Derrota com o Liverpool (fora), empate com o Tottenham (casa), empate com o Manchester United (fora), derrota com o Manchester City (casa), derrota com o Chelsea (casa). Jogos grandes, vitórias e Arsenal na mesma frase esta temporada não era sequer raro – era inexistente. Mas havia outros dois dados que refletiam ainda melhor a época falhada dos londrinos, que entravam no ano de 2020 num impensável 13.º lugar: nos últimos 12 jogos da Premier League, os gunners tinham ganho apenas um; em 20 jogos realizados até ao momento, o crónico candidato aos lugares cimeiros tinha um saldo de golos negativos, com 26 marcados e 30 sofridos. Ainda assim, havia sinais pelo menos interno de que a redenção poderia estar próxima com a mudança de treinador.

“Na minha opinião, o Arteta vai ser um dos melhores treinadores do mundo. As pessoas têm dúvidas mas confio na sua filosofia e na forma como vê o futebol. É inteligente e perspicaz”, argumentava David Luiz, antigo central do Benfica, em declarações à Sky Sports que prolongaram os elogios ao ex-adjunto de Pep Guardiola.

Arteta assumiu a equipa com um empate frente ao Bournemouth e perdeu no último encontro do ano civil diante do Chelsea desperdiçando a vantagem com dois golos sofridos nos derradeiros minutos do encontro. Nem por isso o espanhol alterou uma vírgula que fosse no discurso desde que regressou a Londres, encontrando-se nesta altura mais preocupado em recuperar os jogadores em termos mentais e a ligação com os adeptos do que propriamente com questões táticas mais específicas que afinará com o tempo. E tem em paralelo o papel diplomático de tentar segurar as principais referências, casos de Aubameyang (que termina contrato daqui a um ano e meio e pretende estar na Champions) ou Xhaka, que se encontra também vias de acabar o seu vínculo. O que faltava para projetar tudo isso? Uma vitória que quebrasse a série de maus resultados. E que chegou no dia 1.

Na receção ao Manchester United, o Arsenal entrou melhor, marcou dois golos na primeira parte por Nicolas Pepe e Sokratis e segurou a vantagem até final (2-0) diante de um adversário que vinha de um bom momento mas que nunca conseguiu jogar nas transições rápidas que beneficiam Rashford, Martial ou Lingaard. Esse acabou por ser o maior mérito dos gunners, que se mostraram sempre mais organizados e disponíveis para o jogo tendo alguns nomes como David Luiz, Torreira e Özil a parecerem quase outros a comparar com o patamar em que estavam no início da época – e Leno seguro nos postes e sem deitar tudo por terra, como aconteceu com o Chelsea.

Após o final do jogo, pela forma como os jogadores se juntaram no centro do terreno e pela maneira como o triunfo foi celebrado não só entre atletas mas também com o treinador, percebeu-se que esta pode ser uma vitória que dê mais do que três pontos ao Arsenal. E até à profecia de David Luiz faltará ainda mais. Mas que este tem tudo para ser o ponto de uma viragem numa temporada, isso poucos parecem duvidar no Emirates Stadium.