Melhor marcadora da história da liga norte-americana de futebol feminino. Melhor marcadora da história da liga australiana de futebol feminino. Jogadora com mais golos numa única temporada tanto na liga norte-americana como na australiana de futebol feminino. Melhor marcadora das últimas três temporadas nos Estados Unidos. Uma das finalistas à Bola de Ouro de 2019. Sam Kerr é tudo isto e muito mais: e o Chelsea ganhou esta quarta-feira a corrida para a trazer para a Europa.

A avançada australiana, que esteve com a seleção no Mundial do passado verão, onde marcou cinco golos, tinha anunciado há poucas semanas que iria deixar tanto a liga dos Estados Unidos como a da Austrália — jogava simultaneamente nas duas porque as balizas temporais, ao longo do ano civil, são distintas — e aventurar-se no futebol europeu. As propostas apareceram em catadupa: o Lyon, tetracampeão europeu, era um dos interessados, assim como o Manchester United e o Barcelona. Entre estas três hipóteses, a probabilidade de uma ida para o Chelsea tornava-se reduzida, já que a oferta não era a mais vantajosa financeiramente e o clube não é o mais ambicioso a nível de objetivos, já que não conseguiu qualificar-se para a Liga dos Campeões desta temporada. Londres, porém, fez a diferença.

As imagens da australiana sentada no relvado depois da eliminação no Mundial correram mundo

Sam Kerr escolheu o Chelsea para jogar em Inglaterra, para ser treinada por Emma Hayes e para ir viver para Londres, onde tem família. “A liga inglesa é a melhor liga na Europa. Quero o sucesso da equipa e não quero que seja fácil. Sinto que o Chelsea tem vindo a construir algo especial ao longo dos anos e quero fazer parte disso. Quero levantar troféus”, disse a avançada na apresentação, esta quarta-feira, na capital inglesa. Capitã da seleção australiana com apenas 26 anos, Kerr mostrou publicamente e sem reservas a vontade que tem de ganhar no último Mundial — tal como a expressou, por palavras, à chegada a Inglaterra. A Austrália foi eliminadas nos oitavos de final pela Noruega nas grandes penalidades e a jogadora não escondeu as lágrimas; mais tarde, já com o estádio totalmente vazio e as colegas no balneário, sentou-se sozinha no relvado, a olhar em volta.

Nascida numa família de atletas, já que tanto o pai como o irmão mais velho foram jogadores de futebol australiano, Sam Kerr começou a jogar na Austrália, na formação dos Western Knights. Estreou-se enquanto profissional nos Perth Glory, um dos melhores clubes do país, e ainda passou pelo Sydney FC antes de regressar à equipa da cidade onde nasceu. Nos Estados Unidos, representou os Sky Blue e os Chicago Red Stars — onde jogou na temporada passada e foi colega de Alyssa Naeher, a guarda-redes da seleção norte-americana que conquistou o último Mundial. Agora, vai à procura de uma nova aventura e de conquistar um terceiro país e um terceiro continente: depois de ter escolhido a menos provável das opções.