Reina a satisfação junto dos responsáveis pela Renault em Portugal, no que respeita ao novo Zoe. Depois da pressão inicial, com a casa-mãe a informar que queria vender o dobro do volume que atingiam até aqui, os primeiros resultados permitiram respirar de alívio. Entre meados de Novembro e fim de Dezembro, a marca francesa recebeu mais de 450 encomendas firmes do novo Zoe, mais de metade dos cerca de 800 veículos que comercializou no mercado português em 2019.

Se estes primeiros dados são encorajadores, o mesmo acontece com as preferências dos clientes, que maioritariamente optam pela versão com bateria de maior capacidade, ou seja, a de 52 kWh, em detrimento do acumulador com 41 kWh. Isto apesar de ser mais cara e mais pesada, confirmando que o critério da maior autonomia é valorizado.

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Também a potência foi alvo de análise, dado o Zoe ser proposto com dois níveis de potência, com o já conhecido motor de 109 cv (80 kW) a ter agora como alternativa uma versão mais possante com 136 cv (100 kW). E, mais uma vez, os clientes  portugueses dos primeiros Zoe revelaram preferir a maior potência, mesmo se ela retira 9 km à autonomia, que pode atingir um máximo de 395 km.

Como é ao volante?

Já aqui lhe falámos sobre o novo Zoe, que conduzimos durante a apresentação internacional realizada na Sardenha. Desta vez, tivemos oportunidade de testar o eléctrico da marca francesa já em estradas portuguesas e na versão definitiva, ou seja, exactamente com as mesmas especificações das unidades disponíveis para os condutores nacionais.

A unidade em causa montava o motor de 136 cv e a bateria de 52 kWh. Num percurso com pouco mais de 100 km, maioritariamente em auto-estrada, o consumo rondou os 20 kWh/100 km a uma velocidade média próxima dos 140 km/h, ou seja, o máximo que o modelo atinge. Posteriormente, com o ritmo a baixar para 100 km/h, a média caiu para 14 kWh/100 km, um valor muito mais interessante para alargar a autonomia, que nestas condições apontava para cerca dos 386 km anunciados.

Em estrada e dentro dos limites legais, com muito mais acelerações e desacelerações, que recarregam a bateria, o consumo voltou a descer, para 12,5 kWh/100 km. Pena é que a marca em Portugal não tenha optado por um sistema com uma entrada mais generosa e mensalidades inferiores, como em França, onde o encargo mensal é inferior a 200€ através de um aluguer de longa duração. Segundos nos explicaram os responsáveis pelo construtor em Portugal, tal fica a dever-se ao facto de, tradicionalmente, os clientes nacionais optarem por não suportar quantias tão elevadas na primeira prestação.

Como tornar os eléctricos mais atraentes?

A Renault tem como objectivo duplicar as vendas do Zoe, bem como das inúmeras versões híbridas e híbridas plug-in que vai lançar este ano, pois delas depende o cumprimento do limite máximo de emissões de CO2, que a União Europeia fixou nos 95g/km. Para o conseguir, a marca francesa delineou uma estratégia.

A marca do losango considera que são as empresas as mais beneficiadas pelo sistema de incentivos criado para os veículos a bateria, pelo que não é de estranhar que representem cerca de 90% das vendas. Além da possibilidade de recuperar o IVA e da isenção do pagamento de contribuição autónoma e do IUC, como se tratassem de modelos comerciais, os veículos eléctricos passam este ano a permitir a recuperação do IVA da energia que consomem.

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Daí que a Renault se tenha concentrado em promover a venda de eléctricos junto dos clientes particulares, estratégia que denominou Eco Plan, que passa,  entre outras soluções, pelo Eco Abate, promovendo uma campanha de abate de viaturas mais antigas e poluentes. Num mercado em que dos 5 milhões de veículos em circulação, 3 milhões têm mais de 10 anos e 2 milhões mais de 15 anos, o construtor francês paga 1000€ pelo veículo a abater (com mais de 12 anos) caso o cliente adquira um novo com motor a gasolina, 1250€ se for a GPL, 1750€ caso consuma gasóleo, 2000€ se a mecânica for híbrida e 3000€ se a opção recair sobre um eléctrico, valores estes que aumentam com o preço do carro.

Os clientes particulares usufruem ainda da iniciativa Classe Zero, em que a Renault oferece uma via verde carregada com 200€ para reduzir os encargos com as portagens (a marca calculou que este será o valor médio despendido durante 12 meses). Outra iniciativa a aplaudir é o Eco Charge, que inclui a montagem de postos de carga para serviço público à porta de cada concessionário. Para já, estão previstos 60 pontos de carga, todos eles rápidos (em DC a 43 kW) ou acelerados (em AC a 22 kW), de forma a ajudar a cobrir todo o país, de Bragança a Faro.