mas saiu em outubro de 2018 após Eduardo Catroga, membro do Conselho de Supervisão da EDP, ter dado conta do descontentamento dos acionistas da EDP em relação ao governo. O Bloco de Esquerda associou a saída de Seguro Sanches às pressões da EDP.

Com pós-graduações em Direito da Água e Direito da Energia, desta vez vai ocupar a pasta de secretário de Estado Adjunto da Defesa Nacional. A Defesa não é uma área completamente estranha para Seguro Sanches que em junho de 2019 se tornou Inspetor-Geral da Defesa Nacional, tendo vencido o concurso da CReSAP.

Carlos Miguel. O antigo autarca que larga as autarquias

É mais uma das mudanças de pasta: o até aqui secretário de Estado das Autarquias Locais (pasta que agora está no  ministério da Modernização Administrativa, de Alexandra Leitão) passa para secretário de Estado Adjunto e do Desenvolvimento Regional (que fica no ministro da Coesão Territorial, liderado por Ana Abrunhosa). No anterior governo, Carlos Miguel tornou-se na primeira pessoa de origem cigana a ser governante em Portugal e chegou a integrar o Grupo Consultivo para a Integração das Comunidades Ciganas (CONCIG), do Alto Comissariado para as Migrações. Natural de Torres Vedras, foi presidente da autarquia entre 2004 e 2015. Licenciado em Direito, exerceu a profissão durante 17 anos (até 2001). Chegou a tirar um curso de serralheiro, quando chegou ao liceu interessou-se pela filosofia, mas acabou por seguiu para Direito.

Maria de Fátima Fonseca, do Emprego Público para a Modernização

Era secretária de Estado da Administração e do Emprego Público, deixa a alçada de Mário Centeno e passa agora para a secretaria de Estado da Inovação e da Modernização Administrativa. É mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa. De 2011 a 2017 foi Diretora Municipal de Recursos Humanos na Câmara Municipal de Lisboa.

Foi também Diretora Municipal de Serviços Centrais na câmara de Lisboa e, antes, foi Diretora do Gabinete de Modernização Municipal da Câmara Municipal de Amadora e Diretora da Unidade de Desenvolvimento de Modelos e Inovação Organizacional do Instituto para a Inovação na Administração do Estado. Foi ainda advogada, consultora, formadora, participou no Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado. Mantém-se no Governo, mas deixa o Ministério das Finanças e passa para o novo Ministério da Modernização e Administração Pública, tutelado por Alexandra Leitão.

José Mendes, do Ambiente para o Planeamento

José Gomes Mendes não é uma cara nova no Executivo de António Costa mas vai assumir as despesas de uma nova pasta. Aliás, é a segunda vez que isso acontece desde que em 2015 assumiu funções governativas. Começou por ser Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente mas passou a tutelar a Secretaria de Estado da Mobilidade — mantendo o estatuto de adjunto do ministro João Pedro Matos Fernandes — em 2017, na remodelação de outubro, no período pós-incêndios.

Dois anos volvidos e com um novo elenco governativo volta a assumir uma nova pasta mas agora também dentro dum novo Ministério: do Ambiente passa para o Planeamento para ser o único Secretário de Estado tutelado por Nelson de Souza. Trata-se de um Ministério que António Costa considerou estrutural e “transversal a todos os outros” quando apresentou a lista de ministros ao Presidente da República na semana passada.

Leia aqui a lista completa do elenco do novo governo de António Costa:

Primeiro-ministro, António Costa

  • Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro
  • Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro, Tiago Antunes

Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira

  • Secretário de Estado Adjunto e da Economia, João Neves
  • Secretária de Estado do Turismo, Rita Marques
  • Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, João Torres
  • Secretário de Estado para a Transição Digital, André de Aragão Azevedo

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva

  • Secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias
  • Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro
  • Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Ferreira Milheiro Nunes
  • Secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Jorge Nogueira Leite Brilhante Dias

Ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva

  • Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, André Moz Caldas
  • Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro
  • Secretária de Estado para a Integração e as Migrações , Cláudia Pereira

Ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno

  • Secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix
  • Secretário de Estado do Orçamento, João Leão
  • Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes
  • Secretário de Estado do Tesouro, Álvaro Novo

Ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho

  • Secretário de Estado Adjunto da Defesa Nacional, Jorge Seguro Sanches
  • Secretária de Estado de Recursos Humanos e Antigos Combatentes, Catarina Sarmento Castro

Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita

  • Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Antero Luís
  • Secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar

Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem

  • Secretário de Estado Adjunto e da Justiça, Mário Belo Morgado
  • Secretária de Estado da Justiça, Anabela Pedroso

Ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão

  • Secretária de Estado da Inovação e da Modernização Administrativa, Maria de Fátima de Jesus Fonseca
  • Secretário de Estado da Administração Pública, José Couto
  • Secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local, Jorge Botelho

Ministro do Planeamento, Nelson Souza

  • Secretário de Estado do Planeamento, José Gomes Mendes

Ministra da Cultura, Graça Fonseca

  • Secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Carvalho Ferreira
  • Secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor

  • Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Sobrinho Teixeira

Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues

  • Secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa
  • Secretária de Estado da Educação, Susana Amador
  • Secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo

Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho

  • Secretário de Estado Adjunto, do Trabalho e da Formação Profissional, Miguel Filipe Pardal Cabrita
  • Secretário de Estado da Segurança Social, Gabriel Gameiro Rodrigues Bastos
  • Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes
  • Secretária de Estado da Ação Social, Rita da Cunha Mendes

Ministra da Saúde, Marta Temido

  • Secretária de Estado Adjunta da Saúde, Jamila Madeira
  • Secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales

Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes

  • Secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Saldanha de Azevedo Galamba
  • Secretária de Estado do Ambiente, Inês dos Santos Costa
  • Secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, João Paulo Marçal Lopes Catarino
  • Secretário de Estado da Mobilidade, Eduardo Nuno Rodrigues e Pinheiro

Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos

  • Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Alberto Souto de Miranda
  • Secretário de Estado das Infraestruturas, Jorge Delgado
  • Secretário de Estado da Habitação, Ana Pinho

Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa

  • Secretário de Estado Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Carlos Soares Miguel
  • Secretária de Estado da Valorização do Interior, Isabel Ferreira

Ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque

  • Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Nuno Tiago dos Santos Russo

Ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos

  • Secretário de Estado das Pescas, José Apolinário

Artigo atualizado às 18h30 de segunda-feira, com a referência ao historial político no PCP de Osvaldo Castro