Foi a primeira atividade clínica a ser suspensa, ainda durante o mês de março. Com a reabertura marcada para a próxima segunda-feira, os dentistas merecem, por parte da DGS, uma atenção redobrada no que toca às medidas para evitar o contágio do novo coronavírus.

A proximidade entre profissionais de saúde oral e utentes oferece riscos. Nas diretrizes específicas emitidas esta sexta-feira, a DGS faz referências a “gotículas respiratórias e aerossóis que podem ser criados durante os procedimentos clínicos, tornado o gabinete de consulta uma potencial fonte de transmissão do vírus”.

A partir da meia-noite de domingo, nenhum consultório de dentista deverá atender utentes sem marcação prévia através de contacto remoto e ter um plano de contingência atualizado. Todos os espaços deverão disponibilizar máscaras cirúrgicas sempre que os utentes não possuírem e solução alcoólica à entrada do consultório, clínica ou serviço.

As regras para os estabelecimentos que reabrem: só depois das 10h e com uma pessoa por cada 20 metros quadrados

“A máscara deve ser usada dentro do espaço de sala de espera ou receção, só removendo quando estiver no gabinete de consulta”. Devem ainda ser retiradas revistas, folhetos, máquinas de café, dispensadores de água, entre outros objetos que possam ser manuseados por várias pessoas, das salas de espera.

Profissionais e consultórios devem ainda “proteger com barreiras plásticas ou em papel de alumínio descartáveis as superfícies mais expostas ao contacto com as mãos do gabinete de consulta”, como é o caso de equipamento informático, da pega do candeeiro, do tabuleiro, painel de comando da cadeira, instrumentos rotativos, entre outros.

Remotamente, o utente deve sempre ser questionado sobre possíveis sintomas sugestivos de Covid-19, bem como sobre eventuais contactos recentes com sujeitos infetados. Caso se verifique, a consulta deverá ser reagendada. Contudo, “na necessidade imperiosa de observar um caso suspeito ou confirmado de Covid-19, em situações urgentes e inadiáveis, considerar o agendamento da consulta, ao final da manhã ou da tarde, em horários específicos, por forma a não existir partilha da sala de espera, sempre com utilização de equipamento de proteção para procedimentos de alto risco”.

Uma vez no consultório, os utentes devem cumprir com o distanciamento mínimo de dois metros, evitar tocar em superfícies desnecessariamente e optar pelo pagamento através de meios que evitem contacto físico. Nas instalações, a abertura de janelas é preferível em relação ao uso de ar condicionado. Ainda, nesse caso, o seu funcionamento deve ser em modo de extração e não de recirculação de ar.

Ouça aqui a entrevista do bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas à Rádio Observador:

A medição da temperatura corporal não vai ficar associada ao nome da pessoa

Médicos dentistas e assistentes devem retirar todos os adereços — anéis, pulseiras, colares, brincos e relógios –, bem como manter as unhas naturais, curtas e limpas, sem usar unhas artificiais ou outro tipo de extensores, verniz, gel ou gelinho.

O equipamento de proteção individual a usar inclui máscara cirúrgica, óculos de proteção ou viseira, luvas e uniforme e calçado de uso clínico. Bata ou fato de proteção completo, um segundo par de luvas, cógula, touca e cobre-botas devem ser considerados no caso de procedimentos de alto risco ou se o utente foi um caso suspeito ou confirmado de Covid-19.

Durante a consulta, devem:

  • Garantir que os objetos de uso pessoal não estão expostos durante a consulta e que são alvo de uma desinfeção regular;
  • Manter sempre a porta fechada do gabinete;
  • Evitar, sempre que possível, a realização de procedimentos que resultem na formação de aerossóis;
  • Instruir o utente, antes de qualquer procedimento, a bochechar por 30 segundos com solução de peróxido de hidrogénio a 1%1 ou iodopovidona a 0,2%2;
  • Utilizar a aspiração cirúrgica para diminuir a disseminação de aerossóis;
  • Colocar dique de borracha sempre que indicado;
  • Utilizar instrumentos rotatórios com válvula antirretorno 3 e usar proteções descartáveis;
  • Dar preferência às radiografias extraorais, em detrimento das intraorais;
  • Dar preferência à sutura reabsorvível após as extrações.

A desinfeção de superfícies, a renovação do ar e a esterilização de material são obrigatórios após a consulta. Enquanto equipamentos reutilizáveis, óculos de proteção e viseiras devem ser pulverizados com álcool a 70º ou submersos numa solução de cloro. A roupa deve ser lavada a altas temperaturas. Caso não haja máquina de lavar no local, deve ser posta num saco de plástico fechado e depois colocada diretamente na máquina.

Na lavagem de chão e superfícies devem ser usadas substâncias específicas, nomeadamente o hipoclorito de sódio.

Em entrevista à Rádio Observador, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, deixou um balanço positivo das medidas veiculadas pela DGS esta sexta-feira. “Vai correr bem porque os médicos dentistas são cumpridores”, referiu.

Questionado sobre a capacidade de cedência de máscaras por parte dos consultórios, o bastonário mostrou alguma preocupação. “Temos tido informação de que o material de proteção, nomeadamente máscaras, está mais disponível, embora ainda a preços proibitivos, por vezes até especulativos. Essa situação tem de ser regularizada”, admitiu.

A mesma preocupação estende-se ao reflexo desses custos no preço dos tratamentos, num país onde uma franja da população já tem, normalmente, dificuldade em aceder à medicina dentária — “sobretudo porque sabemos que uma parte considerável já está numa situação de dificuldade, a crise está a instalar-se”.

Artigo atualizado dia 1 de maio às 23h25 com as declarações do bastonário.