A Horse Powertrain, uma joint venture criada pelos franceses da Renault (45%), os chineses da Geely (45%) e a petrolífera Saudi Aramco (10%), tem como objectivo a produção de mecânicas a combustão, híbridas e híbridas plug-in para vender na Europa e na China, até ser possível comercializar unidades motrizes que queimam derivados de petróleo. Mas estes motores vão também ser necessários no resto do mundo, com destaque para os países subdesenvolvidos, onde vão continuar a ser precisos durante muitos anos.

A Horse Powertrain nasceu da antiga divisão de motores a combustão, sistemas electrificados (híbridos e híbridos plug-in) e caixas de velocidade da Renault, que os franceses resolveram independentizar associando-se à Geely e à Saudi Aramco para entrar noutros mercados e aceder aos fundos necessários para continuar a investir para optimizar os consumos e a eficiência. Hoje, a Horse, que inclui a antiga fábrica da Renault em Cacia — agora denominada Horse Aveiro, que produz peças para caixas e motores eléctricos para híbridos, entre outros —, não tem parado de crescer e de surpreender com novos projectos, com o novo motor Horse B20 a assumir-se como o mais espectacular.

O B20 é um motor com quatro cilindros e 2 litros sobrealimentado, concebido especificamente para mecânicas híbridas e híbridas plug-in. Com um peso de somente 130 kg, é capaz de fornecer potências entre 190 e 252 cv e atingir uma eficiência térmica de 48,4%, o que bate a generalidade dos motores similares no mercado, com o Prius a ser o que mais se aproxima, com uma eficiência de cerca de 40%. Apesar de funcionar segundo o ciclo Miller, o B20 é capaz de enfrentar subidas a 100%, ou seja, inclinações que sobem 1 metro na vertical por cada metro percorrido na horizontal, o que corresponde a um declive de 45%.

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Mas a proeza mais espectacular do B20 é a sua capacidade de trabalhar mais de 30 minutos debaixo de água, a mais de 1,1 metros de profundidade. Obviamente, a Horse não desenvolveu este motor por capricho ou por pretender motorizar um mini-submarino capaz de navegar a pouco mais de um metro da superfície. O seu objectivo foi conceber um motor com um consumo muito reduzido para um SUV capaz de enfrentar uma utilização mais radical, nomeadamente atravessar cursos de água mais profundos, daqueles em que quase todo o SUV fica submerso, mas ainda assim consegue sair incólume na outra margem.

Para conceber este motor capaz de se sentir à vontade debaixo de água, a Horse submeteu-o a uma homologação em relação à resistência à água, o que lhe atribuiu um IPX8. O IP vem de “Ingress Protection”, ou grau de protecção, enquanto o X reflecte o nível de protecção para poeira (que o B20 não tem, daí o X), essencialmente porque não foi testado. Já o 8 refere-se à protecção para a água, o que se traduz por poder estar submerso a mais de 1 metro de profundidade durante 30 minutos. E o primeiro veículo que vai usufruir dos serviços do Horse B20 vai ser o Galaxy Cruiser 700, que a Geely já começou a vender na China.