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Em dia de São Rafael, a diferença fez-se com duas letrinhas apenas (a crónica do Sporting-Benfica)

Rafael Camacho foi o melhor do Sporting, Rafa deu a vitória ao Benfica: no final, ganhou o mais eficaz, o mais feliz e o que dispensou duas letras. E os leões ficaram a 19 pontos dos encarnados (0-2).

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O internacional português voltou aos golos depois de três meses de paragem por lesão

NurPhoto via Getty Images

O internacional português voltou aos golos depois de três meses de paragem por lesão

NurPhoto via Getty Images

Existe uma frase coloquial, uma espécie de provérbio sem o ser que tem tradução em várias línguas e é utilizada em vários países, que define as pessoas que não têm coragem para ser otimistas mas também optam por não ser pessimistas. “Esperar o melhor preparado para o pior”: é uma forma de estar na vida que garante, à partida, que tudo vai correr bem. Se aparecer o melhor, ficamos felizes, celebramos e pensamos no quão terrível teria sido o pior; se esse tal pior acabar por surgir, estaremos preparados, diremos que tínhamos avisado e que a inversão negativa da história não foi surpreendente.

Era mais ou menos assim que os adeptos tanto do Sporting como do Benfica encaravam o dérbi desta sexta-feira. Os primeiros, a jogar em casa e a partir do quarto lugar da Primeira Liga, estavam compreensivelmente prontos para encarar uma derrota frente a um histórico rival mas não se esqueciam de ressalvar que “tudo pode acontecer”. Os segundos, em Alvalade e com quatro pontos de vantagem para o FC Porto, estavam obviamente confiantes para ganhar um dos jogos mais importantes da temporada mas sublinhavam que “um dérbi é um dérbi”. E entre os lugares-comuns que nos dizem que é inteligente esperar o melhor estando preparado para o pior, que recordam que tudo pode acontecer e que um dérbi é, afinal, mesmo um dérbi, Sporting e Benfica entravam esta sexta-feira em campo com a certeza de que tinham entre si a maior distância pontual da história num jogo entre os dois à primeira volta (16 pontos).

Ficha de jogo

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Sporting-Benfica, 0-2

17.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa)

Sporting: Luís Maximiano, Ristovski, Tiago Ilori, Mathieu, Acuña, Doumbia (Pedro Mendes, 86′), Wendel, Bruno Fernandes, Rafael Camacho (Borja, 90+2′), Bolasie (Gonzalo Plata, 79′), Luiz Phellype

Suplentes não utilizados: Diogo Sousa, Luís Neto, Battaglia, Eduardo

Treinador: Silas

Benfica: Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Weigl, Gabriel, Pizzi, Cervi (Taarabt, 90+5′), Chiquinho (Rafa, 74′), Carlos Vinícius (Seferovic, 90+7′)

Suplentes não utilizados: Zlobin, Jardel, Tomás Tavares, Samaris

Treinador: Bruno Lage

Golos: Rafa (80′ e 90+9′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Gabriel (26′), a Acuña (30′), a Luiz Phellype (57′), a Chiquinho (58′), a Gonzalo Plata (90′), a Mathieu (90+3′), a Vlachodimos (90+9′)

Para o Sporting de Silas, a importância do dérbi desta sexta-feira era, ainda que ingrata, bastante simples: continuar na perseguição ao Famalicão, atualmente no terceiro lugar, e tornar uma vitória frente a um dos principais rivais uma espécie de ponto alto de uma temporada cada vez mais esvaziada de alegrias. Para o Benfica de Bruno Lage, o dérbi desta sexta-feira era um dos obstáculos mais complexos de ultrapassar na demanda por manter a vantagem pontual para o FC Porto e não abrir espaço a deslizes. De um lado, procuravam-se três pontos que pudessem tornar uma má época menos má; do outro, procuravam-se três pontos para tornar ótima uma época bem encaminhada para ser boa.

Sem Coates, que viu o quinto amarelo com o V. Setúbal e estava castigado, e também sem Vietto, que saiu lesionado do jogo com os sadinos, o Sporting entrava em campo com Tiago Ilori ao lado de Mathieu no eixo da defesa e Rafael Camacho na condição de titular, perto de Luiz Phellype e Bolasie. Bruno Fernandes, que tem pé e meio no Manchester United e na Premier League e que chegou a estar em dúvida para o dérbi — caso o negócio tivesse sido fechado antes desta sexta-feira, o médio já não jogava com o Benfica –, estava no onze leonino provavelmente pela última vez. Neto, já recuperado, estava no banco de suplentes, assim como Pedro Mendes, e Jesé ficava de fora da convocatória por opção. Já Acuña, que falhou a visita ao V. Setúbal depois de uma alegada discussão com Hugo Viana, voltava a ser chamado por Silas e voltava também ao onze dos leões enquanto lateral esquerdo.

No Benfica, Bruno Lage deixava Taarabt no banco e apostava na dupla Gabriel e Weigl no meio-campo, enquanto que Cervi mantinha a titularidade — Rafa, que cumpriu apenas alguns minutos contra o Rio Ave para a Taça de Portugal, naquele que foi o regresso do jogador à competição após três meses lesionado, começava no banco. Carlos Vinícius era o elemento destacado no ataque, com Seferovic enquanto suplente, e Ferro continuava ao lado de Rúben Dias mesmo depois de ter estado em dúvida, na sequência das dores musculares que sentiu contra o Rio Ave.

Sem grandes surpresas, o Benfica surgiu na Luz a tomar conta das ocorrências e assumir o controlo da partida logo a partir da fase inicial de construção, colocando Weigl numa posição mais recuada do meio-campo que servia como ligação entre os dois centrais e o setor mais adiantado. Carlos Vinícius atirou por cima da trave logo nos instantes iniciais (2′) e Pizzi obrigou Luís Maximiano à primeira grande defesa do jogo (12′): os encarnados conseguiam chegar à grande área leonina com pouco passes e pouca dificuldade, beneficiando principalmente da passividade da defesa do Sporting na hora de pressionar os adversários mas também das inúmeras perdas de bola da equipa de Silas ainda no próprio meio-campo, que acabavam por oferecer autênticos corredores para os jogadores de Bruno Lage avançarem.

O Sporting, ainda assim, estava confortável com o modelo de jogo que estava a ser desenvolvido. Silas colocou Bolasie na ala esquerda, a jogar à frente de Acuña, e deixou Rafael Camacho tombado na direita do ataque para explorar uma teórica fragilidade na linha entre Ferro e Grimaldo. O jovem avançado acabou por protagonizar a melhor oportunidade que o Sporting teve para marcar na primeira parte, ao rematar ao poste depois de lançado na profundidade (13′), e os leões aproveitaram precisamente esse primeiro lance de perigo para tentar subir as linhas e equilibrar a balança da posse de bola, procurando quase replicar aquilo que estava a ser feito do lado dos encarnados.

Com pouca presença na grande área e com alguma dificuldade em ultrapassar o overbooking de jogadores do Sporting na faixa central, o Benfica ia lateralizando o fluxo ofensivo, solicitando de forma progressiva tanto André Almeida como Grimaldo. Do outro lado, e principalmente a partir do primeiro quarto de hora, o Sporting procurou então repetir esse movimento e chamar ao ataque Acuña e Ristovski, possibilitando a Bolasie e a Rafael Camacho algumas incursões por zonas mais interiores e mais próximas de Luiz Phellype. Depois de corrigir vários erros defensivos que cometeu nos instantes iniciais, a equipa de Silas acabou por conseguir equilibrar as contas da posse de bola — ainda que o Benfica tenha mantido sempre, até ao intervalo, um notório ligeiro ascendente — e Luiz Phellype viu mesmo Hugo Miguel anular aquele que seria o primeiro golo do jogo, depois de um desvio ao primeiro poste ter enganado Vlachodimos (33′). O avançado brasileiro estava fora de jogo, depois de na jogada anterior Camacho ter obrigado o guarda-redes encarnado a uma boa defesa à queima-roupa, mas a subida de rendimento dos leões na partida era inegável.

Na ida para o intervalo, ainda que a percentagem de posse de bola ditasse desde logo que o Benfica tinha sido superior durante largos minutos da primeira parte, a verdade é que a ausência de golos era também o espelho do equilíbrio e da progressiva quebra de intensidade que acabou por pautar a reta final do primeiro tempo. Na ida para o balneário, para além de Gabriel estar a ser praticamente exímio na hora de anular as ações de Bruno Fernandes na construção do Sporting, Tiago Ilori acabava por ser a grande surpresa do jogo. O central português, que entrou no onze para render o castigado Coates e só foi titular porque Neto tem estado lesionado, foi preponderante em dois lances na grande área de Max e ia sendo, a par de Rafael Camacho, o melhor elemento da equipa de Silas.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Sporting-Benfica:]

Na segunda parte, o jogo arrancou para ser desde logo interrompido: com Max a ocupar a baliza junto à bancada normalmente ocupada pelas claques do Sporting, a grande área leonina acabou por ser invadida por dezenas de tochas atiradas a partir das bancadas para o relvado. Hugo Miguel interrompeu a partida durante cinco minutos e só com o recinto de jogo desimpedido voltou a permitir o recomeço — não sem que antes uma nuvem de fumo tivesse invadido Alvalade.

O segundo tempo trouxe um Benfica em concordância com aqueles que tinham sido os últimos minutos da primeira parte da equipa de Bruno Lage: a aparente tranquilidade trouxe algum relaxamento pouco positivo que deixou os jogadores encarnados algo passivos e displicentes, principalmente na hora da reação à perda de bola, e tanto Pizzi como Cervi estavam vários furos abaixo daquilo que é habitualmente normal. Em oposição, assim como em consequência, o Sporting cresceu no jogo e entrou forte na segunda parte — com Rafael Camacho novamente em evidência. O jovem avançado que andou três anos pelas equipas secundárias do Liverpool realizou contra o Benfica o melhor jogo da temporada, aproveitando as fragilidades de Ferro que têm sido evidentes nas últimas partidas, e foi o abono do ataque leonino praticamente até ao apito final.

Quando faltavam cerca de 20 minutos para o fim do jogo, Bruno Lage tentou impulsionar e catalisar o quase inexistente fluxo ofensivo do Benfica com a entrada de Rafa para o lugar de Chiquinho. O internacional português entrou para atuar na faixa central, nas costas de Vinícius e com Cervi e Pizzi a manterem-se nas alas, e Silas respondeu ao lançar Gonzalo Plata para a saída de Bolasie. Com o equatoriano ainda a dar os primeiros passos no relvado de Alvalade, acabou por ser Rafa a desbloquear o nulo no marcador num dos primeiros toques que deu na bola.

Num lance que apareceu depois de um lançamento de linha lateral, uma sucessão de ressaltos no interior da grande área de Max — onde a defesa leonina foi consecutivamente incapaz de aliviar o perigo — acabou por deixar a bola redonda para Rafa, que só precisou de dar balanço à perna direita para rematar na diagonal para o primeiro do jogo (80′). Hugo Miguel precisou de largos minutos para validar o golo junto do VAR, por dúvidas em relação à posição do avançado, mas o Benfica colocou-se mesmo em vantagem em Alvalade: sem ter feito muito por isso ao longo de toda a segunda parte.

Pedro Mendes ainda entrou para o lugar de Doumbia, partindo por completo a ligação entre os setores leoninos e abrindo caminho ao segundo golo de Rafa, que acabou por fechar a partida já no nono (!) minuto de descontos. Seferovic, que entretanto já tinha entrado, acabou por aproveitar um mau alívio de Ilori — que borrou a boa exibição que tinha desempenhado ao longo do jogo — para assistir Rafa que, de trivela, não deu hipótese a Max e fez o segundo golo ao segundo remate (90+9′).

O Benfica venceu o Sporting — e ficou com mais vitórias em dérbis em Alvalade do que os próprios leões — e abriu uma vantagem de 19 pontos para a equipa de Silas. Mais do que isso, o conjunto de Bruno Lage estendeu para sete a distância pontual para o FC Porto, que perdeu no Dragão com o Sp. Braga, e deu um passo que pode tornar-se realmente decisivo para a conquista do bicampeonato nacional. Num dia em que Rafael Camacho se superou mas não conseguiu marcar, Rafa acabou tomar às rédeas do jogo: em dia de São Rafael, saiu por cima aquele que foi mais eficaz, mais feliz e que dispensou as duas últimas letras do nome.

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