A luz ao fundo do túnel já se começa a ver na Europa, em países como a Itália, França, Espanha e até no Reino Unido, mas ainda é ténue. Este domingo, os dados oficiais divulgados pelas autoridades de cada um desses países revelam, em alguns, não só uma redução gradual do número de novos casos confirmados, como também de óbitos diários – além de um aumento progressivo do número de pessoas que superaram a doença, que em muitos casos já é superior ao número de novas infeções.

Comum a todos foi ainda o facto de os dados revelados serem os mais baixos desde há um mês, o que significa que as medias de confinamento a que os países mais afetados pela Covid-19 se submeteram, acabaram por produzir o efeito desejado. No entanto, os especialistas alertam para a situação continuar instável e poder mudar de um dia para o outro, à medida que vão sendo levantadas algumas restrições que foram adotadas para limitar o contágio.

Em Espanha, o número de mortes nas últimas 24 horas baixou para 143 (eram 179 no sábado). É o número mais baixo desde o dia 18 de março. Os números oficiais do Ministério da Saúde espanhol confirmam que há menos 36 mortes do que no sábado, mas alertam para o facto do número de contágios ter subido 0,28% – são mais 621 casos, o que faz com que o total de infetados por Covid-19 seja agora de 224.390. Mais de 80% das vítimas mortais no país são pessoas acima dos 70 anos.

Esta semana, mesmo com o número de óbitos diários a baixar, um relatório interno do Exército revelou ainda que o país poderá lidar com mais duas vagas do novo coronavírus antes de a situação estabilizar.

O Reino Unido é o país europeu com mais óbitos associados à doença Covid-19, tendo já ultrapassado a Itália no número de mortes. No entanto, este domingo, registou 269 óbitos associados ao novo coronavírus nas últimas 24 horas – o número diário mais baixo desde 29 de março, elevando para 31.855 o número total de vítimas mortais desde o início da pandemia. Estes números correspondem aos óbitos que tiveram testes à covid-19 confirmados, mas outros dados do Instituto Nacional de Estatística britânico indicam que o número real de mortes pode chegar às 36.800.

É neste contexto que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, se prepara para apresentar ao país, este domingo, o plano de redução gradual das medidas de confinamento, assim como o novo slogan nacional “Fique Alerta”. Esta nova frase, que irá substituir a anterior “Fique em casa”, já foi, entretanto, rejeitada pelos governos autónomos da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, que defendem a manutenção e a eficácia do anterior slogan para combater a pandemia.

Também a Organização Mundial de Saúde se mostra cautelosa no momento em que parte da Europa começa a levantar as medidas de restrição adotadas para limitar o contágio. Tedros Ghebreyesus sublinha que para acabar com a epidemia será necessário “um esforço de indivíduos, comunidades e governos” para continuar a suprimir e controlar este vírus.

Como está a fazer a França, que esta semana decidiu prolongar o estado de emergência até 10 de julho, apesar de ter contabilizado 70 mortes nas últimas 24 horas – sendo este o número mais baixo desde o início do confinamento, a 17 de março.

Segundo o Le Figaro, que cita as autoridades de saúde francesas, o número total de óbitos naquele país está agora nos 26.380, enquanto a pressão nos hospitais vai diminuindo, tendo atualmente 36 pacientes a menos do que no sábado. De acordo com a informação diária da DGS francesa, registam-se 2.776 casos graves nos cuidados intensivos (UCI) – um número três vezes inferior ao observado a 8 de abril, quando havia 7.148 pessoas nas UCI. Ainda assim, 22.569 pessoas permanecem hospitalizadas devido à Covid-19.

Também em Itália, um dos países mais afetados pela Covid-19, os números de novos casos e de óbitos mantêm a tendência de descida. Nas últimas 24horas, segundo a proteção civil italiana, foram diagnosticados 802 novos casos e mais 165 mortes, o que significa que desde o dia 9 de Março que se verifica um controlo da pandemia, sendo estes são os números mais baixos em mais de um mês.

No total, Itália contabiliza 219.070 casos de infeção e 30.560 mortes desde o início da pandemia. O país tem agora 105.186 pacientes que recuperaram da doença e tiveram alta hospitalar.

Atualmente, mais de 14 mil pessoas estão hospitalizadas, e mais de mil estão nas unidades de cuidados intensivos. A Lombardia, a região mais afetada pelo surto de coronavírus em Itália, soma 81.507 casos de contágio e 14.986 vítimas mortais, perto de metade do total de óbitos provocados pelo vírus no país.