A leitura do acórdão do homicídio do triatleta Luís Grilo foi adiada esta sexta-feira depois de os juízes terem feito várias alterações não substanciais de alguns dos factos da acusação. A defesa não prescindiu do prazo para se pronunciar sobre elas e tem agora 15 dias para o fazer. Até lá, Rosa Grilo, a viúva, continuará a aguardar a decisão em prisão preventiva. Quanto a António Joaquim, alegado co-autor do crime, permanece em liberdade, com a medida de coação mínima.

António Joaquim, amante de Rosa Grilo, à saída do tribunal depois de ter sido adiada a leitura da sentença do caso do homicídio de Luís Grilo, no Tribunal de Loures, 10 de Janeiro de 2020. FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

A decisão de avançar com alterações não substanciais dos factos foi comunicada às defesas esta sexta-feira, data para que estava marcada a leitura da decisão final do coletivo de juízes. Os advogados têm agora de analisar cada uma das alterações e comunicar se têm novos elementos a apresentar — como a audição de testemunhas, por exemplo. Se o fizerem, a audiência de julgamento será reaberta para permitir esses depoimentos.

Só depois serão marcadas novas alegações finais e a nova data para a leitura do acórdão. Seja qual for a data, o filho de Rosa Grilo não vai poder assistir. Logo no início da sessão desta sexta-feira, a juíza presidente Ana Clara Baptista anunciou que não iria autorizar que Renato Grilo assistisse à sessão em que se ficará a saber se a sua mãe é condenada ou não pela morte do pai — como tinha requerido o seu advogado. “Seria suscetível de causar grave dano à sua dignidade”, justificou a juíza.

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Rosa Grilo e António Joaquim estão acusados do homicídio e da profanação do cadáver do triatleta Luís Grilo, no verão de 2018. Os dois arguidos foram detidos há mais de um ano, no dia 26 de setembro de 2018, por suspeitas de serem os autores do homicídio de Luís Grilo. Mas o caso veio a público muito tempo antes, quando, a 16 de julho, Rosa Grilo deu conta do desaparecimento do marido às autoridades, alegando que o triatleta tinha saído para fazer um treino de bicicleta e não tinha regressado a casa.

Seguiram-se semanas de buscas e de entrevistas dadas por Rosa Grilo a vários meios de comunicação  — nas quais negava qualquer envolvimento no desaparecimento do marido, engenheiro informático de 50 anos. O caso viria a sofrer uma reviravolta quando, já no final de agosto, o corpo de Luís Grilo foi encontrado, com sinais de grande violência, em Álcorrego, a mais de 100 quilómetros da localidade onde o casal vivia — em Cachoeiras, no concelho de Vila Franca de Xira. Nessa altura, as buscas deram lugar a uma investigação de homicídio e, novamente, Rosa Grilo foi dando entrevistas nas quais que negava qualquer envolvimento no assassinato do marido.

A prova recolhida levou a PJ a concluir que Luís Grilo foi morto a tiro, no quarto do casal, por Rosa Grilo e António Joaquim, e deixado depois no local onde foi encontrado. O triatleta terá sido morto a 15 de julho, por motivações de natureza financeira — o meio milhão de euros que o triatleta tinha em seguros — e sentimental.

A tese de Rosa Grilo — que manteve sempre em sede de julgamento — é, no entanto, diferente: segundo as declarações que prestou no primeiro interrogatório — e que veio a reforçar em várias cartas que enviou a partir da prisão para meios de comunicação — Luís Grilo terá morrido às mãos de três homens (dois angolanos e um “branco”) que lhe invadiram a casa em busca de diamantes.