As exportações caíram 13% em março, face ao mesmo mês do ano passado, invertendo a tendência de ligeiro crescimento que ainda se verificava no mês anterior. Os primeiros efeitos da pandemia retiraram cerca de 670 milhões de euros de receitas às exportações portuguesas, face a março de 2019. Em relação a fevereiro, mês que tem menos três dias, a queda foi de quase 400 milhões de euros.

Esta é a maior queda mensal nas vendas para o exterior desde setembro de 2009 quando a recessão que se seguiu à crise financeira levou a um arrefecimento do comércio global. Nesse mês, as exportações recuaram 15% face ao mesmo mês do ano anterior, uma descida que até tinha sido mais acentuada nos meses anteriores de 2009. Aliás no final deste ano, as exportações registaram uma quebra de 18% face a 2008. Mas começaram a recuperar no final desse ano, tendo sido um dos fatores que travou uma maior recessão económica em Portugal nos anos de ajustamento económico.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas, para queda das vendas ao exterior verificada em março contribuiu muito o material de transporte, em particular a produção de automóveis para passageiros, cujas exportações mensais recuaram 46,4% em março. São os primeiros efeitos da pandemia no setor exportador que refletem não só a queda de procura, mas também a paragem de produção nas principais unidades de automóveis do país, em particular a Autoeuropa.

Os dados vão piorar em abril, o mês do confinamento mais restritivo e do estado de emergência. Já nos dados acumulados do primeiro trimestre, as exportações e as importações de bens diminuíram respetivamente 3% e 4% face ao 1º trimestre de 2019.

A única categoria de produtos a crescer nas vendas ao exterior no mês de março foi a produção alimentar e de bebidas com um aumento de 3,8%. Esta categoria também sentiu um acréscimo relevante das importações de 6,7%.

Itália, Reino Unido e Bélgica foram os mercados onde as exportações portuguesas sentiram maiores dificuldades com descidas em março superiores a 20%. Vendas para os Estados Unidos tiveram ainda comportamento positivo.

As exportações constituem uma das principais componentes do Produto Interno Bruto, representando cerca de 43% da riqueza produzida. Da sua evolução, e da capacidade de recuperação nos próximos meses, vai depender muito a dimensão da recessão em 2020. Já se antecipa que o turismo, outro peso pesado do PIB português com mais de 11%, terá uma retoma mais longa.

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Os dados do INE para março mostram também uma descida significativa das importações face ao mesmo mês do ano passado de 11,9%.

Em março de 2020, o défice da balança comercial atingiu 1.586 milhões de euros, o que representa uma diminuição do défice de 151 milhões de euros face ao mesmo mês de 2019. Excluindo os combustíveis, em março  o saldo da balança comercial foi negativo em 1.155 milhões de euros, o que corresponde a uma diminuição do défice de 144 milhões de euros face a março de 2019.