Com os aviões quase todos parados em terra — a TAP anunciou esta quinta-feira a suspensão de 75 rotas e a operação para apenas 15 destinos, pelo menos durante quatro semanas — a ordem na transportadora aérea é para cortar custos. Todos — a começar pelos laborais, mas não só — para aguentar a brutal queda de receitas até que cheguem as esperadas ajudas públicas, que ainda ninguém sabe como nem quando serão concretizadas. A Comissão Europeia já deu sinais de disponibilidade, mas ainda ninguém sabe que soluções poderão vir a ser adotadas para ajudar financeiramente as companhias aéreas europeias.

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Para além de suspender contratações previstas e investimentos, bem como despesas considerados não essenciais, a TAP começou logo no início da crise na aviação provocada pelo surto de Covid-19 por propor aos trabalhadores que tirassem licenças sem vencimento de um a três meses. Já esta semana, soube o Observador, o prazo para estas licenças foi estendido até seis meses.

O Observador confirmou ainda que a empresa não está a renovar contratos a termo à medida que vão vencendo, o que já afetou cerca de 100 trabalhadores, segundo números avançados pelo Expresso. Mas poderá vir a atingir mais. Só no ano passado, a TAP contratou cerca de 800 pessoas para as operações de voo e uma parte destas não terá entrado logo para os quadros. Os colaboradores estão também a ser convidados a gozar todas as férias que tenham de anos anteriores, bem como folgas.

O Observador questionou a transportadora para saber quantos trabalhadores tinham aderido às licenças sem vencimentos, mas ainda não obteve resposta. Mas será pouco para uma empresa que nos últimos dias reduziu a sua operação em mais de 80%. Umas das hipóteses que também estará em cima da mesa é o recurso ao novo regime de lay-off, que prevê a suspensão dos contratos até seis meses, com o Estado a pagar um dos dois terços de salários — até ao limite de 1.905 euros — que o trabalhador tem direito ao abrigo desta modalidade. Esta medida só poderá ser ativada após dois meses de quebra de faturação de mais de 40%, o que no caso da TAP poderá verificar-se já no final de março, se for possível contabilizar o mês anterior ao agudizar da crise.

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Não é só na frente laboral que a empresa tenta reduzir custos. A TAP também está empenhada em renegociar prazos de pagamentos a fornecedores e compromissos financeiros com os bancos e até antecipação de receitas.