A Federação Portuguesa de Basquetebol já reagiu ao caso divulgado esta quarta-feira pelo Jornal de Notícias que dava conta de uma jovem muçulmana que tinha sido impedida de participar num jogo por não querer mostrar os braços. Fatima Habib, de 13 anos, é atleta do Clube Basquetebol Tavira e estava a preparar-se para entrar em campo, no passado fim de semana, quando a equipa de arbitragem lhe disse que não poderia jogar de mangas compridas por debaixo do equipamento. Em comunicado, a Federação garante que o Clube Basquetebol Tavira e o próprio treinador já tinham sido avisados sobre a violação das regras por parte da jovem jogadora.

“No jogo anterior ao do último sábado (2 de novembro), o treinador da equipa do Clube de Basquetebol de Tavira foi devidamente informado pela equipa de arbitragem responsável que o equipamento da jogadora teria que estar de acordo com as regras definidas pela FIBA [a Federação Internacional de Basquetebol] e respeitadas pela FPB, para a mesma poder continuar a participar em competições. Uma situação que não foi corrigida no jogo do último domingo (de 10 de novembro)”, pode ler-se no comunicado da Federação. Em causa está o regulamento da FIBA, alterado há dois anos para prever precisamente situações semelhantes a esta, que não exclui a utilização de mangas compridas por debaixo do equipamento por motivações religiosas.

O regulamento internacional diz então que os atletas muçulmanos podem cobrir cabeça, braços e pernas — sem que a cobertura da cabeça, com lenço islâmico ou hijab, não tape “inteiramente ou parcialmente qualquer parte da cara (olhos, nariz, lábios, etc)” e não represente “qualquer perigo” para os restantes jogadores em campo. Para as pernas e os braços, os requisitos indicam que é permitido utilizar apenas meias ou mangas de compressão, justas ao corpo, com a condição de terem de ser “pretas, brancas ou da cor dominante dos calções da equipa”. Terão sido estas adendas, segundo a Federação, que a equipa de arbitragem considerou serem impossíveis de contornar e que a jogadora em causa estava a violar.

No comunicado, a Federação rejeita ainda “a afirmação veiculada de que a jogadora foi impedida de jogar por ser recusar a mostrar os braços”. “Na pessoa do presidente da Direção, a FPB contactou diretamente a família da jogadora, para melhor esclarecer sobre toda a situação e critérios definidos pela FIBA sobre o equipamento de jogo”, acrescenta.

O caso aconteceu no último fim de semana, num jogo entre o Clube de Basquetebol Tavira e o Imortal Basket Clube. Fatima Habib foi impedida de entrar em campo por estar a usar uma camisola de manga comprida debaixo do equipamento oficial do clube. Segundo o JN, a equipa de arbitragem do jogo não aceitou o argumento de que a religião da jovem a impedia de mostrar os braços — além das pernas e da cabeça, que estavam cobertas com collants e lenço, respetivamente — e não permitiu que esta participasse na partida. Ainda segundo a publicação, Fatima sugeriu a hipótese de arregaçar as mangas para poder continuar em campo, mas sem sucesso.

Segundo o treinador da equipa que Fatima Habib integra, um das árbitros já tinha anteriormente integrado equipas de arbitragem que apitaram jogos entre o Clube Basquetebol Tavira e outras equipas sem colocar impedimentos à roupa que a jovem vestia. Ao JN, André Pacheco justificou a atitude do último fim de semana com a presença de um “observador” na mesa de oficiais, que poderá ter deixado os elementos da equipa de arbitragem sob maior pressão.