As autoridades e os moradores da ilha de Lesbos, na Grécia, recolheram e amontoaram milhares de coletes salva-vidas e botes, utilizados por migrantes, como forma de protesto contra a construção de novos centros para os requerentes de asilo.

Conforme avançou hoje a agência EFE, vários camiões e carros particulares recolheram, no sábado à tarde, cerca de 13 mil metros cúbicos de coletes salva-vidas, que se tinham acumulado a norte da ilha e que foram depositados no local onde está prevista a construção de novos centros de asilo.

Além disso, as viaturas bloquearam várias estradas, permitindo apenas a passagem de pastores e rebanhos, com o objetivo de impedir que os camiões de recolha de lixo pudessem chegar ao aterro.

Os campos de refugiados das ilhas gregas do Mar Egeu têm capacidade para mais de seis mil pessoas, mas albergam atualmente perto de 40 mil migrantes.

Os moradores pedem que estes espaços sejam imediatamente esvaziados e que os migrantes sejam transferidos para o território continental, não estando também dispostas a aceitar a criação de novas instalações.

Na quinta-feira, os habitantes das ilhas gregas do Mar Egeu manifestaram-se, em Atenas, contra a sobrelotação dos campos de refugiados.

Centenas de habitantes das ilhas demonstraram o descontentamento contra o Governo conservador de Kyriakos Mitostakis, que pretende criar novos centros junto aos campos de refugiados que já se encontram sobrelotados.

A indignação foi provocada por um decreto-lei aprovado esta semana pelo executivo que prevê a requisição de terrenos nas ilhas de Lesbos, Samos e Quios para a instalação dos novos campos.

Logo após a publicação do decreto, as comunidades locais decidiram suspender a cooperação com o executivo.

Já na segunda-feira, o ministro das Migrações, Notis Mitarachi, anunciou que a construção de campos fechados em várias ilhas do Mar Egeu começará em março.

Esses campos, que podem acolher 20.000 requerentes de asilo por um período máximo de três meses, estarão localizados nas ilhas de Lesbos, Samos, Chios, Cós e Leros, indicou, na altura, o ministro, em entrevista à estação de rádio grega Skai, acrescentando que os campos devem estar operacionais ainda neste verão.

Após incidentes violentos entre migrantes, mas também face à crescente exasperação das populações locais nos últimos meses, o Governo decidiu controlar ainda mais as chegadas às ilhas Egeias.

“Aqueles que permanecem nesses centros fechados terão direito a saídas controladas, com um cartão e por um tempo limitado, e as estruturas permanecerão fechadas à noite”, explicou, à data, o porta-voz do Governo grego, Stelios Petsas.

Face ao aumento das chegadas de migrantes, o Governo de Mitsotákis, que chegou ao poder no verão passado, decidiu “acelerar” a análise dos procedimentos de asilo, para enviar os requerentes não elegíveis ou rejeitados para o seu país de origem ou para a vizinha Turquia.