Será no próximo mês de Julho que a Renault vai passar a ser dirigida pelo ex-CEO da Seat, Luca de Meo. Segundo a imprensa francesa, o gestor italiano pretende aplicar um severo plano de austeridade, com vista a reverter o cenário de 2019, ano em que o Grupo Renault registou 141 milhões de euros em perdas. De acordo com a revista L’Argus, as acções estão a perder valor e a queda das vendas no primeiro trimestre de 2020 tão pouco contribuem para traçar um quadro mais animador.

Para fazer face a este cenário, avança a referida publicação, Luca de Meo pretende poupar 2000 milhões de euros durante os próximos três anos. Meta que se propõe atingir desde logo sacrificando modelos, numa intenção que tem vindo a ser trabalhada e que até já terá sido comunicada aos quadros da Renault. Termina a produção do Scénic e do Grand Scénic, sendo que o Koleos e o Talisman vão pelo mesmo caminho. No entanto, há nesta reconfiguração da gama duas estratégias distintas. Por um lado, a gama Scénic vai ser substituída por um SUV, nomeadamente pelo futuro Kadjar e pela variante XL deste modelo, em linha com aquilo que a Volkswagen faz com o Tiguan e o Tiguan Allspace. Por outro lado, a sucessão do Koleos e do Talisman está, de momento, fora dos planos. Estes dois projectos foram “congelados”, entre muitos outros que também foram suspensos, inclusivamente respeitantes ao departamento de Investigação & Desenvolvimento.

A abordagem na China vai igualmente sofrer alterações. Aí, no maior mercado do mundo, o enfoque vai por completo para a mobilidade eléctrica e para os utilitários, que ganham prioridade face a alternativas a combustão como o Captur, o Kadjar e o Koleos.

Nesta transição para uma mobilidade 100% eléctrica, também não está fora de questão o fecho de fábricas, conforme declarações da directora interina da Renault, Clotilde Debos, em Fevereiro. L’Argus avança que a fábrica francesa de Douai vai converter-se no centro eléctrico da Renault na Europa, com a marca do losango a procurar capitalizar a apetência dos clientes por SUV e a tendência dos consumidores para aderirem a veículos exclusivamente a bateria. Daí que a unidade de Douai vá passar a fabricar um crossover compacto equivalente ao Nissan Ariya e um SUV de maior bitola, a envergar o logótipo da Alpine. Estes dois estão previstos para 2022 mas, um ano antes, surgirá um SUV compacto também 100% eléctrico. Vantagens de a Aliança ter investido numa plataforma específica, frisa o director de Produto e de Programas da Renault, Ali Kassai, que não resiste a mandar uma alfinetada à concorrência (PSA, mas também BMW), lembrando que outros optaram “por uma arquitectura multi-energia”, com investimentos menores mas que obriga a mais concessões técnicas.

O plano que revê a estratégia da Renault deverá ser apresentado no decorrer deste mês.