Alguns dos potenciais compradores de um automóvel novo ainda se mostram reticentes quanto à aquisição de um veículo eléctrico devido, entre outros motivos, à longevidade da bateria. O receio de que o acumulador perca eficiência fora do período ou da quilometragem abrangidos pela garantia é um “contra” na adesão à mobilidade eléctrica, tanto mais que a bateria é o elemento mais caro num veículo eléctrico e substituí-la por conta própria quase que chega a equivaler à compra de um carro novo a combustão.

Afinal, quanto custa trocar a bateria de um Leaf?

Para afastar temores e dar sinais de que está plenamente confiante na sua tecnologia, a Lexus anunciou que o seu primeiro modelo 100% eléctrico, o crossover UX 300e, virá acompanhado de uma garantia de 10 anos ou 1 milhão de quilómetros para uma perda de capacidade abaixo de 70%. Significa isto que, dentro desse período ou quilometragem, qualquer perda de capacidade da bateria acima de 30% obrigará a marca a proceder gratuitamente à sua reparação ou substituição, se for caso disso.

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Se bem que esta garantia para a bateria impressione, a possibilidade de percorrer 1 milhão de quilómetros em apenas 10 anos é muito pouco provável para um veículo eléctrico, especialmente um que anuncia pouco mais de três centenas de quilómetros de autonomia e não deverá ultrapassar em muito os 250 km em condições reais. Isto pressupõe percorrer 100.000 km por ano, o que é pouco realista.

Até agora, grande parte dos fabricantes opta por lançar novos modelos eléctricos com uma garantia de 8 anos. No Grupo PSA, por exemplo, o período é esse, também para 70% da capacidade, mas a quilometragem está limitada a 160 mil quilómetros. Os mesmos termos e condições serão aplicáveis ao Volkswagen ID.3, que alinha pela bitola de eléctricos há muito no mercado, como o Renault Zoe ou o Nissan Leaf.

Sabe quanto vai durar a bateria do seu eléctrico?

Assim, ao oferecer esta garantia, a Lexus sextuplica a quilometragem da concorrência, garantindo que os acumuladores do UX 300e “aguentarão” nada menos que 3125 cargas, considerando que a autonomia anunciada ainda sob o antigo protocolo de medição NEDC é de 400 km, o que se aproximará de 320 km no vigente método europeu WLTP. Valores, realce-se, ainda susceptíveis de homologação.

Segundo a marca, a bateria – que é montada sob o piso do habitáculo e o banco de trás, no fundo da mesma plataforma das versões com motor de combustão – é nova e composta por 288 células de iões de lítio. A anunciada longevidade decorre da adopção de sensores para controlar a tensão em cada célula e bloco de células que, em conjunto com o sistema de gestão da bateria, permite explorar a capacidade útil do acumulador de 53,4 kWh.

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Porém, ainda de acordo com a Lexus, a refrigeração da bateria é a ar e não a líquido. Renault Zoe e Nissan Leaf, por exemplo, fizeram a mesma opção e isso encerra algumas contrariedades, nomeadamente limitando a potência da carga rápida. Algo que a marca nipónica contradiz, assegurando não só que o sistema de refrigeração que desenvolveu é “mais seguro e mais leve” que as alternativas com arrefecimento a água, como lida perfeitamente com repetidas cargas rápidas. Contudo, isto só faz sentido desde que as recargas sejam com potência reduzida e montem motores pouco possantes.

A Lexus diz também que a refrigeração da bateria através do ar condicionado do UX 300e “melhora a vida útil da bateria e a eficiência no carregamento.” Sucede que, no limite, o crossover aceita apenas 50 kW em corrente contínua (DC) – um valor que é baixo nos dias que correm, sobretudo para uma marca com um posicionamento premium.

Recorde-se que o UX 300e é um SUV de 4,49 metros de comprimento, estando equipado com um motor de 150 kW (204 cv) montado no eixo da frente. Promete uma velocidade máxima de 160 km/h e superar os 0 a 100 km em 7,5 segundos.