A intervenção cirúrgica a que Marcelo Rebelo de Sousa foi submetido esta quarta-feira já terminou, confirma a Presidência da República. Em comunicado, a Presidência diz que o cateterismo confirmou “a existência de obstruções coronárias importantes que foram tratadas no mesmo procedimento, com sucesso e sem complicações” e que se prevê “uma recuperação total em prazo muito curto, com retoma da atividade normal no próximo fim de semana”.

O Presidente da República deu entrada no hospital de Santa Cruz, em Carnaxide na tarde desta quarta-feira. À entrada, Marcelo disse estar “tranquilo, muito tranquilo” e indicou que, depois da intervenção, havia quatro situações possíveis:

Ou não é preciso nenhuma intervenção, ou é preciso uma intervenção muito pequena e imediata, que é colocar um stent, um ou mais, ou, coisa que espero que não aconteça, é preciso uma intervenção de maior fôlego e imediata ou a prazo, mas isso em princípio não acontece”, explicou.

Marcelo Rebelo de Sousa adiantou que levou livros para ir lendo, já que a intervenção cirúrgica não implicaria anestesia geral: “Vou esperando os resultados e depois logo se vê”, revelou. O chefe de Estado disse ainda que já tinha ouvido o discurso do primeiro-ministro António Costa e que iria continuar a acompanhar o debate na Assembleia da República através da rádio ou da televisão.

No início deste mês, Marcelo revelou durante o programa da SIC “Alta Definição”, que ia fazer um cateterismo, uma intervenção cirúrgica que serve para perceber se existe ou não alguma obstrução em determinada artéria que irriga o coração e, se necessário, intervir sobre elas.

Nessa mesma entrevista, o Presidente da República revelou a origem do problema: em “determinado vaso sanguíneo, há a acumulação de cálcio“. O que significa isto? “É a formação de placa de colesterol com cálcio, na parede dos vasos sanguíneos. Neste caso, numa artéria que irriga o coração. Esta formação pode ter mais cálcio ou mais colesterol: pode ter uma composição mais de gordura ou com maior componente de calcificação“, explicou o médico cardiologista Pedro Rio, na altura ao Observador.

A acumulação de cálcio traz consequências. Isto porque a placa pode ir crescendo e bloquear o fluxo de sangue ao longo do tempo, começando a “criar sintomas de angina” que se traduzem em dor no peito, cansaço ou falta de ar. Mas as consequências podem ser mais graves: enfarte ou, até, morte súbita.

O cateterismo a que Marcelo foi submetido esta quarta-feira consistiu numa “picada” numa artéria, onde foi introduzido um cateter. “Dentro desse cateter injeta-se contraste que depois permite fazer-se uma angiografia e perceber se temos ou não alguma obstrução em determinada artéria”, detalhou Pedro Rio ao Observador.

O exame, em si, pode ter também consequências. “Se tivermos uma placa de cálcio e se o cateter bater nela, levando a que se desloque, essa placa pode ir para qualquer sítio do organismo dentro da circulação. Pode ir para o cérebro, levando a que aconteça um AVC. Todas estas complicações podem gerar um risco de morte”, adiantou o cardiologista.

(Artigo atualizado às 15h54 com o comunicado da Presidência)