Em 1996, o primeiro-ministro era António Guterres, Portugal e Espanha estavam na CEE há apenas dez anos, a Expo 98 era ainda um projeto a realizar dois anos depois e o vencedor da Liga dos Campeões foi o Ajax, que venceu a Juventus na final. Passaram 23 anos, a década já mudou duas vezes, o século mudou, o milénio mudou. Mas de 1996 para cá, no período temporal de 23 anos, Portugal nunca falhou uma fase final de um Campeonato da Europa. Ao conseguir o apuramento para o Euro 2020, a Seleção Nacional garantiu a presença no sétimo Europeu consecutivo e vai defender o título já no próximo verão.

Condição essa que é inédita à seleção portuguesa. Portugal entra no Campeonato da Europa de 2020 euquanto último campeão da Europa e um dos candidatos a uma presença na final e à vitória final: ainda que, falhando o primeiro lugar do grupo da qualificação, tenha falhado também o Pote 1 que vai decidir a composição da fase de grupos. Os 17 pontos com que terminou o apuramento — espalhados ao longo de cinco vitórias, dois empates e uma derrota — significam que a Seleção Nacional fechou o Grupo B em segundo lugar, à frente da Sérvia, mas também não chegam para permitir a entrada no Pote 2, onde só ficam os dois melhores segundos. Mesmo sem a jornada terminada (só acaba este domingo à noite), o mais provável é que a seleção portuguesa caia no Pote 3 e evite, mesmo assim, alguns dos principais “tubarões”.

A sétima presença consecutiva num Europeu significa também que, entre Europeus e Mundiais, Portugal não falha uma fase final de uma grande competição de seleções há onze edições consecutivas: um número que só é superado pela Alemanha e por França. Já Cristiano Ronaldo, que chegou ao golo 99 pela Seleção e continua a encurtar distância para o recorde de Ali Daei, marcou o 11.º golo na qualificação, igualou Harry Kane e Zahavi enquanto melhores marcadores e ainda atingiu a melhor série com Portugal, ao atingir os seis jogos consecutivos a marcar.

Fernando Santos, que este domingo igualou Scolari no que toca ao número de jogos enquanto selecionador mas superou o brasileiro nas vitórias (43 contra 42), lembrou que não é por Portugal ser o atual campeão da Europa que se torna favorito à conquista final. “Acho que Portugal tem de estar orgulhoso destes jogadores. São 11 vezes consecutivas em fases finais, há que acreditar nestes jogadores. E como sempre lá estaremos como candidatos”, explicou o treinador, que reconheceu que a exibição contra o Luxemburgo não teve “nota elevada do ponto de vista artístico”. “Em relação ao jogo com a Lituânia, o adversário não era igual e o campo também não. Antes do jogo não podia enfatizar a questão do campo, mas logicamente sabíamos o que nos esperava, viemos cá ver. Causou problemas na circulação da bola e alguns jogadores tiveram dificuldades em colocar o passe mais longo”, disse Fernando Santos.

Já Bruno Fernandes, que marcou o primeiro golo da seleção portuguesa ainda na primeira parte, concordou com o selecionador quanto ao estado do relvado mas acrescentou um fator à dificuldade dos jogadores em lançar bolas longas: o frio que se fazia sentir no Luxemburgo, onde os termómetros estavam no limiar dos zero graus. “A exibição foi boa, dadas as condições. Sabíamos que o jogo seria mais na base da quantidade do que na qualidade. Tivemos entrega e grande espírito. Há jogos em que a qualidade não pode vir ao de cima tão facilmente. O campo estava muito difícil, tínhamos de fazer passes em profundidade e o facto de não sentirmos os pés torna tudo mais difícil. Mas o nosso objetivo era sair com a vitória e foi conseguido”, disse o médio do Sporting.