Auto / Elétricos Seguir Pode este eléctrico de 18.000€ ser a melhor opção? Há, à venda entre nós, automóveis eléctricos com as características e as finalidades mais díspares, com preços entre 18.000€ e 190.000€. Mas, para muitos, o modelo mais barato (até) pode ser o melhor. Alfredo Lavrador Texto 27 Nov 2019, 23:59 294 i ▲Finalmente começam a surgir os automóveis eléctricos que, com as ajudas das marcas e do Governo, conseguem ter preços muito mais apelativos e bater alguns concorrentes a gasolina. Mas será que são a melhor alternativa do mercado para um número significativo de condutores? Finalmente começam a surgir os automóveis eléctricos que, com as ajudas das marcas e do Governo, conseguem ter preços muito mais apelativos e bater alguns concorrentes a gasolina. Mas será que são a melhor alternativa do mercado para um número significativo de condutores? 12 fotos Os veículos eléctricos, à semelhança dos seus pares a gasolina, oferecem propostas de todos os tamanhos e feitios, com diferentes níveis de potência, de luxo e, claro está, de preço. E se há exemplares com motor de combustão que colocam ênfase nas emoções, como os Ferrari e Lamborghini, há igualmente modelos a bateria capazes de deixar de boca aberta até estes coupés italianos, como é o caso do Rimac C_Two e o futuro Tesla Roadster. Mas, para poderem ser considerados uma alternativa válida aos automóveis com blocos térmicos, os eléctricos têm de se posicionar como propostas acessíveis e com um nível respeitável de prestações e autonomia. Ou seja, é necessário que surjam eléctricos com preços similares aos do Renault Clio ou Volkswagen Golf a gasolina, modelos que são os mais vendidos nos respectivos segmentos, pois só assim é possível democratizar esta tecnologia. Sucede que a oferta de modelos eléctricos pequenos e baratos, mas com substância, está mais próxima do que imagina. A maior conectividade que a versão eléctrica do Mii proporciona vai facilitar a utilização deste citadino, onde cabem quatro adultos 12 fotos E que tal um citadino por cerca de 18.000€?Entre todos os veículos zero emissões que já ensaiámos e que estão disponíveis no mercado, a possibilidade de ter um citadino eléctrico por apenas 18.000€ pareceu-nos entusiasmante. Obviamente, não é um Tesla, nem sequer um Nissan Leaf ou mesmo um Renault Zoe, um Peugeot e-208 ou um Opel Corsa-e. Mas todos estes exigem um investimento mínimo próximo de 30.000€ (um pouco mais para o Tesla Model 3), o que concede ao citadino uma vantagem entre 12.000 e 14.000€, o que é obra num veículo deste segmento.O modelo a que nos referimos é o novo Seat Mii Electric, o primeiro modelo a bateria da marca espanhola. Não tem ainda preço previsto para o nosso país, mas apurámos, junto dos responsáveis espanhóis, que a política de preços será similar em toda a Europa, como aliás fica comprovado pelo facto de em Espanha e na Alemanha o preço diferir em apenas 540 euros. Com as ajudas do fabricante, que rondam em ambos os casos 2.380€, o Mii a bateria é proposto por 17.730€ no seu país de origem, e 18.270€ na Alemanha. Isto ainda antes dos incentivos do país.Se a este preço subtrairmos o IVA, que as empresas podem recuperar (e é bom lembrar que as empresas são quem mais compra veículos eléctricos pelas vantagens que lhes são concedidas), então o Seat eléctrico ficará por um valor próximo dos 14.500€, preço que começa a ser apelativo. E se ainda considerarmos os incentivos do Governo, que em Portugal são de 3.000€ para particulares e 2.250€ para empresas, então o Mii Electric começa a ser uma opção a considerar.Será que o Mii Electric se despacha?Conduzimos o Seat a bateria nos arredores de Madrid, num primeiro contacto que começava por um longo percurso em auto-estrada, que não é o terreno ideal para o Mii Electric. Limitado a 130 km/h, para estender a autonomia permitida pela bateria de 36,8 kWh (32,3 kWh úteis, com um peso de 248 kg), o Seat começou por registar médias entre 14 e 15 kWh/100 km, a circular a 100 km/h, valor que depois desceu para entre 12 e 13 kWh no regresso, já em estrada e dentro dos limites, ou seja, até 90 km/h. Pena que não fosse possível rodar em meio urbano, o terreno de eleição para os carros eléctricos, onde a autonomia tende a aumentar. Ou seja, garantindo intervalos entre recargas entre 230 e 270 km, o que não é nada mau para um modelo que anuncia 260 km em WLTP.O motor de 83 cv e 212 Nm de binário assegura-lhe um dinamismo aceitável e muito melhor do que anteriormente, com o antigo motor a gasolina, necessitando de 3,9 segundos para ir de 0-50 km/h. O habitáculo aceita facilmente quatro adultos, um pouco à custa da bagageira que oferece 251 litros, ou 923 com o rebatimento do banco posterior. O Mii Electric oferece dois níveis de acabamentos e 5 packs de equipamento, além de cinco cores novas 11 fotos Para recarregar, o Mii aceita carga normal (em AC até 7,2 kW, com a Seat a oferecer a Wallbox) ou rápida (em DC até 40 kW, provavelmente por a bateria ser refrigerada a ar), o que lhe permite ir de 0-80% em menos de 60 minutos.Os citadinos são uma alternativa à concorrência?O Mii Electric – que não vai estar sozinho, uma vez que também a Volkswagen e a Skoda vão surgir com os seus e-up! e Citigoe iV – oferece um pacote que irá sensibilizar muitos potenciais utilizadores de veículos eléctricos a bateria. Com 260 km de autonomia e um preço que rondará os 18.000€ – a Seat Portugal revelará a seu tempo os valores definitivos de comercialização –, o construtor espanhol passa a disponibilizar uma das melhores relações preço/autonomia do mercado. É claro que os Tesla com 500 ou 600 km entre recargas estão noutro campeonato, mas um dos modelos que mais vende em Portugal e na Europa, o Nissan Leaf, oferece 270 km com bateria de 40 kWh e um preço de 34.000€, apesar do eléctrico japonês ter óbvias vantagens no que respeita à dimensão do habitáculo e da bagageira.Mas para circular, sobretudo em cidade, um citadino como o Mii Electric tem muitas vantagens, sobretudo quando levamos o tamanho e preço em linha de conta. A app da Seat facilita a utilização, assegurando o controlo remoto da climatização, a gestão da carga, o estado do veículo e até ajuda a encontrá-lo.O primeiro Seat exclusivamente a bateria está disponível com dois níveis de equipamento, o Mii Electric e o Mii Electric Plus, com este a parecer-nos mais interessante, pois oferece mais equipamento por uma pequena diferença no preço. O citadino pode ainda estar dotado com o sistema de reconhecimento de sinais de trânsito e de manutenção na faixa de rodagem com correcção de volante.Carro pequeno e barato melhor do que os grandes?O Mii Electric não pretende ser um Lamborghini e muito menos um Bentley, só para mencionar dois outros fabricantes que, tal como a Seat, também integram o Grupo Volkswagen. Mas a realidade é que nem todos podem adquirir veículos como estes e alguns nem quereriam, caso pudessem. Como veículo acessível que é, o pequeno eléctrico tem as limitações que reconhecemos a todos os modelos alimentados por bateria, mas soma igualmente as vantagens. A começar pelos custos por quilómetro extremamente baixos, com a Seat a apontar para 2,8€ por cada 100 km, partindo como base do preço médio do kWh da União Europeia. Isto equivale a um veículo a gasolina com um consumo de somente 1,8 litros/100 km, o que é algo impossível de conseguir.E como os fabricantes precisam de comercializar motores eléctricos, para fazer baixar a média de emissões de CO2, que em 2020 terá de estar abaixo dos 95 g/km, a marca espanhola avança com propostas muito competitivas para realizar um leasing deste citadino a bateria. Por uma mensalidade de apenas 145€ em Espanha e de 149€ na Alemanha (em Portugal não deverá ser muito diferente, uma vez que o banco continuará a ser o do Grupo Volkswagen), é possível contratar ao ano um Mii Electric. Um contrato ideal para quem quer ver até que ponto um eléctrico é o tipo de veículo que lhe interessa.O novo Seat Mii Electric, fabricado na República Checa, chega aos primeiros 13 países europeus em Fevereiro, para arrancar no mercado português no final do primeiro semestre.