José Mourinho sobre Lucas Moura: “É um jogador incrível, a atravessar um grande momento. Sabe que o tentei comprar para o Real Madrid e por isso sabe que o sentimento é bom há muitos anos. Espero que a gasolina dele não acabe”. José Mourinho sobre Lo Celso: “Fez 90 minutos de trabalho incrível com o Middlesbrough [na Taça]. Está a aumentar a intensidade no jogo, o trabalho com e sem bola. É um miúdo fantástico, calado, à espera das oportunidade. Estou muito, muito satisfeito com ele”. José Mourinho sobre Lamela: “Gosto muito dele, desde o momento em que comecei a treinar que me disse que ia ajudar. Sabia que ia ser muito importante para nós e só espero que não tenha mais problemas para poder ir desenvolvendo cada vez mais”.

Elogios, elogios, elogios. Que poderiam ser ainda mais, se recuperássemos aqui as palavras do técnico português sobre Dele Alli e Son, dois dos indiscutíveis em quem mais apostou desde que chegou ao Tottenham, ou mesmo Harry Kane, a quem terá enviado uma mensagem no Natal para “o melhor avançado da Europa”. Se do meio-campo para trás Mourinho sente que a melhoria da equipa passa sobretudo pela consolidação de automatismos (e outros fatores que também ajudarão como o regresso à baliza de Lloris), do meio-campo para a frente existe hoje um claro défice de presença na área adensado com a lesão grave de Kane. Com o Middlesbrough, na Taça, a dupla argentina disfarçou a lacuna com uma boa pressão alta; frente ao Watford, seria diferente.

Mais do que o lançamento do jogo, qualquer conferência de Mourinho transformou-se numa espécie de desfile de nomes em busca de uma resposta que não ande em torno do “vamos ver”. Antes do regresso à Premier League, Zé Luís (FC Porto), Piatek (AC Milan) e Llorente (Nápoles) foram os três nomeados. “São três de uns 30 nomes que já foram adiantados. Fala-se de muitos nomes, penso que a maioria é uma tentativa dos empresários de colocar esses nomes no mercado. Precisamos de um avançado mas tem de ser uma movimentação positiva para nós. Não é fácil mas estamos a tentar acrescentar esse tipo de jogador ao plantel”, comentou o português.

Esse voltou a ser mais uma vez o problema do Tottenham na primeira parte com o Watford. Mesmo sem conseguir uma exibição de encher o olho, a equipa foi conseguindo combinar em algumas situações até ao último terço mas chocou sempre na muralha defensiva bem montada por Nigel Pearson. Em três minutos, as duas oportunidades de maior perigo: na primeira, os londrinos conseguiram sair numa transição rápida com espaço, Lucas Moura surgiu isolado na área mas Ben Foster conseguiu fazer a “mancha” (38′); na segunda, Wings explorou a profundidade com um passe longo mas Son pegou mal na bola e rematou muito por cima (40′). Pouco depois, Deeney teve a melhor chance na área contrária mas o cabeceamento saiu sem força para Gazzaniga (42′).

A confiança de Mourinho não parecia em nada abalada e o regresso ao relvado após o intervalo foi de tal forma bem disposto que chegou mesmo a tirar umas selfies com adeptos do Watford que se iam inclinando junto ao banco do Tottenham. Os visitados até tiveram um recomeço mais forte, com duas bolas de potencial perigo junto da baliza dos spurs, mas Dele Alli teve na cabeça mais uma oportunidades para desfazer o nulo surgindo ao segundo poste para desviar por cima da baliza de Foster (53′). Depois, começaram a faltar pernas, o motor gripava nas transições e os hornets chegavam à zona de conforto de um jogo mais físico e que só não trouxe resultados práticos por Troy Deeney desperdiçou uma grande penalidade, bem defendida por Paulo Gazzaniga (70′).

Ainda antes da marcação do penálti, Mourinho já tinha chamado Eriksen para entrar mas quando se pensava que o substituído seria Lo Celso, Dele Alli saiu e não escondeu a frustração entre murros no banco. E seguiu-se a estreia de Gedson Fernandes, médio cedido pelo Benfica que fez o primeiro jogo na Premier League entrando aos 80′.

“É um miúdo que pode jogar em diferentes posições no meio-campo, mesmo como extremo direito se precisarmos. Fomos buscá-lo devido à sua multifuncionalidade. É aquilo a que costumo chamar um empréstimo especial, não vem por três meses e depois ‘adeus’. Vem por ano e meio e terá tempo de evoluir, e quem sabe não fique aqui por vários anos”, comentara antes do jogo o português. E em poucos minutos o internacional mostrou o que falta ao Tottenham: entre dois cruzamentos, um corte e alguns passes, Gedson teve uma boa assistência após boa desmarcação numa diagonal em profundidade mas o passe não encontrou ninguém na zona de finalização. Com isso, os spurs, que viram ainda uma bola tirada em cima da linha por Pussetto a milímetros de ultrapassar na totalidade a marca para ser golo, somaram o quarto encontro seguido sem vencer na Premier League depois do empate com o Norwich (fora) e das derrotas com Southampton (fora) e Liverpool (casa).