Rui Rio vai descansar os homólogos do Partido Popular Europeu, no discurso desta quarta-feira à tarde, na Arena de Zagreb. Na Croácia, o presidente do PSD vai transmitir — segundo adiantou aos jornalistas — que “em Portugal o sistema partidário não se fragmentou” e, portanto, não sofre do mal de outros países, como Espanha. E puxou do seu resultado e do de António Costa para provar isso mesmo: “Em Portugal, a 6 de outubro, os dois maiores partidos em termos relativos ainda ficaram maiores. O PS e o PSD juntos têm 81% dos deputados da Assembleia da República. O sistema partidário tradicional, liderado por PSD e PS, está mais forte“.

Para Rio, a fragmentação que existe no novo Parlamento é “muito pequenina”, já que “são diversos partidos que elegeram apenas um deputado”. Ora, “se esses mais pequenos partidos tivessem eleito 10 ou 12 deputados hoje o país estava não diria numa situação de ingovernabilidade, mas próximo disso, como está em Espanha”. Na mesma linha de descansar os presentes relativamente ao crescimento de extremismos e populismo, Rio vai realçar que “não há em Portugal uma extrema-direita muito forte como entretanto começam a surgir noutros países, na Alemanha, em França, em Espanha. Em Portugal, não há.”

Questionado sobre se coloca André Ventura nesse patamar, Rio destaca que “mesmo o Chega, sendo de direita, marcadamente de direita, não é tão extremo quanto se vê noutros países europeus, que têm um discurso ainda mais à direita.” Nas palavras de Rio, o discurso vai ser um “highlight muito rápido” sobre o que aconteceu em Portugal e que o país está muito mais estabilizado que outros. E acrescenta: “Pablo Casado não poderá dizer o mesmo.”

Rio quer que governo reduza défice estrutural cortando na despesa

Sobre o aviso de Portugal, feito por Bruxelas esta quarta-feira, de que o país está em risco de incumprimento das metas europeias, Rio não se mostra surpreendido, já que isso é algo que o PSD tem “consciência”. Já o governo, acusa o líder do PSD, opta por dizer “de uma forma simples” aos portugueses que tem “o défice controlado”. Rio alerta, no entanto, que “o que importa à Europa não é esse défice, é um outro, mais complexo do ponto de vista técnico, o défice estrutural. Esse é que devia estar muito mais avançado, já não devíamos ter. O Governo diz que é 0,3%, o Conselho de Finanças Públicas e a União Europeia acham que anda à roda de 0,5%. Portanto, nós temos de rapidamente trazer esse défice para zero.”

E como fazê-lo? Rui Rio diz que isso não pode ser feito pelo lado da receita ( de aumento de impostos), mas de diminuição da despesa (que deve ser otimizada para ser reduzida). “Com o nível de impostos que temos em Portugal não pode ser pelo lado da receita que vamos ter de equilibrar o défice estrutural. Tem de ser pelo lado da despesa”.

Mas muitas vezes, recorda, essa despesa “apesar de muito grande” não chega, como acontece na saúde. Por isso Rio só vê um caminho: “A criação de mais riqueza, que vai permitir mais impostos, sem aumento da carga fiscal. E por outro lado, a disciplina da despesa e a otimização dos recursos disponíveis.” Admite, no entanto, que eliminar o desperdício “não é uma tarefa fácil”.

Nesta matéria, Rio critica aquela que tem sido a postura do governo, que acusa de ter “muito a tendência de atirar com dinheiro para cima dos problemas quando tem dinheiro para atirar”. E não dispensou uma farpa à governação de Sócrates: “Tempos houve que governos socialistas atiravam com dinheiro que não tinham, agora atiram com dinheiro que têm, nisso há que fazer justiça”.

PSD quer convencer Alemanha sobre Fundo de Garantia

Ainda no discurso que Rui Rio preparou para esta quarta-feira em Zagreb, o líder do PSD antecipa que estas são normalmente “intervenções muito curtas”, onde também vai lembrar a “questão da coesão social ao nível europeu. Ou seja: a redução das desigualdades entre os países ricos e os países menos ricos e isso passa naturalmente pelo quadro financeiro e pelo quadro de apoio comunitário”.

Rui Rio vai voltar a insistir também “na questão da reforma da moeda única, da Zona Euro, onde a União Bancária é decisiva.” Dentro da União Bancária, no entender de Rio, é “decisiva a questão do Fundo de Garantia Comum”, sobre o qual a Alemanha tem “reticências”. E aí, fazendo uso do seu alemão, Rui Rio vai fazer uma “referência à importância dessa reforma”, esperando convencer a Alemanha a apoiar o Fundo de Garantia.

O presidente do PSD até percebe o facto de Merkel estar na defensiva: “Se estivesse no lugar dos alemães com todo o historial que há da Alemanha com o Sul da Europa, em particular com Portugal e a Grécia, é naturalmente difícil acreditar que nós mudámos o paradigma e que agora entendemos que as contas públicas têm de ser equilibradas”. Porém, destaca o líder social-democrata, “se conseguirmos convencer a Alemanha que assim é, enfim, eles ficam convencidos e virão em nosso apoio e subscreverão”.