O primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven, afirmou numa entrevista na noite de sábado que o país não estava suficientemente preparado para lidar com a pandemia de Covid-19 e afirma que é necessário reforçar a capacidade de resposta do país. “A nossa preparação não foi boa o suficiente e isso é evidente para todos, em vários aspetos”, declarou o chefe de governo à televisão pública sueca SVT.

“Foi por isto que adotámos uma estratégia de segurança nacional e isto tem de incluir tudo, desde o fornecimento de água até à cibersegurança. Mas também a saúde — estaremos preparados para um crise [nesta área]?”, questionou o primeiro-ministro. “Começámos a trabalhar e estou satisfeito por haver um amplo consenso político que considera necessário reforçarmos a nossa defesa civil.”

Em termos concretos, Löfven não quis responsabilizar os suecos pelos números elevados de infetados e mortes por Covid-19 que se têm registado no país, que adotou uma estratégia de imunidade de grupo, em contra-corrente com  o resto do mundo. O primeiro-ministro considerou que a maioria dos cidadãos seguiu as recomendações das autoridades, mas admitiu a possibilidade de fechar alguns restaurantes que não estejam a cumprir as regras: “Há aqueles que não as seguem, não compreendem ou não querem saber da gravidade da situação e aí teremos de colocar as luvas e passar à ação“, avisou.

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O primeiro-ministro, que encabeça uma coligação liderada pelos sociais-democratas, aproveitou ainda para dizer que a pouca preparação do sistema de defesa civil do país é responsabilidade “de todos os partidos”, “porque é algo que tem vindo a ser gradualmente reduzido desde a Guerra Fria”, afirmou — muito embora os sociais-democratas tenham liderado mais de metade dos governos do país desde então.

A Suécia já registou mais de 10 mil casos de pessoas infetadas com o novo coronavírus, num país que tem uma população de cerca de 10 milhões de pessoas. Ao todo, 887 infetados já morreram de Covid-19.