Além de Ovar, há outras localidades com “indícios mais acentuados de contágio”, disse Graça Freitas esta segunda-feira na habitual conferência de imprensa.“Há outras localidades onde pode haver transmissão comunitária”, afirmou ainda, garantindo que, nesse caso, tal transmissão está “muito controlada”. “Se fosse exuberante haveria muitos outros casos.”

Outra informação de relevo apresentada por Graça Freitas foi a de que um dos passageiros portugueses que desembarcaram do cruzeiro que acostou este domingo no porto de Lisboa testou positivo. A diretora-geral da Saúde esclareceu, no entanto, que o teste será repetido e que não estava previsto realizar o teste a todos os passageiros, mas apenas aos portugueses que tinham intenção de desembarcar, ao contrário de algumas informações avançadas durante o dia de domingo que davam conta da testagem aos cerca de 2 mil passageiros a bordo do cruzeiro.

“Por princípio de precaução, na última noite foram tomadas medidas de isolamento dentro do barco pelas autoridades competentes, que determinaram medidas de isolamento dentro do navio. Não estava previsto fazer testes a todos os passageiros, um deu positivo, vamos repetir”, esclareceu.

Covid-19. Um dos portugueses que desembarcaram do cruzeiro que atracou em Lisboa testou positivo

Segundo os dados recolhidos pelas autoridades de saúde — e divulgados esta segunda-feira em conferência de imprensa — há 165 profissionais de saúde infetados. Destes 165 profissionais, 82 são médicos, 37 são enfermeiros e os restantes são profissionais de outras classes de serviços (assistentes operacionais, por exemplo), afirmou António Sales. O secretário de Estado da Saúde recordou que a partir de agora será obrigatório registar a profissão das pessoas infetadas, permitindo uma maior clareza nos dados recolhidos. O que não era feito até agora como lembrou esta segunda-feira de manhã o bastonário da Ordem dos Médicos em entrevista à Rádio Observador. 

Bastonário diz que há médicos “em situações complicadas, nos cuidados intensivos”. Falta de equipamento de proteção “absolutamente crítica”

“Estamos a aumentar significativamente a nossa capacidade de testagem”

António Sales garantiu ainda que o material de proteção — tendo em conta a propagação do novo coronavírus no país — não está a ser comprado “agora”. E reforçou que 2,5 milhões de máscaras foram distribuídas na semana passada.

O secretário de Estado da Saúde falou de “aumento progressivo da capacidade de testar”, referindo-se a kits e zaragatoas (usadas para recolher material biológico de pessoas para fazer o teste). “Estamos a aumentar significativamente a nossa capacidade de testagem”, disse, referindo ainda que o Estado está a trabalhar no sentido de garantir “várias linhas de encomendas” e que ainda esta segunda um avião vai partir em direção à China para trazer mais material.

Garantiu ainda mais 2 milhões de máscaras cirúrgicas e outras tantas máscaras FFP2 e cerca 150 mil zaragatoas. “Esse material será distribuído tendo em conta as necessidades.”

Depois de na semana passada, Graça Freitas ter garantido que Portugal tinha “uma capacidade instalada de nove mil testes”, hoje António Sales diz que o Serviço Nacional de Saúde tem capacidade para realizar 2.500 testes por dia, aos quais se somam 1.500 testes do setor privado. Segundo o secretário de Estado, Portugal tem uma “capacidade em stock de cerca de 20 mil testes”.

Dando conta os novos números — 23 mortes e 2060 casos de infeção —, Sales fez um apelo:

Importa lembrar que as medidas de emergência visam garantir a nossa saúde pública”, disse esta segunda-feira na habitual conferência de imprensa. “Servem para evitar que os portugueses adoeçam ou que não adoeçam ao mesmo tempo para que o SNS consiga dar resposta.”

Institutos portugueses de oncologia vão receber doentes oncológicos não infetados de outros hospitais

Questionada sobre se os institutos portugueses de oncologia vão receber doentes infetados com Covid-19, Graça Freitas respondeu que o que está previsto é que estes hospitais possam receber doentes oncológicos não infetados de outras unidades hospitalares. “Em caso de infeção, o doente é enviado para outro hospital. Temos de minimizar o risco de infeção” nesses institutos, garantiu.

Falando ainda nos médicos e nos enfermeiros que trabalham em vários cenários em simultâneo, Freitas reiterou que a recomendação da DGS é que estes “cumpram a medidas de proteção individual”.

Lares de idosos “podem recorrer a bolsas de voluntários”

Reconhecendo que a situação dos lares de terceira idade é aquela que inspira atualmente “maior preocupação”, o secretário de Estado da Saúde anunciou que as instituições “podem recorrer a bolsas de voluntários”.

Podem recorrer a bolsas de voluntários para prestação de cuidados aos utentes. Não hesitem em recorrer”, apelou António Sales.

Segundo o responsável, Portugal está ainda a tentar “aumentar a capacidade de testagem”. Agradecendo aos autarcas que já estão a articular esforços neste sentido, o secretário de Estado recordou que “este trabalho tem e deve ser sempre feito em articulação com as Autoridades Regionais de Saúde”.

Há 12 mil cidadãos em vigilância ativa

“Vamos começar a publicar essa informação”, disse ainda Graça Freitas, referindo-se aos dados geográficos relativos às pessoas infetadas. “Muitas destas pessoas estão em localidades muito pequenas.” Para breve está a publicação de uma mapa onde será possível consultar as manchas de distribuição relativas ao novo coronavírus.

Relativamente à informação sobre as cadeias de transmissão, Graça Freitas assegurou que publicam aquilo de que há a certeza. “Há situações que não estão a ser reportadas. Os nossos serviços estão a ver e trilhar milhares de pessoas. Há 12 mil cidadãos em vigilância ativa. É carga muito grande”, continuou, para garantir que pretendem ser “mais transparentes”.