O Tik Tok, uma rede social chinesa com centenas de milhões de utilizadores bastante popular entre o público mais jovem e concorrente do Instagram, teve durante 2019 falhas de segurança graves. Como revelou a empresa de cibersegurança israelita Checkpoint, e conta o The New York Times, as lacunas permitiam que os dados pessoais dos utilizadores pudessem ser roubados e manipulados.

A falha, que foi anunciada à rede social a 20 de novembro pela Checkpoint e, segundo diz o Tik Tok, corrigida a 15 de dezembro, permitia até que hackers (piratas informáticos) pudessem enviar mensagens entre utilizadores com hiperligações para instalar vírus nos smartphones. Esta falha na rede social, que é principalmente utilizada em aparelhos que tenham instalada a app homónima, chegava a permitir que os atacantes pudessem fazer o download de vídeos privados da conta dos utilizadores.

Noutra falha encontrada pela empresa de cibersegurança, os investigadores conseguiram aceder à informação pessoal dos utilizadores simplesmente através do site do serviço chinês.

A rede social chinesa, que tem estado na mira do concorrente Facebook — que detém também o Instagram — e das autoridades de vários países, tem sido criticada por medo de interferência do governo chinês. Casos como o de uma utilizadora que teve um vídeo retirado para denunciar o tratamento dado à minoria muçulmana Uyghur, na China, têm preocupado as autoridades pelo quantidade de público que está a cativar. Ao todo, a app já tem conta com mais de 1,5 mil milhões de downloads.

A empresa, sediada em Pequim, tem negado estar em conluio com as autoridades chinesas e, relativamente a este caso, disse ao mesmo jornal estar “comprometida” em proteger os dados pessoais dos utilizadores.

Em fevereiro de 2019, o TikTok, foi condenado a pagar 5,7 milhões de dólares (equivalente a cerca de 5,1 milhões de euros) por ter violado as leis de privacidade online das crianças norte-americanas. A decisão partiu da Federal Trade Commission, a agência norte-americana responsável por proteger os direitos dos consumidores. Uma coima justificada com as mesmas razões, mas de 170 milhões de dólares, foi aplicada ao YouTube, detido pela Google, em setembro.

O Tik Tok, que é detido pela empresa chinesa ByteDance, foi lançado na China em 2016. Fora do país substituiu a app musical.ly, que foi comprada pelo Tik Tok em novembro de 2017. O serviço permite que os utilizadores criem vídeos que duram até 15 segundos e que interajam uns com os outros com uma aplicação interna de mensagens (à semelhança das stories, do Instagram). Um exemplo pode ser visto abaixo como foi partilhado na página do Tik Tok no Facebook.