Portugal e Itália são duas das seleções europeias com mais tradição em Campeonatos do Mundo de futebol de praia mas, ao longo de 20 edições da prova (dez organizadas pela FIFA), somavam apenas três confrontos diretos, com a Seleção Nacional a ganhar sempre: 6-4 na fase de grupos de 2002, 5-1 no jogo de terceiro e quarto lugares de 2004, 5-4 na fase de grupos de 2008. Ponto comum? Madjer, ainda hoje capitão do conjunto das Quinas aos 42 anos, marcou sempre pelo menos um golo. É certo que Jordan ganhou em 2019 0 galardão de melhor jogador do mundo, é certo que os irmãos Bê e Leo Martins têm sido as figuras do conjunto de Mário Narciso, mas o número 7, que marcou apenas um golo neste Mundial, tem todo um legado assegurado pelas novas gerações.

Depois de uma goleada frente à Nigéria a abrir a competição, Portugal até perdeu com o Brasil antes de fechar a fase de grupos com um triunfo frente a Omã. O segundo lugar no grupo poderia trazer dificuldades acrescidas na parte a eliminar na prova mas, entre surpresas como a eliminação do Brasil logo nos quartos, Portugal foi passando etapas diante da surpresa Senegal e do sempre perigoso Japão (neste caso, após desempate nos penáltis) e chegava ao encontro decisivo tendo pela frente uma Itália que também perdeu na fase de grupos com o Uruguai mas que, em jogos muito disputados, afastou depois Suíça e Rússia para a segunda final de sempre depois da derrota com o Brasil em 2008. No final, a experiência de Portugal falou mais alto e a Seleção sagrou-se tricampeã mundial.

No entanto, o encontro nem começou da melhor forma: quase num prolongamento daquele estilo catenaccio pelo qual as equipas italianas eram conhecidas, o conjunto orientado por Emiliano del Duca deu a iniciativa e o domínio do jogo a Portugal, sofreu alguns calafrios mas conseguiu inaugurar o marcador por Emmanuele Zurlo, na primeira oportunidade dos transalpinos e que nasceu de um ressalto após remate prensado na defesa contrária de Madjer (6′). Apesar do domínio, a Seleção Nacional voltava a entrar a perder tal como já tinha acontecido na meia-final com o Japão mas o empate não demoraria a chegar, com Leo Martins a marcar de livre (8′).

Portugal teve chances de perigo na baliza de Simone del Mestre (algumas na sequência de pontapés de bicicleta com grande nota artística) mas chegava ao final do primeiro período com uma igualdade a um golo. Todavia, essa resistência italiana, uma equipa que preferiu sempre defender bem do que propriamente fazer a diferença no ataque, acabou por cair em 30 segundos que ficam para a história: Jordan, após uma jogada conduzida por Leo Martins, surgiu na cara de Del Mestre e fez o 2-1 para, dentro do mesmo minuto, ter ainda um livre direto travado pelo guarda-redes italiano mas que permitiu a recarga vitoriosa a André Lourenço (18′).

A Itália tinha de arriscar para voltar ao jogo, Elinton Andrade ainda teve duas defesas mais complicadas mas Jordan voltou a fazer jus ao prémio de melhor do mundo e ampliou a vantagem para 4-1 de livre direto (18′), “pecando” no minuto seguinte ao cometer um penálti sobre Gori que a estrela transalpina não conseguiu converter, com defesa nova grande intervenção do guardião português. Leo Martins, também de livre, quase sentenciou o jogo fazendo o 5-1 a pouco menos de nove minutos que deu outra confiança à equipa nacional até ao fim até ao minuto 31, quando Dario Ramacciotti e Josep Gentilin reduziram para um perigoso 5-3. Os italianos ainda atiraram ao poste antes de Jordan fechar o hat-trick a 1.58 minutos do último apito. Ramacciotti fez o 6-4 a 12 segundos do final mas as câmaras já estavam focadas em Madjer, a chorar de forma compulsiva no banco.

Portugal fez a festa no Paraguai com a conquista do terceiro Campeonato do Mundo, depois das vitórias frente a França (2001, no Brasil) e Taiti (2015, em Espinho). Desta forma, passa a ser a segunda seleção com mais títulos na competição, superando os dois da Rússia (2011 e 2013) mas ainda muito longe da grande potência de sempre da modalidade, o Brasil, que venceu a prova em 14 das 20 edições (dez organizadas pela FIFA). “Estou muito emocionado. Quem não viu não imagina o que esta família trabalhou. Mais do que uma equipa, somos uma família e merecemos este título. O futebol de praia está a evoluir muito mas acabámos o ano com a conquista máxima de sermos campeões mundiais. Só consigo troféus graças aos meus companheiros”, comentou Jordan que, após sete troféus coletivos até ganhar o prémio de melhor jogador do mundo, consegue ganhar o Mundial.