António José Seguro está muito preocupado com o estado da democracia em Portugal e com a incapacidade de os partidos falarem entre si para encontrar soluções. O Presidente da República acredita que os vários protagonistas políticos estão focados apenas no curto prazo e tem receio de que tenham a tentação de procurar resolver nas urnas aquilo que não conseguem resolver através do diálogo no Parlamento. Problema, segundo Seguro: um eventual ciclo de eleições consecutivas dificilmente ultrapassará a fragmentação política, a crispação entre as partes e os bloqueios do país; pelo contrário, até os podem agravar.

Esta foi, segundo apurou o Observador, uma das principais mensagens que António José Seguro quis deixar durante as audiências aos partidos com assento parlamentar. Nem o facto de o PS já ter anunciado a viabilização do próximo Orçamento do Estado reconfortou o Presidente da República. Seguro pressente que os partidos estarão apenas a gerir o melhor momento para ir a votos e que em quase tudo o que realmente importa para o país a Assembleia da República tem dado evidentes sinais de bloqueio. No entanto, e sem ignorar seguramente aquilo que dizem as sondagens, o Presidente não vê como é que umas eventuais eleições antecipadas resolveriam ou desbloqueariam a situação. Acredita, de resto, que o contexto político poderia ser agravado.

Em público, e à saída de cada reunião com o Presidente da República, os representantes partidários confirmaram esses mesmos apelos vindos de Belém. Só não contaram o resto da história: António José Seguro foi dizendo que vê os próximos tempos como muito difíceis e desafiantes para a democracia porque sente que os partidos estão cada vez mais entrincheirados e disponíveis apenas para falar sozinhos — logo, indisponíveis e incapazes para entendimentos em questões fundamentais.

O chefe de Estado fez questão de explicar que não quer retirar a identidade natural de cada partido — ele que, enquanto líder do PS e depois na disputa interna com António Costa, foi acusado de ter abdicado da identidade do partido e de não fazer verdadeira oposição a Pedro Passos Coelho. Para Seguro, os partidos do poder e da oposição têm de revelar visão: com bom senso, haveria espaço para haver uma conciliação que permitisse começar a trabalhar de imediato nos assuntos que são mais preocupantes para a vida das pessoas. Não é isso que tem visto e foi isso que transmitiu a quem o quis ouvir: os partidos estão a viver demasiado o imediato, não estão a pensar o longo prazo, estão mais focados na agenda de cada um e não no que é melhor para o país.

O Presidente da República foi reconhecendo, como já o fez publicamente, aliás, que o país enfrenta uma séria crise no acesso à Habitação, que se cruza também com o aumento do custo de vida e com todas as implicações que isso tem na vida dos portugueses. Mas as dificuldades não se esgotam nessas duas dimensões — Seguro entende que Portugal enfrenta também enormes desafios nas áreas da Saúde e da Educação.

Numa ideia, o Chefe de Estado tem fundado receio de que, se nada de muito urgente for feito — e isso é da responsabilidade de partidos de Governo, claro, mas também da oposição — a coesão social será colocada em risco — os primeiros sinais de contestação estão aí, seja com as manifestações pelo acesso à Habitação, seja por movimentos de outras corporações, como as forças de segurança, seja pelos apelos à convocação de uma greve geral.

Quase em tom de lamento, Seguro foi lembrando os vários apelos ao diálogo que tem feito, reconhecendo, todavia, que tem poucos instrumentos para obrigar os partidos a conversarem e a encontrarem soluções. Fez mesmo questão de transmitir isso aos interlocutores, notando que depende dos próprios protagonistas partidários — e não do Presidente — perceberem o que querem fazer à vida. O trabalho dele é tentar que os partidos se sentem; o trabalho dos partidos é sentarem-se para negociar.

Seguro terá partilhado que tem noção de que o mundo mudou, reconheceu que há um extremar de posições não apenas em Portugal mas também noutras latitudes e que o tripartidarismo — com três partidos médios apostados em disputar o primeiro lugar nas eleições — tornou tudo muito mais difícil. Mas quis, apesar da preocupação registada por quem o ouviu, insistir na mensagem com que fez toda a campanha eleitoral: os consensos ainda são possíveis e necessários.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]