Na reunião de câmara desta segunda-feira, Rui Moreira começou a sua intervenção saudando os serviços municipais que ajudaram a cidade a enfrentar as depressões Elsa e Fabian dos últimos quatro dias e enaltecendo a colaboração da população ribeirinha. No entanto, o presidente do município do Porto sublinhou que nem todas as entidades responderam às solicitações que lhes competiam, aproveitando para criticar as ações da Proteção Civil, Polícia Marítima e da Capitania do Porto do Douro, que deram avisos “sempre muito tardios”.

Moreira, diz ter preocupação relativamente a alguns dos serviços do Estado Central, em particular da capitania. “Os avisos que chegaram foram tardios, nós não vimos aparecer a Polícia Marítima nem a capitania, a única coisa que vimos foi o Sr. capitão do porto dar uma entrevista às televisões no estúdio, mas essa não é a atuação que nós esperamos”, acusou, acrescentando ser “absolutamente desajustada” a posição da polícia marítima e da capitania, que “têm nesta matéria responsabilidades”.

O autarca do Porto, que na última sexta-feira visitou a Ribeira e Miragaia, duas zonas afetadas pelas cheias, saudou o contacto que teve com o Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes. “Esse sim preocupou-se, de facto, em dar-nos nota do que se estava a passar e a situação chegou a ter alguma gravidade.”

Nem a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) ficou de fora do puxão de orelhas de Rui Moreira. “No caso da APDL, também ela tantas vezes preocupada com o seu domínio, esteve mais ou menos desaparecida. Nós tivemos que intervir na Marina do Freixo para retirar um conjunto de roncos e objetos flutuantes que estavam a causar graves perturbações e danos às embarcações”, ressalvou.

Numa nota publicada esta segunda-feira na sua página oficial, o município refere que se registaram, desde quarta-feira, um total de 296 ocorrências. Na sexta-feira, devido às condições meteorológicas provocadas pela depressão Elsa, o rio Douro galgou as margens tendo no pico da maré subido 1,20 metros e entrado quase 30 metros pela Praça da Ribeira, no Porto, o mesmo sucedendo do lado de Vila Nova de Gaia. As águas entraram em casas e estabelecimentos comerciais nas duas margens, tendo a situação melhorado no sábado com a redução das descargas das barragens e a melhoria das condições atmosféricas.

Na madrugada e manhã deste domingo a situação mais crítica viveu-se a ocidente. Na Avenida de D. Carlos I, junto ao Passeio Alegre, os maciços que tinham sido colocados pela autarquia, precisamente para servir de barreira à subida e ferocidade do caudal do Rio Douro, sucumbiram à força das ondas e foram arrastados. Também na zona do Molhe foram registados danos materiais nos bares junto à praia.