A direção nacional da PSP diz que os insultos e ameaças contra agentes da polícia após o cortejo fúnebre dos três homens que morreram num acidente devido a excesso de velocidade na Segunda Circular, em Lisboa, “não passarão impunes”.

“A PSP não tolera este tipo de comportamentos pois constituem ataques graves aos seus polícias e à autoridade do Estado, que não passarão impunes”, lê-se num comunicado enviado esta noite pela PSP aos meios de comunicação social.

Os confrontos com a polícia ocorreram na última terça-feira à tarde, na Damaia, depois do funeral dos três homens que morreram no acidente na semana passada.

Carro da polícia cercado por motards no cortejo fúnebre das três vítimas da 2ª Circular

Segundo a PSP, “foi recebido um alerta por um grupo de motociclistas estar a circular na via publica, sem capacetes e realizando manobras perigosas proibidas pelo Código da Estrada”. Inicialmente, não foi “estabelecida qualquer ligação desta ocorrência com a morte de três cidadãos” no acidente da Segunda Circular.

“Como é normal, foi enviado ao local um carro patrulha com dois polícias. Quando chegaram ao local os dois polícias deparam-se com um conjunto de motociclistas que rapidamente os cercaram  de forma hostil e não acataram as ordens legais e legítimas que lhes  foram dadas, impossibilitando que os infratores fossem identificados e fiscalizados”, explica a PSP.

“Enquanto um dos polícias permaneceu no exterior do carro patrulha, emitindo continuamente ordens para que os infratores se afastassem, o outro polícia entrou na viatura para pedir reforços urgentes via rádio”, continua o comunicado.

Vídeo mostra motas a entrar no cemitério dos Prazeres durante o funeral de uma das vítimas do acidente da Segunda Circular

A PSP explica ainda que, “devido ao aumento do número de infratores e aos seus inaceitáveis comportamentos, um dos polícias, para garantir a sua integridade física e a autoridade do Estado, recorreu passivamente à arma de fogo como forma de dissuasão relativamente às agressões iminentes, sem no entanto a ter apontado a qualquer cidadão”.

No comunicado, a polícia diz salientar “a coragem e o sangue frio do polícia que permaneceu no exterior do carro patrulha, que permitiram evitar males maiores”, e destaca que, apesar da chegada dos reforços, já não foi “possível a identificação e detenção dos infratores, por já terem dispersado”.

Identificados os 150 veículos que estiveram na homenagem não autorizada às vítimas do acidente na Segunda Circular

Por isso, serão agora usados “todos os meios para identificar todos os intervenientes de modo a permitir responsabilizá-los tanto criminalmente como pelas contraordenações praticadas”. Inclui-se aqui o recurso às imagens de video-vigilância.

Os motociclistas deslocavam-se para o funeral dos três homens que morreram no dia 21 de fevereiro na Segunda Circular, em Lisboa, num acidente aparatoso após filmarem o carro a circular a mais de 300 quilómetros por hora naquela estrada lisboeta.

Na sequência do acidente, vários familiares e amigos dos mortos fizeram também uma homenagem não autorizada na Segunda Circular, que parou o trânsito e obrigou à intervenção da polícia. Nessa ação ilegal, foram lançados balões com luzes no interior, o que constitui uma violação das restrições impostas pela proximidade do aeroporto de Lisboa.