Os acionistas da Pharol (ex-Portugal Telecom) reúnem-se esta sexta-feira em assembleia-geral, para deliberar sobre os resultados de 2019, de acordo com um comunicado enviado em 2 de março à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Da ordem de trabalhos da assembleia-geral consta também decidir sobre a proposta de aplicação de resultados, a apreciação geral da administração e da fiscalização da sociedade, a aquisição e a alienação de ações próprias e a declaração da Comissão de Vencimentos relativa à política de remunerações dos membros dos órgãos de administração e de fiscalização.

Em 28 de fevereiro, a Pharol comunicou à CMVM que encerrou 2019 com um lucro de 20,7 milhões de euros, após um prejuízo de 5,6 milhões no ano anterior.

Na informação divulgada na altura, a Pharol referia que o lucro registado “reflete essencialmente o ressarcimento de danos no âmbito do acordo entre a Oi e a Bratel Sarl, no montante de 36,8 milhões de euros”, “uma perda de 11,6 milhões de euros decorrente da redução do valor expectável de recuperação dos créditos sobre a Rio Forte” e “os custos operacionais consolidados de 4,2 milhões de euros”.

O resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) recorrente foi negativo em 4,2 milhões de euros em 2019, contra 5,3 milhões de euros negativos no ano anterior.

No ano passado, os capitais próprios da empresa reduziram-se em 14,7 milhões de euros, terminando o ano em 131,5 milhões de euros, refletindo “o resultado líquido positivo no montante de 20,7 milhões de euros” e “a desvalorização da participação na Oi em 33,3 milhões de euros, decorrente da queda da cotação em bolsa e da desvalorização do real”.

Na informação então divulgada, a Pharol referia que, “em consequência do reportado pelos administradores judiciais no Luxemburgo no seu último relatório, relativamente a alguma incerteza sobre o valor dos ativos na América Latina, o valor expectável do crédito sobre a Rio Forte sofreu uma redução de 1,47 milhões de euros” no segundo semestre de 2019, a acrescer aos 10,1 milhões de euros de imparidade já registados no primeiro semestre.

Sobre este tema, o presidente da empresa, Luís Palha da Silva, referiu, citado no documento, que “no processo de recuperação do crédito sobre a Rio Forte continuou a verificar-se, ao longo do ano, uma lentidão inultrapassável nas diferentes instâncias a que a Pharol tem recorrido, nomeadamente nas esferas judiciais de Portugal e Luxemburgo”, o que acabou “por ter reflexos, na avaliação do valor deste ativo, impondo a sua redução nas contas da empresa”.

Em 31 de dezembro de 2019, a Pharol detinha como principais ativos 326.259.859 ações ordinárias e 1.800.000 ações preferenciais da operadora brasileira Oi, representativas de 5,5% do capital social total, e instrumentos de dívida da Rio Forte Investments, com um valor nominal de 897 milhões de euros.